Brasil pode se tornar hub de insurtech na América Latina com sandbox, diz advogado

O comunicado conjunto da Secretaria Especial de Fazenda do Ministério da Economia, do Banco Central do Brasil, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep) sobre a intenção de implantar um modelo de sandbox regulatório no Brasil foi considerado um marco importante para a regulação financeira no Brasil. 

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“A ação coordenada fortalecerá laços de cooperação entre os reguladores, e permitirá o compartilhamento de experiências e aprendizado, o que amplia as chances de sucesso na implantação desse instrumento regulatório”, afirma Vitor Xavier, sócio do escritório Ernesto Tzirulnik Advogados. Segundo ele, é importante lembrar que no mundo existe hoje uma competição regulatória pela estruturação de modelos e estratégias de regulação das empresas que, ao aplicarem tecnologias inovadoras, promovem a disrupção na prestação de serviços financeiros. “Nesse contexto, os reguladores não devem abrir mão das contribuições fundamentais das entidades da sociedade civil, sobretudo as ONGs de consumidores para o aprimoramento da ferramenta”, acrescenta.

andre gregori thinkseg
“Com toda a certeza irá beneficiar o usuário que é o que interessa”, comenta André Gregori, CEO do grupo Thinkseg

“Mais do que o sandbox em si, que é uma forma usada em alguns países pelas autoridades regulatórias, tanto do ramo financeiro quanto de seguros, como o exemplo da Hong Kong Insurtech Sandbox, o motivo de comemoração da atual gestão da Susep é o pensamento liberal de fomentar inovação e competitividade. Isso, com toda a certeza irá beneficiar o usuário que é o que interessa”, comenta André Gregori, CEO do grupo Thinkseg.

Para Xavier, o Brasil, ao buscar um regime de sandbox regulatório, pode criar um ambiente propício à criação de novas fintechs e insurtechs, endereçando soluções a gargalos históricos e fomentando o aumento da competição interna. O país, pode assim, consolidar-se como um hub regional, atraindo o capital criativo e inovador de outros países da região que ainda não tenham estruturado um modelo de regulação eficiente, no sentido de atender à demanda de proteção de consumidores e equilíbrio sistêmico sem, contudo, represar a força empreendedora e inovadora.

Em relação ao setor de seguros, o advogado do escritório de Ernesto Tzirulnik, comenta que a carência de um marco normativo adequado, específico sobre o funcionamento básico dos contratos de seguro, poderá dificultar o florescer das Insurtechs dedicadas à subscrição – mais uma razão da aprovação do PLC n. 29/2017 pelo Senado Federal.

No Reino Unido, pioneiro e fonte de inspiração em matéria de sandbox regulatória, o desenvolvimento do Project Innovation, que tem como marco a edição do paper Regulatory Sandbox em setembro de 2015, foi naturalmente antecedido pela promulgação do Insurance Act, em fevereiro de 2015, que é a Lei de Contrato de Seguro do Reino Unido. É importante ter em conta que o avanço em matéria regulatória não pode prescindir de alterações legislativas, considera Xavier.

O presidente da Associação das Insurtechs e da startup Kakau, Henrique Volpi, comemorou a iniciativa. “Grande passo que Susep da em apoio à inovação”, disse ele ao blog Sonho Seguro. “O sandbox já está sendo utilizado com muito sucesso na Gra-Bretanha e Cingapura entre muitos outros. O resultado prático é a inclusão de novas teconologias e modelos de negócio favorecendo a inclusão de novos consumidores e empresas na economia. Grande dia para todos nós”.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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