Queda global nas tarifas de seguros chega a 8% na América Latina no primeiro trimestre, mesmo com guerra

Concorrência entre seguradoras, maior capacidade de resseguro e sinistralidade favorável pressionam preços para baixo pelo sétimo trimestre consecutivo

Os preços dos seguros comerciais recuaram 8% na América Latina e Caribe no primeiro trimestre de 2026, acompanhando uma tendência global de queda nas tarifas, segundo relatório da Marsh. No mundo, a redução média foi de 5% no período, marcando o sétimo trimestre consecutivo de retração nos preços.

De acordo com o estudo, o movimento é resultado da combinação entre maior concorrência entre seguradoras, ambiente favorável de sinistralidade, preços mais equilibrados no resseguro e aumento da capacidade disponível no mercado.

A América Latina registrou uma das maiores quedas globais, ao lado do Reino Unido, ambos com retração de 8%. As maiores reduções ocorreram na região do Pacífico, com queda de 12%, e na Índia, Oriente Médio e África, com recuo de 10%. Nos Estados Unidos, onde os preços haviam permanecido estáveis no fim de 2025, houve queda de 1%.

Na região latino-americana, os seguros de danos materiais lideraram a redução, com queda de 12% nas tarifas pelo sexto trimestre consecutivo. Segundo o relatório, o segmento continua beneficiado por elevada concorrência entre seguradoras e ampla oferta de capacidade local e internacional. Empresas consideradas com boa gestão de risco conseguiram condições mais favoráveis, enquanto riscos com histórico negativo ou controles frágeis seguiram sendo avaliados de forma mais rigorosa.

Nos seguros de responsabilidade civil, a redução média foi de 2%, com destaque para quedas mais expressivas em países como Brasil, Chile, México e Peru, principalmente fora da cobertura para veículos.

As linhas financeiras e profissionais também mantiveram trajetória de queda, com recuo de 6% nas tarifas pelo décimo trimestre consecutivo. O segmento segue pressionado pela concorrência entre seguradoras e pela elevada capacidade disponível, embora empresas com maior exposição regulatória ou histórico desfavorável de sinistros continuem enfrentando maior escrutínio.

Já os seguros cibernéticos tiveram redução média de 11%, após queda de 14% no trimestre anterior. O avanço de novos participantes ampliou a capacidade do mercado e levou clientes a renegociarem limites de cobertura e sublimites nas renovações.

Segundo Larissa Martins, líder de Placement para América Latina e Caribe da Marsh, o cenário cria oportunidades para os segurados ampliarem coberturas e melhorarem condições comerciais. “A oferta de capacidade abundante e a concorrência intensa entre seguradoras estão criando condições de mercado mais favoráveis. Isso se traduz em mais opções e melhorias nas coberturas para os clientes”, afirma em nota.

Silvana Speranza, diretora executiva de Placement da Marsh Risk, destaca que os resultados positivos das seguradoras, sustentados por níveis equilibrados de sinistralidade, têm favorecido as renovações no mercado brasileiro. “Nos últimos meses, isso tem se traduzido em coberturas mais amplas, franquias alinhadas ao perfil do risco e condições comerciais aprimoradas”, informa.

A executiva acrescenta que, embora a nova Lei do Contrato de Seguro tenha gerado expectativa sobre possíveis mudanças nos critérios de precificação, o principal impacto até agora ocorreu na adaptação de processos operacionais e no aumento da transparência na contratação e regulação de sinistros.

Apesar do cenário favorável, a Marsh avalia que fatores geopolíticos e eventos climáticos seguem no radar do setor e podem influenciar o comportamento das tarifas nos próximos trimestres.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS