A FF Seguros, companhia do grupo canadense Fairfax, atravessa um momento de inflexão estratégica. Tradicionalmente reconhecida pela atuação em grandes riscos corporativos, a companhia vem redesenhando sua presença no mercado para avançar sobre segmentos de médio porte e pequenas empresas, em um movimento que combina tecnologia, diversificação de canais e proximidade com corretores.
Carla Almeida, Chief Distribution Office, conta que a transformação está diretamente ligada às ambições de crescimento da companhia até o fim da década. “Temos um desafio de crescimento bastante significativo até 2030, num ambiente de extrema competição do setor, com farto capital de resseguro para apoiar novos entrantes em diferentes nichos. Isso torna nosso desafio ainda mais interessante e nos remete a explorar novos segmentos, como o de pequenas e médias empresas”, afirma.
A estratégia está estruturada em dois grandes pilares: Consumer, voltado ao massificado, e Commercial, que abrange médio e grande risco. O reposicionamento passa por alterar a percepção do mercado sobre a seguradora que vem sendo construída nos últimos anos: mantém sua especialização em grandes riscos e avança com a mesma excelência num portfólio diverso para atender diferentes tipos de clientes dos corretores de seguros e canais de distribuição diversos que vão de bancos, varejo até cooperativas. “Hoje, quando o mercado pensa em FF Seguros, pensa em grandes riscos. O que estamos fazendo nesse movimento de transformação é justamente fazer com que também nos enxerguem como uma opção para proteger do médio ao pequeno risco”, diz.
A tecnologia é um importante pilar dessa mudança, com foco na digitalização de processos e na ampliação da oferta via plataformas disponibilizadas aos corretores parceiros. “A ideia é reduzir o trabalho operacional e agilizar toda a jornada, da cotação à emissão”, explica. Com isso, os corretores ganham tempo e dinheiro com o fechamento de negócios que visam proteger boa parte das lacunas que representam riscos para seus clientes.
A principal é a FF Place, voltada aos corretores, que concentra a oferta de produtos e vem sendo ampliada para suportar lançamentos. Funciona como um ecossistema de cotação e emissão 100% digital, com uso de dados para direcionar ofertas mais personalizadas. A companhia também mantém portais de serviços para gestão de apólices e rotinas operacionais, além de iniciativas de integração tecnológica via APIs, reforçando o objetivo de simplificar processos, reduzir o tempo de subscrição e tornar a distribuição mais eficiente.
No campo da distribuição, a seguradora reorganizou sua atuação e ampliou os canais. Hoje, a executiva lidera frentes que incluem grandes corretores, bancassurance, licitações, e canais especializados. “Cada canal tem uma proposta de valor específica. O trabalho é estruturado para nos reaproximar do mercado e entregar exatamente o que o corretor precisa”, afirma.
Dentro desse redesenho, o canal de médio mercado e especialistas ganhou protagonismo, que começou a ser organizado em 2024 e ganhou escala ao longo de 2025, com expectativa de avanço ainda maior neste ano. “É um canal com grande potencial. Entramos recentemente e já vemos oportunidades relevantes de crescimento”, afirma. A proposta é atuar de forma mais consultiva, ampliando o escopo de atuação dos parceiros. “Queremos oferecer soluções mais completas e alinhadas às necessidades do negócio, independentemente do porte do cliente”, diz.

Um dos focos está na ampliação do portfólio vendido por corretores especialistas. “Identificamos que muitos corretores têm oportunidades de oferecer produtos além do seu nicho principal. Nosso papel é apoiar isso, com ferramentas, treinamentos, visitas e eventos”, afirma Carla. A estratégia já mostra resultados. Thais Mathias, superintendente comercial do canal Médio Mercado & Especialista, conta que somente em 2025, os novos negócios geraram cerca de R$ 29 milhões trabalhando essa diversificação dentro da base de especialistas. “Um corretor de transporte, por exemplo, pode vender empresarial, responsabilidade civil ou vida. A ideia é atender o cliente de ponta a ponta”, acrescenta.
“É um mercado mais competitivo, com disputa de preços em alguns segmentos. Isso exige que as seguradoras se reinventem. Nesse contexto, tecnologia e uso de dados ganham centralidade. Precisamos fazer uma distribuição mais inteligente, entender melhor o perfil do corretor e atuar de forma mais assertiva”, diz.
O cenário macro também adiciona complexidade. Eventos como eleições, calendário com muitos feriados e aumento de empresas em recuperação judicial impactam a dinâmica de negócios e exigem ajustes na subscrição e nas condições de resseguro. “Cada produto tem suas particularidades e exige atenção redobrada e o médio mercado é um vetor relevante de crescimento para corretores e seguradoras. Estamos olhando para ‘oceanos menores’, com mais capilaridade. O médio mercado traz volume e novas oportunidades”, Thais.
Para sustentar essa estratégia, além da tecnologia, atendimento personalizado, produtos sob medida e acessíveis, a FF Seguros também investe em relacionamento. A companhia prepara o lançamento da primeira campanha de benefícios para corretores, além de intensificar treinamentos, campanhas e eventos regionais. “Queremos mostrar que estamos entrando nesse segmento para ficar”, afirma Carla.
A atuação inclui encontros presenciais em diferentes praças, levando executivos e soluções a regiões onde a seguradora não possui estrutura física. “É uma forma de estreitar relacionamento e apresentar nossos diferenciais”, diz. A meta para 2026 reflete esse momento de transição. “Será um ano desafiador, mas de avanço. Estamos estruturando a companhia para crescer de forma sustentável, com uma proposta de valor mais ampla e aderente ao mercado”, finalizam as executivas da FF Seguros.


















