Com a entrada em vigor do novo marco legal de seguros em dezembro deste ano — que transforma profundamente a forma de negociação dos contratos, especialmente no segmento de riscos patrimoniais —, a WTW (Willis Towers Watson) acelera seus investimentos em capital humano no Brasil. A corretora tem reforçado sua equipe com nomes de peso do setor e aposta em uma abordagem cada vez mais consultiva para se antecipar às mudanças regulatórias e às novas demandas dos clientes.
“Todo nosso investimento em pessoas é resultado de uma escuta ativa dos clientes”, afirma Eduardo Takahashi, CEO da WTW no Brasil. “Estamos vendo uma concorrência mais intensa, com novos players, e os clientes pedem cada vez mais especialização, proximidade e uma visão estratégica sobre seus riscos.”
A estratégia da empresa envolve reposicionar a marca no mercado, fortalecendo áreas-chave com especialistas em setores como recursos naturais, energia, mineração, construção, infraestrutura e agronegócio. Só nos últimos meses, a WTW trouxe executivos como Felipe Barranco (affinity), Maike Bruckner (resseguros), Tatiana Altran (PEMA), Márcio Teixeira (head de Multinationals), Flávia Balbina (Multinationals) e Guilherme Bessa (Multinationals).
A companhia tem segmentado sua base de clientes e desenvolvido projetos sob medida, com foco em consultoria e gestão de riscos. “Já começamos a sentir o retorno desse esforço. O cliente valoriza e busca essa abordagem”, afirma Takahashi. A expectativa é de crescimento de dois dígitos em 2025, seguindo o ritmo do triênio anterior (2022–2024), quando a operação avançou 52%. “Estamos ganhando clientes antigos e novos com essa estratégia de capital humano que tem respaldo local, regional e global”, diz o executivo.
A mudança regulatória traz desafios e incertezas. “O mercado ainda está reticente, mas é essencial antecipar cenários”, afirma Fernando Kolling, diretor de Client Management, que depois de décadas na concorrente AON, se juntou a equipe WTW em dezembro passado. “Temos orientado os clientes a fornecer mais informações ao mercado e a construir compromissos de longo prazo. É uma fase de transição que exige parceria e profissionais que saibam traduzir as demandas dos clientes em soluções viáveis.”
A corretora também está ajudando clientes a pensar em planos de contingência diante da volatilidade política e econômica, como o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Há temas que estão fora do nosso controle, mas o que estiver ao nosso alcance será feito. Já temos clientes reavaliando operações, pensando em exportações, redirecionando produções ou ajustando apólices”, diz Takahashi.
Entre os temas mais sensíveis estão os riscos políticos e climáticos. A recente crise com restrições logísticas em portos e interrupção de exportações, por exemplo, acendeu alertas nos setores de alimentos e proteína. “Estamos falando de situações que não são necessariamente seguráveis, mas que exigem uma reavaliação completa da logística e das coberturas existentes”, diz Takahashi. O esclarecimento de que a tarifa é válida apenas para embarques pós anúncio, evitou muitas perdas com mercadorias que estavam no caminho dos EUA.
A WTW tem estrutura local e global dedicada à gestão de riscos climáticos, com especialistas como Álvaro Trilho, além de times que atuam com visão holística sobre riscos reputacionais, cibernéticos e financeiros. “Principalmente no risco climático, há formas alternativas de transferência, como instrumentos financeiros. Mas é fundamental ter o cliente junto no processo, defendendo e estruturando a gestão”, afirmam os executivos.
Com o novo marco legal à vista e um mercado cada vez mais exigente, a WTW aposta que a combinação entre escuta ativa, especialização e consultoria será decisiva para manter a liderança e crescer de forma sustentável no Brasil. “Mais do que apenas colocar seguros, a corretora busca provocar o cliente a pensar de forma mais ampla. Nosso papel é conectar os pontos — entender o que está acontecendo no mundo, o impacto na operação do cliente, e como construir soluções com as seguradoras e outros parceiros. Essa transição exige gente preparada, com bagagem técnica e capacidade de relacionamento”, finaliza o CEO da WTW.


















