Apólice eletrônica entra no ar até março, segundo Susep

O presidente da CNSeg, Marcio Coriolano, alerta que é preciso ”um debate mais aprofundado para evitar que medidas regulatórias possam ser adotadas de forma não produtiva, que podem ter partido de premissas que merecem ser aprofundadas”

Durante evento promovido ontem no Rio de Janeiro, a titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira, defendeu medidas para aumentar concorrência e ampliar uso de tecnologia, segundo divulgou nesta quinta-feira o Valor. O mercado de seguros no Brasil ainda é concentrado e tem baixo uso de tecnologia, o que diminui sua transparência, comentou Solange.

Oficialmente chamada de Sistema de Registro de Operações (SRO), a apólice eletrônica visa dar à autarquia e consumidores o acesso aos seus contratos de forma digital. O objetivo é reduzir o custo de observância, modernizar a captação de dados do setor e diminuir o risco de fraudes. “As plataformas tecnológicas terão de ser alteradas. Temos de discutir como fazer”, afirmou, durante abertura de workshop sobre registro das operações, na Susep. “Temos que correr atrás do tempo que passou. Nessa corrida sobrevivem os melhores e espero que sobrevivamos todos”, registra o Valor.

“A implementação de uma base tecnológica inicialmente é cara. A mudança de plataforma tem um custo inicial e se você não é pressionado pela concorrência é natural que se acomode. Por isso, acho tão importante incentivar a concorrência, criar o mecanismo de sandbox e segmentação para que novas empresas surjam nos mercados e que pressionem as grandes seguradoras a buscar uma mudança no modo de negócios que elas têm hoje.” 

Outro ponto defendido pela economista da Susep é uma menor desintermediação do setor, com a contratação de seguros via corretor de forma voluntária. A MP Verde e Amarela altera a regulação dos corretores, lembra. Em relação a esse tema, um post no Instagram de Dorival dos Santos, da Fenacor, os corretores de seguros vão invadir o Congresso Nacional no dia 11, quando haverá audiência publica na comissão especial da MP 905. 

“Queremos um debate mais aprofundado para evitar que medidas regulatórias possam ser adotadas de forma não produtiva, que podem ter partido de premissas que merecem ser aprofundadas”, disse Coriolano

O presidente da CNSeg, Marcio Coriolano, alerta que é preciso ”um debate mais aprofundado para evitar que medidas regulatórias possam ser adotadas de forma não produtiva, que podem ter partido de premissas que merecem ser aprofundadas”. Para ele, uma referência usada globalmente para aferir a concentração é o índice Herfindahl-Hirschman, que é de 9,7% para o ramo de automóveis no Brasil e de 6,4% nos Estados Unidos – valores abaixo de 25% apontam baixa concentração. No segmento de ramos elementares, o indicador no Brasil é de 5,4% e no Chile, de 8,2%.

Coriolano também defende que a concorrência aumentou nos últimos anos, com a entrada de novos participantes, inclusive Caixa e BB, além de acordos extra societários. “Queremos um debate mais aprofundado para evitar que medidas regulatórias possam ser adotadas de forma não produtiva, que podem ter partido de premissas que merecem ser aprofundadas”, disse. Para ele, não há falta de transparência de informações, mas incapacidade da Susep de trabalhar e divulgar os dados que recebe. O regulador diz que tem investido em tecnologia e elevou a área a um status de diretoria.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

1 COMENTÁRIO

  1. Na minha opniao seguro tem que ser comercializado através de Corretor de Seguros habilitado, pois o comprador de seguro é leigo no assunto ou deixaria de informar o perfil correto no caso de contratar um seguro de automóvel e no caso Ramos elementares estar contratando a cobertura correta para seu patrimônio e auxiliar o cliente em um eventual sinistro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS