Covid-19 testa seguradoras, que respondem com tecnologia e técnica

Obviamente é um setor tradicional. Afinal, administra reservas de clientes. Mas longe de ser obsoleto

Há duas semanas acompanho de perto o clima de guerra das seguradoras para protegerem funcionários, clientes, corretores, prestadores e os acionistas. E o que posso dizer até o momento é que sinto muito orgulho do que vejo, ouço e leio. O Covid-19 veio mostrar o trabalho das seguradoras nos últimos três anos para modernizar o setor.

Quem não trabalha ou acompanha o dia a dia do setor, cai na armadilha de dizer que o setor é obsoleto. Certamente há muito o que aprimorar, mas muito já foi feito, como nos mostra o atual quadro de 90% das companhias trabalhando remotamente. Obviamente é um setor tradicional. Afinal, administra reservas de clientes. Assume riscos hoje para honrar o compromisso de pagar indenizações no futuro, caso os acidentes previstos se concretizem.

Várias matérias internacionais projetam perdas expressivas para a economia com o Covid-19, como 275 bilhões de libras esterlinas em seguro viagem, 251 bilhões de dólares em prejuízos para seguros empresarias nos EUA, e 383 bilhões por mês em interrupções de negócios para as pequenas empresas ao redor do mundo.

Tanto que as agências de classificação de risco já colocaram os mercados da América Latina em perspectiva negativa. Muitas indenizações devem ser pagas e outras tantas recusadas para manter a solvência das seguradoras. Em Londres e Estados Unidos também.

Cientes disso, as agências de regulação dos EUA já começam a se movimentar para alivar os impactos como também monitorar e contribuir para colocar em pratica algumas ideias inovadores que podem surgir. Afinal, o mundo está mais ágil na solução de problemas. Uma rotina imposta pelas startups, que começam a se organizar com as normas divulgadas pela Susep recentemente.

O setor de seguros faz parte do mercado financeiro, aposta em riscos, mas é muito diferente daqueles que apostam em bolsa ou que ganham com taxas de serviços ou juros financeiros. Para cliente de bolsas e bancos, o prejuízo é praticamente certo. Já em seguros, o apoio vem sendo dado. O setor tem como premissa honrar os contratos assinados para ter ajuda na hora do aperto. Isso que sempre me orgulhou em cobrir esse segmento. Estar ao lado do cliente em seu pior momento. Como no programa de seguros dos Jogos Olimpíadas do Japão.

Praticamente todas as seguradoras conseguiram colocar seus funcionários e parceiros em segurança ao promoverem o homeoffice para manter atendimento e vendas à distancia diante do isolamento social solicitado pelo Ministério da Saúde. E haja tecnologia para que isso seja possível. Várias matérias publicadas no blog detalham as iniciativas.

Como se não bastasse, várias seguradoras vieram a público afirmar que vão indenizar clientes no ramo vida, mesmo que nas apólices constem exclusões para epidemias/pandemias, como: MAG Seguros, Previsul, Sura e MetLife, Liberty Seguros, Mapfre, Chubb, BB Seguros, Zurich Santander, Itaú , Mitsui, Tokio Marine, Porto Seguro, entre outras. O Itaú ainda estuda o tema, apesar de inicialmente ter afirmado para a revista Exame que cobriria.

Certamente o futuro nos mostrará uma série de problemas, como antecipou Marcio Coriolano, presidente da CNSeg. Em todos os setores. Em todos os países. E o mercado segurador seguirá seu ritmo e sua história, ao apoiar clientes em momentos de grandes dificuldades.

Parabéns a todos que trabalham neste setor, que vende proteções essenciais para dias ruins, reduzindo os impactos econômicos para a sociedade.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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