Jose Manuel Fonseca é um desses executivos que nasceu para liderar times. Sempre disponível para qualquer pessoa que o solicita. Seja para tirar uma foto, para analisar uma aquisição ou para compor um grupo “think tank” dedicado a contribuir com estratégias para o futuro do setor de seguros. E em todos os casos, com o sorriso largo e toda a vontade do mundo para agregar valor. Tal característica o fez CEO da MDS Group e da Brokerslink, empresas que atuam globalmente e tem a missão de buscar soluções para os problemas enfrentados por gestores de riscos.
“Cada mercado enfrenta um desafio”, diz ele. No Brasil, por exemplo, o que tem tirado o sono dos corretores é achar capital para o resseguro para o agronegócio depois de perdas relevantes em 2021 e no primeiro trimestre de 2022. Venezuela, para sequestros. Estados Unidos para catástrofes naturais e Europa, inundação. Já a falta de capacidade e condições muito mais restritas para o seguro cibernético é geral. “As condições para este seguro pioraram muito. De um lado, as empresas precisam da cobertura diante do cenário de risco. De outro, as re/seguradoras revendo o produto diante das perdas agravadas com a exposição das empresas, que ficaram mais expostas com o homeoffice”, comenta.
Ele pontua que é preciso pensar no longo prazo. “Tivemos uma crise sanitária que trouxe muitos problemas além do sofrimento humano. As empresas enfrentaram dificuldades com a interrupção de negócios, da cadeia produtiva, de abastecimento, de transporte. Problemas de toda ordem perturbaram o comércio mundial. E além de tudo isso, a explosão dos ataques cibernéticos, com sinistralidade elevada. Agora há uma retração do mercado para pensar em alternativas de estabilizar a carteira. Assim como o conflito da Rússia com Ucrânia traz impactos para os seguros, principalmente para o setor aéreo”, explica.
Trata-se de um momento único, segundo ele, para consultores em riscos como temos na Brokerslink a ajudarem os corretores a exercerem seus papéis dentro da sociedade. A Brokerslink foi fundada em 2004, como uma rede informal de quatro corretoras independentes. A ideia era facilitar a colocação de risco dos clientes da MDS além de Portugal, onde é líder de mercado, Brasil, Angola, Mocambique, Espanha, Malta e Suíca. Hoje, a Brokerslink é uma das maiores organizações globais de corretores e serviços de consultoria de risco, presente em 126 países e integra cerca de 35 mil profissionais.
“Nosso papel e criar soluções para que os corretores tenham sabedoria para lidar com as novas tendências e ajudá-los nas alternativas existentes em nossa rede internacional. O grupo MDS está presente em 7 países. A Brokerslink em 126. Temos no grupo especialistas em praticamente todos os riscos. E como vê aqui neste evento, o clima é de companheirismo. Temos diversidade, somos proativos e evitamos burocracias. Todos querem se ajudar e é isso que cria valor para todos e nos faz crescer mesmo durante uma pandemia”, explica.
O evento confirma a importância da rede global. A cada ano, a Brokerslink Conferência reúne um número maior de participantes oriundos de várias partes do mundo, incluindo corretores de varejo, companhias especializadas e players de resseguros, além de empresas de consultoria de risco e gerentes de risco. Nesta edição, são 360 participantes, de 71 países, com 36 palestrantes, 40 gestores de riscos e 28 patrocinadores, citou em sua palestra pela manhã no Brokerslink Conference, que acontece entre 25 e 27 de maio, em Porto, Portugal.
Fonseca afirma que 2022 será novamente um ano bom para MDS e Brokerslink. “Temos uma conjuntura mundial complexa por tudo que já citei e ainda mais a inflação, que impacta a todos. Traz instabilidade para os países e tem um impacto grande na população. E o papel do setor de seguros é dar um colchão de estabilidade para as economias e assim evitar que uma tragédia não se agrave”, cita.
Como CEO da MDS, ele diz que o grupo está sempre interessado em juntar equipes e empresas que agreguem valor ao grupo. No Brasil, foram duas aquisições em 2021, QHConsult e Tovese, e em 2022 foi a vez da CredRisk. Na Brokerslink, entre 2022 e 2022, 35 novos membros ingressaram na rede. “O que agrega e nos tornar melhores para crescer será analisado”.
2022 também significa mudanças para MDS e Brokerslink. Em dezembro de 2021, a Sonae vendeu a totalidade do capital que detinha na MDS Group ao grupo de corretagem britânico The Ardonagh Group, por cerca de 100 milhões de euros. Boa parte das autorizações regulatórias já foram obtidas, o que sinaliza a pressupõe a conclusão do contrato para o primeiro semestre deste ano.
De acordo com o comunicado enviado à CVM portuguesa no momento do anúncio da aquisição, “a MDS continuará em plenas funções, dotada de novos recursos e capital, bem como dando continuidade aos planos de crescimento orgânico e inorgânico, os quais se traduzirão em claros benefícios para os seus principais ‘stakeholders”.
O The Ardonagh Group emprega cerca de 8 mil pessoas nos seus mais de 100 escritórios, o que o coloca no ranking dos 20 principais corretores de seguros no mundo, com receitas superiores a US$ 1,5 mil milhão. Após a conclusão, será acionista único do grupo MDS.
David Ross, CEO do The Ardonagh Group, disse em recente entrevista a revista Full Cover, que “a MDS é uma parte absolutamente essencial em nossa estratégia internacional. O grupo tem 38 anos de experiência, com Jose Manuel Fonseca como líder do grupo há mais de 20 anos. Isso significa muito para nós. Temos quase US$ 14 bilhões em gestão de prêmios de seguros e mais de 5 milhões de clientes. Com a MDS, somos 10 milhões de pessoas”.


















