Análise do setor, por Lauro Farias

Fonte: CNseg

Artigo escrito por Lauro Faria
Economista da Escola Nacional de Seguros

No período de janeiro a novembro de 2016, o faturamento do mercado de seguros regulado pela Susep atingiu R$ 210,8 bilhões, 8,3% acima do ocorrido no mesmo período de 2015. Descontada a inflação do IPCA, a variação foi negativa em 0,6%. A taxa é preocupante, mas ainda assim menor que os 3,5% de queda esperada para o Produto Interno Bruto em 2016 e melhor do que o desempenho dos setores de atividades econômicas com impacto no setor de seguros, como os de produção e vendas de automóveis, produção de bens de consumo duráveis, vendas no comércio de varejo, entre outros.

Mais preocupante talvez seja o fato de que tal resultado foi fortemente influenciado pela alta da arrecadação de produtos de um único grupo: os planos de previdência privada, cujas contribuições cresceram 17,9% (8,1% em termos reais), incluindo uma expansão de 20,8% na modalidade VGBL. Os demais grupos tiveram desempenho oposto: os prêmios diretos dos produtos de risco do grupo de seguros de pessoas subiram apenas 4,5% em termos nominais (portanto, queda real de 4,1%), e os prê- mios diretos do grupo de seguros gerais praticamente não cresceram quando comparados com 2015 (queda real de 7,9%).

Dentro desse grupo, chamam atenção as variações negativas dos prêmios de seguro de automóveis (queda real de 10,7%) e do seguro patrimonial (queda real de 8,1%). Quanto às empresas de capitalização, suas receitas caíram 2,4% em 2016 contra 2015 em termos nominais, portanto, redução real de 10,4%.

No conjunto das seguradoras, além do controle da sinistralidade e das despesas comerciais, fundamentais em épocas de vacas magras, vale notar o crescimento abaixo da inflação das despesas administrativas (+5,1% entre jan./nov. de 2015 e jan./ nov. de 2016). Porém, dado o fraco desempenho dos resultados financeiros e patrimoniais, o lucro líquido do setor caiu fortemente em termos reais (-16,4%), de modo que a rentabilidade do patrimônio líquido se reduziu de 24,6% em jan./nov.2015 para 22,2% em jan./nov. 2016. Chamamos atenção, entretanto, para o fato de que, devido à forte assimetria do mercado em termos de tamanhos das empresas, tal resultado reflete mais intensamente o verificado nas grandes empresas em comparação com as pequenas e médias.

Captura de Tela 2017-01-18 às 13.17.06Para 2017, apesar do pessimismo generalizado, esperam-se duas alterações positivas em tendências que se manifestam desde 2015. Primeiro, existe expectativa de algum crescimento do PIB (+0,5% conforme o Boletim Focus), depois de inéditos dois anos de recessão de 3,5% ao ano. Segundo, a inflação está retornando rapidamente ao centrodameta,de tal modo que o citado Boletim apurou expectativa de alta do IPCA de apenas 4,8% em 2017 (lembremos que em 2015 a taxa fechou o ano em 10,7%).

Ora, diversos estudos já apontaram correlações significativas no passado entre desinflação e crescimento do PIB, de um lado, e emissão de prêmios de seguros, de outro. Tal não tem por que ser diferente em 2017 e, particularmente, se a projetada melhora do ambiente macroeconômico for acompanhada por aperfeiçoamentos no interior do próprio mercado de seguros.

A esse respeito, cabe notar algumas iniciativas positivas, como a regulamentação do Seguro de Vida Universal, um seguro de vida em que o consumidor pode receber de volta parte dos prêmios pagos no fim da vigência da apólice no caso de não ocorrência do sinistro, e a mudança na resolução que regulamenta o Seguro Auto Popular, ampliando a possibilidade de uso de peças para reparo dos carros acidentados. Também continua vasto o espaço de crescimento da previdência complementar aberta no Brasil, em função da permanência de fatores de risco como o envelhecimento da população e a crise da Previdência oficial.

Outros setores com boa perspectiva incluem o de seguro rural, que teve incremento de 10,1% em 2016 e pode crescer ainda mais este ano devido à projeção de safras recordes, o Vida Universal e o Seguro Popular de Automóveis. A tramitação da nova Lei de Licitações e Garantias também pode propiciar um bom desempenho para o Seguro Garantia de Obras.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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