Hoje é o dia da Amazônia

Para comemorar o Dia da Amazonia, vou compartilhar aqui uma entrevista muito interessante que li no site Sustentabilidade Allianz. Vale a pena a leitura. O professor e pesquisador brasileiro Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás (UFG), comentou um artigo publicado na edição da Science, que mede o impacto da perda de habitat nas espécies nativas. O bom é saber que ainda há tempo para reverter esse quadro. “Temos tempo para agi, mas não podemos esperar mais”, diz Rangel.

Segue o texto publicado pela Allianz, escrito por Carolina Pasquali. A newsletter pode ser acessada no linl http://sustentabilidade.allianz.com.br/?2006%2Fuma-janela-para-salvar-varias-especies-da-extincao

Como o “débito de extinção” foi calculado na Amazônia?

É importante frisar que o desaparecimento de espécies de um determinado lugar não ocorre imediatamente após esse lugar sofrer um impacto. Ao total de espécies já condenada ao desaparecimento por impactos do passado, dá-se o nome de débito de extinção, que na Amazônia foi calculado para centenas de regiões com 2.500 quilômetros quadrados (50 km x 50 km).
Para cada uma dessas regiões, foram usados dados de distribuição de espécies de aves, mamíferos e anfíbios para contabilizar quantas espécies naturalmente ocorriam naquela região antes de haver qualquer impacto. Depois, subtraiu-se a área da região que já foi desmatada (desde 1970 até 2010) e que, estima-se, será desmatada até 2030, 2040 e 2050. Em função dessa perda de floresta por desmatamento é possível estimar quanto do total de espécies naturais de cada região se perderia. A diferença entre o número de espécies que atualmente existe e o número de espécies esperado em função da proporção de floresta intacta é o débito de extinção.

Você propõe um “calote” no débito de extinção. Como isso se daria?

Existem diversas maneiras de evitar com que este débito (ou dívida) seja efetivamente pago, ou seja, que as espécies eventualmente venham a desaparecer da região em função de desmatamento já ocorrido. Por exemplo, pode-se investir em regeneração da floresta em áreas com débito de extinção mais grave. Regeneração da floresta costuma apresentar resultados em algumas décadas, mas por vezes é o suficiente para evitar que algumas espécies realmente desapareçam da região. Além disso, pode-se investir em medidas que favoreçam a recuperação da biota de uma área por efeito de resgate. Por exemplo, a recuperação de áreas degradadas é muito mais dinâmica se houver corredores que as liguem a áreas preservadas. Daí a importância de pensarmos não em unidades de conservação isoladas, mas em redes de unidades de conservação que se complementem.

O ritmo de devastação na Amazônia tem caído nos últimos anos. Independentemente disso, o débito de extinção acontece? Como freá-lo?

Se nenhuma nova árvore for derrubada na Amazônia, mas nada mais além disso for feito, o débito de extinção acumulado desde a década de 70 será eventualmente pago. Ou seja, espécies vão acabar desaparecendo de parte da área que anteriormente ocupavam. Para evitar que o débito continue acumulando, é preciso seguir diminuindo o ritmo de desmatamento na Amazônia. Além disso, é preciso que haja um melhor planejamento/zoneamento da Amazônia para evitar que regiões com maior biodiversidade estejam vulneráveis à expansão da fronteira agrícola. Preservar uma região de alta biodiversidade é evitar que o débito de extinção siga em ritmo galopante.

Como a sua pesquisa pode contribuir para a preservação da Amazônia?

A indicação de regiões onde há maior risco de perda de espécies, em função de desmatamento que já aconteceu ou é iminente, serve de indicador para a tomada de decisão sobre políticas de estratégia de conservação. Quanto mais informação houver, e quanto mais bem delineada for a estratégia de conservação, mais bem alocados serão os escassos recursos para preservação que dispomos para a Amazônia.

Como o desmatamento na Amazônia é “recente”, em quais casos já ultrapassamos o tempo do débito de extinção?

Até agora há muito poucos relatos de espécies que desapareceram de regiões onde anteriormente estavam presentes (extinção local). Como você bem disse, o desmatamento na Amazônia é muito recente e, portanto, esse débito ainda não começou a ser pago. A cada nova extinção local, esse débito vai sendo pago. A cada nova árvore no chão, esse débito vai aumentando. A cada nova árvore plantada, cada hectare regenerado, esse débito vai diminuindo.

Ainda estamos em tempo de reverter o quadro – ou de dar “calote”?

Difícil dizer. Em algumas áreas já ocorreram algumas extinções. Existe uma grande falta de informação a respeito de extinções, pois em geral a confirmação demanda estudo de muito longo prazo. Entretanto, o quadro geral é otimista para boa parte da Amazônia, pois ainda seria possível dar o calote na maior parte da dívida, na maior parte da Amazônia. Eventualmente parte da dívida terá de ser paga. Mais importante é evitar que ela continue aumentando…

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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