Ambiente econômico abre perspectivas melhores para o mercado segurador em 2017

Fonte: CNseg

A redução dos juros, a retomada da confiança na economia brasileira e a pauta de reformas estruturais que vem sendo levada adiante pelo governo abrem boas perspectivas para o mercado segurador em 2017. A avaliação foi feita pelo presidente da CNseg, Marcio Serôa de Araujo Coriolano, em entrevista ao boletim Carta do Seguro. Segundo ele, o setor deve obter este ano um crescimento um pouco maior que o do ano passado, quando apresentou expansão, apesar da crise econômica.

1. O processo de redução da taxa de juros pelo Banco Central é positivo? Como ele impacta o desempenho da economia como um todo e o setor de seguros em particular, sobretudo do ponto de vista do consumidor?

Vejo esse processo com muito bons olhos, por propiciar um começo de retomada do crescimento, o que permitirá, num segundo momento, tirar o país da crise. A queda dos juros é positiva tanto para as empresas quanto para os brasileiros em geral, que terão um alívio financeiro e poderão voltar a consumir com mais desenvoltura. No caso do setor segurador, não há como não acreditar que a redução dos juros vai impulsionar o nosso mercado, pois as pessoas terão maior disponibilidade financeira para investir em seguros. Enfim, é uma medida que gera otimismo em toda a economia.

2. Quais as perspectivas do mercado segurador para 2017?

No ano passado, apesar da situação muito desfavorável, o setor conseguiu crescer em termos reais. Agora, com um cenário que começa a se desanuviar por conta de uma política econômica mais realista e consis- tente, as perspectivas são obviamente melhores. Para 2017, prevemos um crescimento consolidado entre 9% e 11%, ante uma inflação prevista abaixo de 5%. Mas esse desempenho dependerá dos avanços no país em termos de fundamentos, reformas básicas e recuperação econômica.

3. O avanço das reformas, como a trabalhista e a previdenciária, pode ser um impulso adicional para o crescimento da economia?

Essas reformas são fundamentais para a retomada do desenvolvimento e para um crescimento sustentado a partir de agora. Evidentemente, à medida que o governo consiga encaminhar essas propostas e aprová-las no âmbito do Congresso, os agentes econômicos terão mais confiança e segurança para investir. A aprovação da PEC do teto dos gastos já foi um avanço fundamental nesse sentido, por sinalizar o enorme compromisso do governo com a responsabilidade social e com a guinada necessária na política econômica. O importante é acompanhar a tendência.

4. As estimativas para o desempenho do mercado segurador em 2016 indicam uma expansão de 9%, portanto acima da inflação do ano passado, que cou em 6,29%. A que atribui esse desempenho?

Em 2016, o setor supervisionado pela Susep registrou uma trajetória consistentemente ascendente: 5,7% até maio, 6,5% até julho, 7,2% até setembro e 8,2% até novembro. No caso do segmento de saúde privada, supervisionado pela ANS, o crescimento até setembro chegou a 12,2% em relação ao mesmo período de 2015. Como um todo, o mercado de seguros arrecadou R$ 291,5 bilhões. Esses números demonstram o dinamismo do nosso setor e a sua capacidade de crescer mesmo em um ambiente econômico francamente desfavorável.

5. Quais ramos do setor de seguros o senhor destacaria em termos de desempenho?

O seguro de vida individual cresceu 28,4% até novembro, com receita de R$ 6 bilhões. Outro setor de destaque foi o de planos de previdência VGBL, com expansão de 20,8% e receita de R$ 90,4 bilhões. Seguro rural e seguro habitacional também tiveram bons desempenhos, ambos com incremento de 10,1%. Por outro lado, alguns segmentos sofreram queda, principalmente os de riscos de engenharia (-25,2%), seguro de garantia estendida (-9,7%) e capitalização (-3,5%). O ramo de seguro de automóveis, um dos mais importantes para o setor, apresentou decréscimo de 2,7% até novembro. A tendência óbvia foi de retração desse mercado.

6. No ano passado, a Susep aprovou a venda de dois produtos que vinham sendo muito aguardados pelo mercado: o Seguro Auto Popular e o Universal Life. Quais as perspectivas para este ano em termos de lançamento de novos produtos? Quais as apostas?

No caso dos dois produtos, o importante é a sensibilidade demonstrada pelo órgão regulador, a tendência de ajustamento do nosso setor à realidade do País. Como a disponibilidade de renda diminuiu, e como a população continua a demandar proteção, novas condições securitárias flexíveis como o Auto Popular e o Vida Universal criam oportunidades para que as seguradoras ofereçam outras condições de acesso a produtos que protejam patrimônios e rendas de amplas camadas de consumidores. Esperamos a mesma sensibilidade para o impulso de produtos como o seguro de Garantias de obras e o Previ Saúde.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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