Corretores e consultores de riscos comemoram o maior acordo de leniência do mundo assinado pelo Grupo Odebrecht com o Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba e que envolve acordos de delação premiada com 77 executivos e ex-funcionários do conglomerado. O grupo pagará um total de R$ 6,7 bilhões como multa civil, com pagamentos que serão realizados anualmente e no prazo máximo de 20 anos.
O acordo, que envolve órgãos reguladores do Brasil, dos Estados Unidos e da Suíça, é um passo decisivo para que o conglomerado possa voltar a contratar com o Poder Público e deixe de ser considerado inidôneo. “Esperamos com esse acordo que o grupo volte a ser entre os 5 maiores compradores de seguros do país”, Rodrigo Protásio, CEO da JLT RE.
A expectativa é de que a construtora volte a participar das novas licitações de concessões e de obras públicas. “A Odebrecht é responsável pelas grandes obras de geração de energia, construção de submarinos, aeroportos entre outros. Poderão exercer papel fundamental a partir do próximo ano nas novas e necessárias obras de infraestrutura-estrutura.
Nas contas de Protásio, a Odebrecht tem a capacidade de gerar mais de R$ 200 milhões em prêmios anuais para o mercado de seguros no Brasil. Os seguros garantia de contratos e de riscos de engenharia estão entre os principais beneficiados pela retomada das obras de infraestrutura. “A Odebrecht é uma empresa altamente capacidade tecnicamente e com filosofia de gerenciamento de riscos e de obras com padrão top mundial,” afirma Protasio.
Já Caio Timbó, diretor financeiro da LTSeg, não está tão otimista. “Acho precoce criar expectativa em cima da operação, pois a Odebrecht é apenas uma das construtoras envolvidas na Lava Jato, investigação que atingiu todo o mercado de construção civil e secou o crédito para o setor e isso descapitalizou o setor público”, afirmou. “Com o acordo, a construtora pode tomar crédito, mas isso não significa que ela vai conseguir o crédito no custo que precisa para retomar ou iniciar projetos”.
O consultor de riscos Alvaro Trilho ressalta que os seguros de risco de engenharia e de garantia, que estavam praticamente paralisados, voltam a ter negócios. “Com a retomada das obras, que ainda deve demorar um período, o seguro de performance volta a ser emitido. Com isso, se tem um impacto também no seguro transporte, para peças e equipamentos das obras, mas é um impacto marginal e que deverá ter efeito apenas no final de 2017”, conclui Trilho.


















