MetLife aposta em digitalização e parceria com Mercado Pago para expandir seguro prestamista

Em entrevista ao Sonho Seguro, Marcelo Tomei, VP Comercial da MetLife Brasil, detalha como a plataforma Xcelerator e novas alianças estratégicas fortalecem a presença da seguradora em um mercado ainda dominado por bancos.

por Denise Bueno

O seguro prestamista, tradicionalmente vinculado ao crédito bancário, vive um novo ciclo de expansão com o avanço de plataformas digitais, fintechs e varejo. No primeiro semestre, a modalidade avançou 5,4%, para R$ 10,4 bilhões em vendas, sendo o segundo mais vendido no segmento “seguros de pessoas” no ranking da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Embora a elevação dos juros e o crédito mais caro tenham moderado o ritmo de crescimento em 2025, a Confederação das Seguradoras, a CNseg, ainda projeta uma alta de 10,3% nas vendas do produto neste ano, reforçando seu papel como um dos mais procurados no segmento de pessoas.

De olho nesse movimento, a MetLife aposta na plataforma Xcelerator e em parcerias estratégicas — como a recém-lançada com o Mercado Pago — para ampliar a distribuição e levar proteção a novos públicos. Em entrevista ao Sonho Seguro, Marcelo Tomei, vice-presidente Comercial da MetLife Brasil, explica como a seguradora quer conquistar espaço em um mercado historicamente dominado por bancos.

O seguro prestamista é tradicionalmente dominado pelos bancos. Qual é a estratégia da MetLife para conquistar maior participação nesse mercado?
Nossa estratégia é antecipar e acompanhar a transformação do mercado, levando o seguro para onde o cliente já está: bancos, plataformas digitais, fintechs, varejo e e-commerce. O cliente busca resolver tudo em poucos cliques, com agilidade e preço acessível. É nesse ponto que a MetLife Xcelerator se posiciona, agregando valor a parceiros e consumidores.

Como a plataforma Xcelerator contribui para aumentar a competitividade da MetLife na distribuição de produtos prestamistas?
Lançada em 2023, a MetLife Xcelerator conecta parceiros, tecnologia e clientes em jornadas 100% digitais e personalizadas. Já impactou mais de 5 milhões de pessoas no Brasil, México e Chile. Com APIs e inteligência artificial, a plataforma permite integrar seguros ao ecossistema dos parceiros em momentos-chave, como contratação de crédito ou financiamento, além de simplificar indenizações, muitas delas pagas em poucas horas.

No primeiro semestre de 2025, as vendas de prestamista cresceram 5,4%. Como a MetLife avalia esse desempenho e quais as projeções?
Foi um crescimento moderado, mas consistente diante do cenário de juros altos. Segmentos como veículos (+14,7%) e empréstimo pessoal (+15,7%) puxaram a alta. Para o segundo semestre, estamos otimistas, apoiados na expansão com parceiros estratégicos e novas parcerias.

A recente parceria com o Mercado Pago é vista como um marco. De que forma essa aliança deve acelerar a penetração do prestamista?
Ao integrar o seguro prestamista diretamente à jornada de crédito pessoal no app do Mercado Pago, o produto passa a ser parte natural da decisão financeira. Isso amplia o alcance, facilita a adesão e promove inclusão financeira, especialmente para públicos que antes não contratavam seguro.

O público do Mercado Pago é mais jovem e digitalizado. Como adaptar o produto para esse perfil?
O seguro é oferecido de forma contextualizada, no momento em que o cliente solicita crédito, com jornada 100% digital e transparente. A cobertura inclui falecimento, desemprego, hospitalização e incapacidade temporária, de forma acessível e opcional.

Qual é a expectativa em termos de volume de novos negócios com a parceria?
Ainda sem números projetados, mas esperamos escala relevante. Hoje, 23% das indenizações pagas pela MetLife já são de prestamista. Com o Mercado Pago, esse percentual tende a crescer, levando proteção a milhões de brasileiros fora dos canais bancários.

Em cenários de juros elevados, como sustentar o crescimento do prestamista?
Diversificando canais e linhas de crédito, ajustando preços para manter acessibilidade e ampliando parcerias. Juros altos reduzem o volume de crédito, mas também aumentam a preocupação das famílias com sua capacidade de pagamento — o que reforça a importância do prestamista.

E como lidar com a alta da sinistralidade?
Combinamos tecnologia e gestão tradicional. Usamos inteligência de dados para ajustar precificação em tempo real e sistemas integrados para análise de sinistros, reduzindo fraudes e acelerando indenizações.

A nova Lei 15.179/2025, que atualiza o crédito consignado privado, pode ampliar a demanda por prestamista?
Sim. O consignado privado amplia o acesso ao crédito, e o prestamista protege esse compromisso. Já atuamos em parcerias nesse segmento, com oferta integrada ao processo de crédito.

Qual é a ambição da MetLife para o produto em 2025, considerando crescimento mais moderado previsto pela CNseg?
Queremos crescer acima da média do setor, apoiados na diversificação e na força das parcerias digitais. Mesmo com ritmo menor, há espaço para aumentar a participação de mercado.

Além do prestamista, quais segmentos são estratégicos para diversificação?
Saúde e bem-estar, seguro de vida, plano odontológico e proteção para autônomos e MEIs. São públicos com baixa penetração, mas alta necessidade de cobertura.

Qual deve ser o papel do prestamista no portfólio da MetLife nos próximos cinco anos?
Será um dos pilares de crescimento da MetLife na América Latina e peça-chave da estratégia digital no Brasil, levando proteção a milhões de pessoas ainda sem seguro.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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