Wrisk, uma insurtech que entendeu os novos hábitos de consumo

O seguro é uma ótima ideia … mas não acompanhou a sociedade. Estamos fazendo uma atualização digital neste setor.  Assim a Wrisk, uma insurtech que tem como parceiros pesos pesados da indústria como Munich Re e Hiscox, além da BMW, se apresenta aos stakeholders. Já captou 6,7 milhões de libras esterlinas desde sua fundação em 2016, sendo 3 milhões em novembro de 2017 com fundos de capital de risco, investidores anjos e seguradoras.

No final de 2017, a  startup obteve autorização da Financial Conduct Authority (FCA) para operar.  Prevê para este semestre de 2018 uma nova nova tranche de investimentos para entrar em outras linhas de negócios e implementar a estratégia omni-channel.

Veja o vídeo.

A Wrisk atua como uma agência, vendendo em nome de grandes companhias no Reino Unido. É possível fazer o seguro do fone sem fim do iPhone, da câmera fotográfica, da mobilia, da bicicleta e tantos outros pertences pessoais que amamos. O modelo de agência, conhecido como Managing General Agent (MGA), ou agente gerencial geral, é um dos mais usados no setor de seguros. Tal como acontece com todos os MGAs, os passivos de seguros permanecem no balanço de seus parceiros de seguros e, como tal, a própria receita da Wrisk virá da comissão por transação, paga pelos seus parceiros seguradores; comissão de lucros, calculada anualmente e paga à Wrisk pelos seus parceiros seguradores; taxas de licença para o uso do Wrisk nos territórios onde um modelo MGA não é apropriado.

Além dessas fontes tradicionais de receita, a insurtech informa que o plano de negócio também inclui a exploração de fontes adicionais, como taxas de referência em relação a produtos não seguros, e possivelmente até licenciamento do Wrisk Score como uma ferramenta de classificação por procuração para seguradoras em países onde os dados de rating tradicionais são mais escasso.

A proposta é ser tão simples que as pessoas vão até achar que não é seguro. Mas é. O grupo afirma que agir como uma startup de tecnologia não significa abrir mão das regulamentações, essenciais e necessárias, para proteger o segurado e também o mercado. “Sabemos que o seguro é um negócio sério, complexo e altamente regulado”, avisa.  Com tal filosofia, o regulador FCA aprovou o modelo de negócios. No final do ano passado, a Wrisk foi formalmente admitida para fazer parte do “sandbox” (caixa de areia) da FCA, um programa que permite que as empresas testem produtos inovadores, serviços, modelos de negócios e mecanismos de entrega no mercado real, com consumidores reais.

A Wrisk afirma que quer ter um papel mais importante no setor do que apenas vender seguro. Quer ensinar as pessoas a administrarem e entenderem seus próprios riscos. O aplicativo usa técnicas atuariais avançadas, conhecido como Wrisk Score, que cria uma pontuação de crédito para risco pessoal, permitindo um preço personalizado e calculado de forma mais transparente.

Sem irritar o cliente, o aplicativo coleta dados da tecnologia conectada, faz a análise dos riscos que podem ser cobertos para não afetar o patrimônio já construído e dá a eles um resumo do estudo para que possam avaliar e tomar suas decisões. Segundo a insurtech, as possibilidades são infinitas e os benefícios para os clientes são transformacionais. Um mau risco, por exemplo, se conscientiza de seus hábitos e pode mudar de atitude para obter uma pontuação melhor, o que, consequentemente, acarretará em um custo menor das proteções financeiras que deseja ter para proteger a vida e os bens.

O grupo acredita que as pessoas já estão preparadas para priorizar a compra de garantias ofertadas pelas seguradoras, uma vez que grande parte já usa aplicativos para gerenciar de orçamentos financeiros a dados de saúde, como práticas esportivas, dietas e exames médicos.

A insurtech também quer conquistar um público que não tem seguro, além daqueles que tem, porém querem algo mais inovador e adequado. Cita que atualmente 61% das pessoas que alugam residências não compram seguros. 31% dos millennials que viajam nunca compram cobertura de viagem. 30% dos millennials que dirigem não são os principais segurados. “Toda uma geração parece desconfiar dos seguros, mas não ter seguro os deixa vulneráveis em situações de emergência”, ressalta em sua apresentação a investidores e ao mercado.

O plano de negócios da insurtech sinaliza que a  seguradora que conseguir abandonar o discurso de que o cliente é “desinformado sobre o setor” e dar a ele um modo fácil e acessível de comprar bons produtos, vai ter grande sucesso. “Esforce-se para ser ético e justo. Construa e mantenha um diálogo aberto e responsivo. Concentre-se nas pessoas, não nas políticas”, afirma a insurtech Wrisk. “Ao envolver as pessoas através de seus telefones e fornecer cobertura holística, a Wrisk tornará tão fácil quanto possível a compra de seguro pelo maior número possível de pessoas que necessitam de proteção”, afirma.

Além disso, priorizar a conveniência e uma nova abordagem à transparência tem o potencial de engajar novos clientes – dando início a um novo mercado de massa para seguros, sentencia a empresa.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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