CNseg reúne parlamentares na defesa da reformulação urgente do seguro rural

Com o tema "O Seguro Rural que o Brasil precisa" encontro apontou alternativas sustentáveis e inteligente sobre constantes renegociações de dívidas agrícolas

 

Em um momento decisivo para o futuro do agronegócio brasileiro, autoridades, parlamentares e lideranças do setor de seguros se reuniram em Brasília, nesta terça-feira (14), para o evento “O seguro Rural que o Brasil precisa”. O encontro, idealizado pela consultoria Meridiana e realizado com o apoio da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg) e do Instituto Pensar Agropecuária, vinculado à Frente Parlamentar da Agropecuária (IPA/FPA), debateu a urgência de fortalecer e criar mecanismos governamentais robustos para a melhoria do seguro rural no país.

Na abertura do evento, os debatedores destacaram que a falta de investimentos preventivos no seguro gera um ciclo vicioso de perdas e renegociações de dívidas bilionárias, custando muito mais caro aos cofres públicos do que o fomento à proteção do produtor rural. Os palestrantes apontaram também, que o modelo atual de gestão de riscos agrícolas no Brasil precisa ser modernizado. 

Para a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a cultura de seguros deve ser criada e aprimorada, principalmente diante de mudanças climáticas cada vez mais severas e frequentes.

“Nós temos que trabalhar o nosso agricultor para ele ter a cultura do seguro. […] E o seguro não é só climático. Esse é o principal ponto, mas ele tem que partir para um seguro de renda, ele tem que partir para um seguro paramétrico, ele tem outras opções, para que cada produtor possa segurar a sua produção de uma maneira apropriada. […] O que é R$ 1 bilhão para um setor que contribui com 30% do nosso PIB?”, ressaltou.

Segundo o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, o seguro rural deixou de ser um acessório para se tornar uma ferramenta de sobrevivência econômica para o país. Ele reforçou a importância de tratar o tema de forma definitiva, enaltecendo a atuação do Congresso Nacional sobre o assunto.

“O trabalho que a senadora Tereza Cristina tem feito, assim como tantos outros parlamentares, começa pelo menos a alertar para isso. Lamentamos que a gente esteja fazendo isso sem um acolhimento adequado dentro da política econômica. Acho que os gestores da política econômica brasileira precisam compreender que a preocupação com o equilíbrio fiscal não pode ser apenas acima da linha e não pode ser apenas de curto prazo. A gente tem que ter uma visão de longo prazo, porque vai custar muito mais barato para o Tesouro expandir o seguro rural do que continuar fazendo as renegociações de dívida agrícola, por exemplo”, destacou.

Cultura de Proteção

O deputado federal e presidente da FPA, Pedro Lupion (Republicanos-PR), destacou que o setor deve, definitivamente, criar uma cultura de convencimento sobre a necessidade da adesão ao seguro rural.

“Esperamos, com a conclusão da proposta legislativa que retornou ao Senado, que possamos aprimorar o setor neste tema e conseguir avançar rapidamente após a aprovação da nossa lei. Os Estados Unidos levaram mais de 20 anos para chegar a um sistema que hoje é um modelo que nós gostamos. A gente tem que correr contra o tempo para tentar chegar nisso em bem menos de 20 anos e, a curto prazo, consolidar uma cultura de seguro no Brasil”, afirmou.

O Projeto de Lei 2.951/2024, que reformula o seguro rural, retornou ao Senado Federal após ser aprovado com alterações pela Câmara dos Deputados, no mês passado e aguarda a deliberação dos senadores para aprovação definitiva. 

Durante o encontro, os debatedores também ressaltaram pontos temáticos como a melhoria da gestão de risco no campo, a mitigação de riscos climáticos, as experiências internacionais sobre o assunto e as discussões que promovam a diversificação de produtos com maior aplicação tecnológica na agricultura do país.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS