Allianz faz corte e se aproxima da lucratividade após anos de perdas

O grupo Allianz fez uma grande demissão nesta semana. Cerca de 100 funcionários de diversas áreas foram desligados sem muitas explicações, segundo um grupo que pediu anonimato. Procurada, a seguradora enviou a seguinte nota: “A Allianz Seguros informa que os desligamentos realizados fazem parte de ajustes necessários em sua estrutura para garantir os níveis de produtividade adequados à realidade atual, assegurando seu desenvolvimento sustentável no Brasil. As mudanças realizadas não vão impactar o nível de excelência no atendimento aos corretores e segurados, que, como sempre, podem contar integralmente com a Allianz.”

Segundo alguns funcionários demitidos, a seguradora fez um ajuste de sua equipe numa tentativa de voltar a ser rentável, após dois anos amargando prejuízos desde 2014. No primeiro quadrimestre deste ano a Allianz registrou prejuízo de R$ 419 mil, um resultado muito melhor do que os R$ 29,8 milhões registrados em mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), analisados pela consultoria Siscorp, divulgados ontem.

A Allianz não está sozinha neste quesito. A busca por maior rentabilidade e também a redução de custo obtida pela robotização de processos de backoffice tem eliminado empregos em todo o mundo. Pesquisas internacionais citam o mercado segurador como o quarto setor mais afetado pela robotização. Os operadores de telemarketing ocupam a primeira posição, revelou uma pesquisa de Oxford publicada em 2017, após analisar 702 profissões envolvidas com o crescimento da robotização.

Outro  número muito citado em matérias internacionais é de que entre 2015 e 2025 algumas seguradoras da Europa Ocidental cortarão até um quarto de sua equipe à medida que a automação atingir um grau elevado de amadurecimento.

Nos Estados Unidos, segundo estudo da Deloitte, nos próximos 10 anos a automação deverá eliminar 22,7 milhões de funções e criar 13,6 milhões de novos empregos na economia americana, resultando em uma perda líquida de 9,1 milhões de empreg os, o que significa 7%. Uma parcela significativa desse impacto seria sentida em toda a indústria de seguros, já que 51% das tarefas financeiras estão projetadas para serem transformadas pela automação até 2019.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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