Mercado revê expectativas e aponta 2026 como ano decisivo para destravar o open insurance, mostra estudo da Capgemini

Pesquisa revela queda no otimismo, desafios estruturais e necessidade urgente de integração com o Open Finance; 73% das empresas só esperam efeitos concretos a partir de 2027.

O avanço do Open Insurance no Brasil perdeu ritmo em 2025 e enfrenta um ponto crítico de revisão estratégica. É o que mostra a 4ª edição do estudo Análise do Mercado Open Insurance, da Capgemini, apresentada hoje em coletiva de imprensa. O material evidencia que, apesar de avanços regulatórios recentes, o setor ainda encontra dificuldades para transformar o modelo em benefícios reais para consumidores e negócios.

Segundo os dados, 45% do mercado avalia a evolução do OPIN como “indefinida”, enquanto apenas 26% enxergam progresso. O otimismo caiu para 57%, uma redução de sete pontos percentuais em relação ao ano anterior. Já 73% dos entrevistados acreditam que os impactos reais só serão percebidos a partir de 2027 ou depois. 

A pesquisa mostra que a convergência entre Open Insurance e Open Finance é considerada praticamente um consenso. 84% afirmam que a integração ajudará seguradoras, e 80% enxergam valor direto na ampliação do conhecimento sobre o cliente. O movimento aproxima o setor da lógica de smart data adotada internacionalmente — hoje mais de 80 países já operam iniciativas de Open Banking ou Finance. 

Para Gustavo Leança, diretor de Seguros da Capgemini Brasil, o Brasil vive um momento crucial. “O setor precisa deixar de olhar o OPIN como um fardo regulatório e começar a tratá-lo como uma estratégia de negócio baseada em dados. O Open Finance mostrou que quem lidera em adoção é justamente quem cria valor para o cliente — e esse ainda é o maior espaço inexplorado do Open Insurance”, afirma.

Apesar do cenário mais cauteloso, o nível de conhecimento sobre o OPIN aumentou: a média individual subiu de 6,7 para 7,3. No entanto, o estudo identifica entraves claros que vêm travando a evolução do modelo, entre eles: falta de entendimento da sociedade, qualidade e governança dos dados insuficientes, lacunas tecnológicas, baixa participação do corretor, modelo de consentimento inadequado para a realidade do seguro, custos elevados especialmente para empresas.

Segundo Leança, há um desalinhamento entre o potencial do OPIN e o nível atual de entrega. “O Brasil criou uma infraestrutura robusta, mas ainda distante de casos de uso claros. Sem benefícios diretos percebidos, não haverá consentimento. E sem consentimento, não existe Open Insurance.”

Uma das leituras mais consistentes da pesquisa é o papel da inteligência artificial no destravamento do ecossistema. 82% dos respondentes acreditam que a IA impactará positivamente o OPIN, sobretudo para tratar dados, personalizar ofertas e acelerar a análise de riscos. 

Para Leança, a IA pode corrigir gargalos históricos. “A inteligência artificial tem capacidade de organizar dados fragmentados, melhorar modelos de risco e criar jornadas mais fluidas. É uma oportunidade imediata — e o setor não pode esperar a integração com o Open Finance para começar a capturar esse valor.”

O relatório apresenta um conjunto de recomendações práticas às seguradoras, corretores e insurtechs, agrupadas em quatro frentes:

1. Tornar o tema estratégico
Integrar o OPIN às discussões de negócio, estratégia e dados, não apenas de TI.

2. Atração de consentimentos
Benefícios tangíveis devem vir antes do pedido de compartilhamento — serviços consultivos, alertas, comparadores e agregadores são exemplos prioritários.

3. Geração de receitas
Cross-sell, up-sell e novos serviços orientados por dados já se provaram efetivos no Open Finance.

4. Eficiência operacional
Uso de dados para onboarding, prevenção a fraudes e modelos preditivos pode reduzir custos e aumentar competitividade.

Com a Susep conduzindo grupos de trabalho, revisando o escopo do modelo, as jornadas de consentimento e o papel das SPOCs, a Capgemini avalia que 2026 pode ser o ano da virada — desde que o setor avance em direção a um modelo mais racional, interoperável e alinhado ao Open Finance. 

Leança reforça que o momento exige ação coordenada. “O OPIN não avançará sem clareza regulatória, mas também não prosperará sem ambição comercial. O setor precisa assumir protagonismo e desenvolver soluções que façam sentido para o consumidor. Essas oportunidades já existem — e quem se mover agora largará na frente.”

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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