Valor contratado de seguros é insuficiente para cobrir danos da tragédia de Crans-Montana, na Suíça

A comuna e o bar contrataram seguros de responsabilidade civil junto da sucursal suíça da AXA, e o valor total das indenizações pode chegar a centenas de milhões de euros

As apólices padrão contratadas junto da AXA Suíça pelo bar Le Constellation e pela comuna de Crans-Montana não serão suficientes para cobrir os prejuízos causados pelo incêndio que matou 40 pessoas e deixou 116 feridos na noite de Ano-Novo, segundo a seguradora. Especialistas estimam que o valor total das indenizações possa alcançar centenas de milhões de euros.

A AXA Suíça informou que tanto o bar Le Constellation quanto a comuna de Crans-Montana contrataram seguros de responsabilidade civil “padrão, usuais no setor, com capital segurado limitado por contrato”, conforme noticiado pelo jornal Capital. A seguradora não divulgou o teto máximo dessas coberturas, informam as agências internacionais.

“Em função das responsabilidades, os montantes de seguro previstos nas apólices subscritas pela comuna e pelo bar provavelmente não serão suficientes para assumir todos os danos financeiros sofridos pelas pessoas feridas e pelas famílias dos falecidos”, declarou a filial suíça da seguradora.

Segundo uma fonte próxima ao caso ouvida pelo Capital, o contrato padrão de responsabilidade civil para o bar ou para a comuna varia entre 10 milhões e 20 milhões de francos suíços — o equivalente a aproximadamente 10,7 milhões a 21,4 milhões de euros.

AXA Suíça propõe articulação para buscar soluções

Diante da dimensão da tragédia, a AXA Suíça decidiu propor a criação de uma mesa redonda, reunindo representantes das vítimas, autoridades públicas e seguradoras de responsabilidade civil, acidentes e saúde. O objetivo é “definir soluções simples e viáveis a longo prazo, destinadas a cobrir os danos financeiros sofridos pelas pessoas feridas e pelas famílias dos falecidos”.

Custos de tratamento podem ultrapassar 130 milhões

Apenas os custos médicos dos 83 feridos que permanecem hospitalizados podem ultrapassar 130 milhões de francos suíços, segundo estimativas da Suva, a Caixa Nacional Suíça de Seguro contra Acidentes.

“Os custos de tratamento são muito elevados no primeiro ano. Os cuidados em unidades de terapia intensiva podem variar entre 540 mil e 1,08 milhão de euros”, explicou Nadia Gendre, responsável pela comunicação da Suva, em declaração ao jornal 20 minutes. A esses valores somam-se os custos de reabilitação hospitalar e de cuidados médicos de longo prazo, que podem alcançar entre 21,5 mil e 86 mil euros por ano — em alguns casos, por toda a vida, segundo o 24 heures.

Comuna pode enfrentar responsabilidade financeira

A comuna de Crans-Montana reconheceu falhas nos controles de proteção contra incêndio, uma vez que nenhuma inspeção de risco havia sido realizada desde 2019. Para Rainer Deecke, advogado especialista em responsabilidade civil, a comuna “assume juridicamente uma parte da responsabilidade pela catástrofe”.

Em entrevista ao jornal Watson, Deecke destacou que, diferentemente de particulares ou seguradoras, “não existe um limite financeiro para reivindicações baseadas na responsabilidade do Estado perante uma coletividade pública”.

Os recursos financeiros do casal responsável pela exploração do bar são considerados limitados. A apólice de seguro de responsabilidade civil profissional tem um teto máximo insuficiente, e o patrimônio privado não seria capaz de cobrir os danos. Assim, segundo o advogado, o município de Crans-Montana pode vir a ser responsabilizado pelo pagamento de indenizações por danos morais e materiais, em razão de controles inadequados e da não aplicação das normas de proteção contra incêndios.

Diante do cenário, o Conselho de Estado do cantão de Valais decidiu conceder apoio financeiro às vítimas e às suas famílias.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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