Earnix: Por quê o setor de seguros se transforma em todo o mundo?

Um cenário tão difícil agora levanta mais questões do que respostas imediatas, afirma o autor do estudo que entrevistou mais de 400 profissionais

O velho ditado popular “todo desafio é uma oportunidade” cabe ao momento que o mercado mundial de seguros vive. As operadoras de todo o mundo enfrentam desafios sem precedentes que nem os próprios atores poderiam imaginar apenas alguns anos atrás, conclui estudo da Earnix “Insurance Operations in a Changing Industry” divulgado hoje (1/11/2023).

O que obriga a indústria de seguro a mudar? Incerteza econômica, cliente em constante evolução de expectativas, disrupções impulsionadas pela tecnologia, custos intensos e pressões competitivas e novas implicações regulatórias. Com todos estes desafios e um pouco mais não citado, as companhias de seguros de hoje estão enfrentando mudanças sem precedentes e questões reais sobre como responder a este novo cenário.

O objetivo do estudo, que entrevistou 400 representantes de seguros nos EUA, Europa, países nórdicos, Canadá e Austrália, foi buscar uma melhor compreensão das condições e dos fatores que moldam o futuro da indústria e ajudar as seguradoras a elaborar estratégias com mais informações que as ajudem a competir e vencer neste competitivo mercado que se formou com a entrada de novos players.

Uma das conclusões do estudo cita que a tecnologia trouxe um efeito adverso na lucratividade das seguradoras, forçando muitas demitir funcionários, sair de mercados potencialmente lucrativos ou mudar estratégias competitivas. Tudo isto realça a necessidade de ação imediata, principalmente a implementação de
tecnologia que vá além das já consolidadas API’s.

No passado, as seguradoras podiam se dar ao luxo da estabilidade, mantando o curso sem priorizar um ciclo de melhoria contínua e ainda atingir metas relacionadas a
crescimento, aquisição e retenção de clientes e participação de mercado. No entanto, um cenário tão difícil agora levanta mais questões do que respostas imediatas. As empresas que atuam na indústria de seguros devem desenvolver rapidamente e implementar novas estratégias, tanto para reagir a desafios no curto prazo, como também para se posicionarem para o sucesso futuro num ambiente de seguros tão novo.

De acordo com o estudo, embora os líderes se concentrem inevitavelmente em todos os aspectos do negócio – como estabilidade financeira, força de trabalho dinâmica e colaboração multifuncional – eles devem considerar também o papel que a tecnologia pode desempenhar. A habilidade de reagir rapidamente às mudanças requer uma forte abordagem tecnológica.

Tecnologia de seguros inovadora exige ação e investimentos não apenas para sobreviver às dinâmicas e desafios de hoje, mas prosperar no curto prazo – e além. Cerca de 71% dos entrevistados informaram a seguradora executou estratégias personalizadas e 48% acreditam que a segurança de dados foi e continuará a ser um grande obstáculo.

Dizer que o setor dos seguros está se transformando seria subestimar o impacto de tantas inovações e mudanças nas condições de mercado. As seguradoras hoje são confrontadas com mudanças vindas de uma só vez e de uma ampla gama de fatores.

“Quer estejam reagindo à inflação contínua e aos problemas da cadeia de abastecimento,
dinâmica pandêmica da força de trabalho, mudanças climáticas, novos e mais agressivos
concorrentes, indecisão sobre tecnologias emergentes – ou todas as opções acima –
as seguradoras se encontram agora num ponto de inflexão crucial”, escreve o autor.

Sete pontos destacados no estudo

  • Num ambiente em rápida mudança, os executivos de seguros devem priorizar cada vez mais sua atenção por muitas áreas operacionais para aproveitar eficazmente a força e a velocidade da mudança
  • 35% dos executivos C-suite acreditam que os fatores macroeconômicos (por exemplo,
    inflação, risco de recessão, aumento das taxas de juros e baixo crescimento do PIB)
    são as tendências mais significativas que impulsionam a mudança.
  • Muitas seguradoras relatam que outras tendências, como a ameaça de
    os ataques cibernéticos e as alterações climáticas, também são fatores determinantes na estratégia para manter o lucro e o crescimento das vendas.
  • A dinâmica da força de trabalho pós-pandemia provavelmente veio para ficar. Isso vai
    forçar as seguradoras a repensar as políticas de trabalho remoto e as formas de permitir
    que os funcionários se concentrem em um trabalho mais envolvente e estratégico em sua busca para atrair e reter os melhores talentos.
  • As seguradoras agora estão focadas em priorizar a lucratividade em vez de crescimento, especialmente quando se trata de promover a inovação nas suas empresas. No entanto, muitos executivos relatam que a sua atual infraestrutura de TI representa o maior obstáculo à inovação.
  • A personalização continua a ser uma clara prioridade para os líderes de seguros,
    embora apenas 7% digam que executaram integralmente os planos da sua empresa
    na estratégia de personalização.
  • Tecnologias emergentes, como inteligência artificial e robôs são cruciais para implementar modelagem preditiva, dinâmica preços e outros casos de uso críticos.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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