Eric Lundgren comemora os resultados da Generali em seu primeiro ano como CEO

Após um ano à frente da seguradora de origem italiana, executivo destaca avanço sustentável, fortalecimento do seguro massificado e resultados que refletem um trabalho coletivo

A Generali Brasil encerrou 2025 com resultados expressivos e um marco simbólico em sua história no país. No primeiro ano de gestão de Eric Lundgren como CEO, a seguradora italiana registrou lucro de R$ 137,8 milhões, crescimento de 31,39% em relação a 2024, e prêmios emitidos de R$ 2,2 bilhões. Para o executivo, o desempenho reflete não apenas decisões recentes, mas sobretudo o amadurecimento de uma estratégia iniciada anos atrás, quando a companhia redefiniu suas prioridades de negócios.

“Os resultados obtidos representam um trabalho construído ao longo de vários anos, desde o momento em que a Generali passou a focar no seguro massificado. Muitas das apostas feitas no passado amadureceram agora e aparecem nos números”, afirma Lundgren.

Segundo ele, a consolidação de parcerias estratégicas e um cenário favorável para algumas linhas de negócios também impulsionaram o crescimento. “A taxa de juros elevada beneficiou o aumento da receita financeira. Houve também uma expansão forte do mercado em algumas frentes, especialmente no seguro prestamista, que ajudou a alavancar o resultado.”

Ainda sobre o foco na atuação em massificados, grandes riscos e benefícios para colaboradores, o CEO explica que a decisão foi estratégica e o retorno vem se mostrando positivo. Segundo o executivo, os produtos elaborados pela seguradora podem ser comercializados por parceiros que atuam em diferentes segmentos de negócios. 

“Podemos usar o mesmo modelo de produtos para criar seguros vinculados a, por exemplo, seguros voltados para crédito ou novas formas de pagamento digital. A ideia é aproveitar a infraestrutura que já temos.”

Os três pilares da companhia

Cada uma dessas frentes nas quais a empresa atua têm uma dinâmica própria, explica. “Os seguros grandes riscos corporativos dependem muito do ritmo da economia e do crescimento do PIB, enquanto as contas globais de benefícios para colaboradores – Generali Employee Benefits – estão associadas a contratos internacionais do Grupo Generali. Já o seguro massificado continua sendo um segmento muito relevante, especialmente em parceria com instituições financeiras e empresas de varejo”, diz.

Hoje, cerca de 83% dos prêmios da Generali Brasil vêm de seguros massificados, segmento que se tornou o principal motor da operação no país. Lundgren explica que a por conta do foco nesse ramo, a filial brasileira opera de forma diferente das demais do Grupo Generali. “Isso é positivo, pois globalmente nos enxergam como um centro de excelência de massificados.”

Próximos passos

Para 2026, o CEO avalia que “O foco continua sendo crescimento rentável. Estamos conversando com novos parceiros e avaliando oportunidades em novos segmentos. Muitas dessas negociações levam tempo, mas certamente teremos boas notícias no futuro.”

Sobre o crescimento sustentável, o executivo reforça que essa é a prioridade da companhia, mesmo diante de um ambiente econômico mais desafiador. “Este é um ano complexo, inclusive por causa do ciclo eleitoral e das incertezas econômicas. Ainda assim, acreditamos que continuaremos num ritmo relevante.”

Outro ponto positivo para 2026 vem da parceria da Swiss Life Global Solutions com um compromisso de vínculo para a aquisição da Swiss Life Network (SLN) pela Generali Employee Benefits (GEB) Network, e estabelecerá globalmente a rede número 1 em benefícios para colaboradores. O Grupo Generali vai gerenciar mais de €3 bilhões em prêmios, com o objetivo de definir novos padrões de serviço e inovação para multinacionais e seus funcionários ao redor do mundo. 

“O fortalecimento das operações globais do Grupo deve trazer novas oportunidades para a filial brasileira, especialmente na área de benefícios corporativos, com novos clientes globais que podem passar a fazer parte do nosso portfólio no Brasil.”

Empresa inovadora

A transformação da companhia também passa por investimentos relevantes em tecnologia. Em 2025, a Generali destinou R$ 73 milhões à área, movimento que ajudou a posicionar a seguradora entre as 20 empresas mais inovadoras do Brasil pelo quarto ano consecutivo, segundo ranking do MIT Technology Review.

Na prática, esses recursos estão sendo direcionados para simplificar produtos, digitalizar processos e melhorar a experiência do cliente. “Estamos investindo muito em tecnologia para tornar os produtos mais simples e digitais. Temos call center próprio e já utilizamos inteligência artificial para apoiar nossos operadores no atendimento e na venda”, explica o executivo.

A aplicação de IA também vem sendo ampliada em outras áreas da companhia, como análise de risco e gestão de sinistros. “Em seguros de celular, utilizamos análise de imagem para identificar perdas ou possíveis fraudes. A tecnologia ajuda muito, mas ainda acreditamos muito na combinação entre inteligência digital e relacionamento humano.”

Centenário de conquistas

O ano de 2025 também foi marcado pela celebração dos 100 anos da Generali no Brasil, data que mobilizou diversas iniciativas internas e externas. A companhia promoveu eventos culturais, como o apoio a um festival de cinema italiano, além de ações voltadas à sustentabilidade (plantio de 100 árvores no Rio de Janeiro e em São Paulo) e à valorização de sua história no país. 

Internamente, a empresa reforçou programas de cultura organizacional e diversidade, além de conquistar certificações importantes no mercado de trabalho. “Recebemos a certificação Top Employer e o reconhecimento do instituto de melhores práticas em gestão de pessoas e RH. Para nós, isso é fundamental.” 

Lundgren afirma que a seguradora busca manter um ambiente diverso e inclusivo. “Hoje, 54% dos nossos colaboradores se declaram negros ou pardos, refletindo a população brasileira, e cerca de 20% têm mais de 50 anos. Queremos um ambiente onde as pessoas se sintam respeitadas e tenham oportunidade de se desenvolver.” 

O executivo destaca que a colocação no ranking do MIT, o segundo lugar no Prêmio Reclame Aqui e o selo RA1000 refletem o esforço coletivo da organização. “Quero criar uma cultura em que cada resultado importante seja um troféu para toda a equipe. Nada disso é fruto de uma única gestão, mas sim de um trabalho consistente de muitas pessoas ao longo do tempo.”

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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