CIAB Febraban alerta para uma nova forma de fazer negócio em seguros

Uma quarta revolução industrial. Essa foi a sensação ao sair da última palestra da Trilha de Seguros, evento realizado dentro do Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras (CIAB Febraban). “A proposta da Trilha, idealizada pela CNseg, foi debater como o mercado segurador brasileiro avança na utilização de soluções disruptivas no relacionamento com os seus públicos. As empresas seguradoras vêm desenvolvendo ferramentas inovadoras para dinamizar seus processos e operações cotidianas. Os investimentos em tecnologia, em novas plataformas digitais, têm ampliado a eficiência das empresas e aprimorado produtos e serviços”, salientou Barros, destacando que há um longo caminho a ser percorrido, pois o Brasil ainda está amadurecendo em muitos aspectos relacionados à tecnologia.

Veja abaixo um pequeno resumo das palestras que o blog Sonho Seguro preparou para ajudar a todos na construção de uma estratégia vencedora:

13516443_1076646539050648_2390069930091100636_nAbertura – Marco Barros, diretor da CNseg, destacou que há um longo caminho a ser percorrido, pois o Brasil ainda está amadurecendo em muitos aspectos relacionados à tecnologia. Um grande passo do mercado no sentido de inovar, afirmou, é o lançamento, de forma institucional, da CNspar, com o propósito de implementar um programa de apoia a startups. Batizado de Programa de Inovação Mar, em homenagem ao ex-presidente Marco Antonio Rossi, o programa pretende estimular e colaborar com o empreendedorismo no mercado segurador.

Gustavo de Souza Fosse, diretor de tecnologia e diretor da Febraban ressaltou a importância do mercado de seguros. “O setor de seguros é extremamente relevante para a nossa economia. Sua importância se traduz em números expressivos: no ano passado, o setor registrou faturamento de R$ 365 bilhões, um crescimento de 12% em relação a 2014, e ativos próximos de R$ 800 bilhões”, destacou em seu discurso de abertura da Trilha. O diretor de TI da Febraban destacou que a trilha de seguros, desenvolvida em parceria com a CNseg, tem por objetivo proporcionar uma visão de como o mercado pode aproveitar as potencialidades dos mais diversos canais de distribuição e do uso da tecnologia como ferramenta de aprimoramento dos processos internos e de análise de aspectos qualitativos da relação de seguradores, cl ientes e prestadores de serviços. “A riqueza dos assuntos envolvendo o mercado segurador irá se repetir nesta 26ª edição do congresso, com a participação de renomados executivos deste segmento para debater temas como as novas aplicações em dispositivos móveis, seguros inclusivos e os canais digitais, a produtividade do back office e a transformação digital no canal de vendas.

IMG_6389Apps – Uma das mais interessantes palestras de ontem foi de Daniel Rocha, responsável por serviços financeiros da Capgemini. Ele falou da explosão das Fintechs no mundo. Elas têm ditado o nível e o ritmo de aplicações mobile para seguros. Só nos EUA foram registrados mais de US$ 16 bi investidos em fintechs na área de seguros. “É um mercado efervescente e deve impactar a agenda de inovação das seguradoras no Brasil.&rdquo ;, comentou. Ele adiantou alguns produtos que serão lançados em breve pela seguradora AXA, como o monitoramento para residências e também para veículos. Ele mostrou pesquisas que revelam a insatisfação dos clientes com os produtos, serviços e atendimento das seguradoras. A mesmo pesquisa revelou que mais de 60% dos entrevistados aceitariam comprar seguro de uma empresa que não fosse seguradora. Como o Google, por exemplo.

Apps internacionais – Rocha, da Capgemini, afirma que o cliente não pode mais ser colocado de lado. O produto precisa ser customizado, com transparência, inteligência artificial (sensores em casa, appliances nos carros) e conectividade (da casa, de si mesmo, do carro). Rocha apresentou exemplos de empresas de seguros fora do País que já utilizam os dispositivos mobile. A United Health aperfeiçoou a experiência do corretor, agregando mais valor para o cliente, através de um app para retirar a burocracia da vida do corretor, que consegue cotar e emitir a partir de dispositivos móveis. Para Rocha, “as pessoas estão saturadas com a ideia de um tamanho único para todos e querem se ver diferente”.

A Bought by Many é uma startup que busca grupos que geralmente não tem suas demandas atendidas pelas seguradoras. Através de grupos de afinidade, a BBM constroi e negocia acordos com seguradoras. A venda é feita através de redes sociais e tem parceria com a Ping An na China. Trata-se da captação da necessidade ou desejo de um grupo por um corretor, que negocia com uma seguradora um pacote sob medida para o segurado. Rocha citou, como exemplo, um corretor que pratica ciclismo e começou a ofertar para o grupo um seguro sob medida para os riscos apresentados em uma prova. Incluindo ai o Tour de France.

O Metromile aplica o conceito de seguro “pay as you go”, que calcula o valor mensal do prêmio conforme a quilometragem rodada. Algo semelhante está em andamento no Brasil pela Liberty Seguros e também pela Porto Seguro, uma vez que clientes já demandam esse tipo de “justiça financeira”. Nos EUA, 65% do americanos rodam menos de 200 milhas por mês. O segurado conecta o dispositivo que recebe da seguradora. Este transmite as informações captadas no veículo. Apesar de o seguro ser um produto, hoje ele é considerado um serviço. Como Netflix. O cliente comprou mas não tem tempo de usar e pode cancelar. No seguro também os usuários querem isso. Se não usam, querem descontratar por um mês de férias. Ou reduzir o valor de estão usando mais a bike, Uber ou passaram a trabalhar em casa. Da mesma forma que funciona um medidor de luz. Quando viajamos, a conta de luz vem menor. Esse tipo de produto é o ideial para Maurício Macedo, superintendente de arquitetura, produção e segurança da informação da BrasilPrev (veja o motivo na última palestra).

O aplicativo BIMA vende microsseguros para a população de baixa renda na África e na Ásia, onde 97% dos seus clientes ganham menos de US$ 10 por dia. A startup já contabiliza 15 milhões de clientes, o que é considerado um sucesso em termos de parcerias com operadoras de celular, bancos e financeiras locais. Trata-se de um modelo que incluiu clientes ao mercado de seguros e está presente em 13 países. Segundo Rocha, mais de 80% dos segurados nunca haviam consumido um produto de seguro. A formação de mais de três mil agentes para educar a população sobre a necessidade do seguro é um dos pontos citados como fator decisivo para o sucesso da operação.

O Oscar é uma das fintechs de maior evidência nos EUA. A comercialização é apenas online e por isso os planos são simples e baratos. O aplicativo é para que os segurados possam buscar na rede referenciada médicos e clinicas para fazer o agendamento de consultas. O aplicativo viabiliza o atendimento emergencial, com o cliente relatando os sintomas para que o médico possa ser encaminhado.

AXA – A seguradora tem tido uma pauta forte em seguro digital, ressaltou Rocha. Além de permitir que o cliente compre o seguro online, ela traz diferenciais em assistência. Deve lançar na Europa uma oferta com assistência 24 horas por dia 7 dias por semana, que traz serviços muito além da cobertura tradicional da apólice. A aplicação de mobile + IoT (internet das coisas) inclui a visão de uma casa inteligente habilitada por meio de parcerias com o primeiro fabricante de dispositivos conectados para proteção em tempo real contra invasões, incêndios, inundações, vazamento de gás, poluição e outras emergências. O cliente faz a chamada para o sinistro e a empresa de assistência aciona a câmera para que a atendente entenda o que aconteceu na casa. A partir disso, o prestador de serviço tem uma ideia mais clara sobre a ajuda que precisa prestar. “Isso reduz custo com vistoria, com visitas e também dos serviços, além de deixar o cliente totalmente satisfeito com a assertividade, rapidez e custo”, ressalta o consultor da Capgemini. O lançamento de novidades da AXA no seguro de carro está previsto para o segundo semestre. No Brasil, o grupo lançou ontem um assistente de viagem, que faz todo o serviço para o usuário organizar suas férias, como localização de bons r estaurantes na cidade, solicitando um serviço de motorista particular ou aluguel de carro.

13417654_1076725092376126_4672414712652907003_nMobile – Ângela Beatriz, diretora da BB Seguridade, afirma que a holding de seguros do Banco do Brasil não se preocupa mais com a concorrência direta, como Bradesco, Porto Seguro ou Itaú. “Nos preocupamos com as empresas de tecnologia que podem se interessar em vender seguros, como o Google, por exemplo. Hoje basta um grupo de pessoas querer comprar seguro que uma startup pode ser criada para fazer a oferta”. A seguradora terá que ser mais que isso. O modelo disruptivo pode não vir de uma seguradora, mas de uma empresa que investe em conhecer a dor do cliente. A praticidade gera utilização muito grande. “O canal mobile, uma vez acertado, pode mudar de patamar as suas vendas. Ele precisa evoluir bastante a análise dos dados, como uma empresa de seguros que atenda completamente as necessidades do cliente”, concluiu Angela.

13501904_1076719069043395_240333183275646103_n“Seguros Inclusivos X Canal Digital” – Eugênio Velasques, diretor da Bradesco Seguros, e Alexandre Leal, da CNseg, fizeram um bate papo informal durante o painel. Velasques respondeu diversas perguntas com relação ao microsseguro, seguro popular, inovação e comissionamento dos corretores nesse tipo de produto mais voltado para as classes de menor renda e, uma pergunta recorrente, quando o setor de seguros irá avançar na venda de apólices de baixo custo. “Os correntistas não recebem mais extratos via correio. Mas o extrato está lá no internet banking. Quando ele quer, clica e consulta. Nós em seguro ainda precisamos mandar para o cliente a apólice via correio, correndo ainda o risco de ser considerado pelo segurado uma empresa que não pensa no planeta”, lamenta Eugênio Velasques. Ele defende debates mais dinâmicos entre o setor e o órgão regulador. “O mundo digital já é parte da vida das pessoas. As transações via ATM já respondem por mais de 50% da movimentação bancária. Temos de evoluir com a regulamentação do setor para podermos aproveitar os benefícios que a revolução digital traz para todos, inclusive a inclusão, levando a proteção ao consumidor aonde quer que ele esteja. Só assim para conseguirmos ter uma equivalência com o mercado financeiro”.

13524409_1076761242372511_2066139787155622260_nBackOffice – “Não pode esperar a troca do backoffice, que leva entre dois e cinco anos, para atuar no mundo digital. A maturidade dos sistemas de backoffice tem diferentes níveis. Quem não arrumar a casa para fazer mais rápido, mais barato e mais simples para conseguir integrar seus sistemas e se diferenciar neste mundo em que uma startup consegue criar coisas fantásticas como temos vistos, está com os dias contatos”, sentencia o diretor de Tecnologia da SulAmérica, Cristiano Barbieri, moderador do debate “Seguradoras – Alavancando Produtividade em Backoffices”. O palestrante Carlos Eduardo Figueiredo Filho, da Deloitte, trouxe experiências de sucesso de duas seguradoras locais e uma internacional com foco aprimoramento das estruturas de suporte ao negócio. Figueiredo explica que se trata de uma união de forças. As seguradoras no Brasil e no mundo investem em ter processos mais dinâmicos, que possibilitem se aproximar de uma startup com projetos que agregam uma experiência diferenciada. Uma grande seguradora tem legado, cultura e mais coisa que uma iniciante não tem. Já a startup tem a velocidade e recursos tecnológicos que uma grande empresa não consegue acompanhar. No entanto, nem a startup vai ser sempre uma iniciante e nem uma grande seguradora viverá sendo o que ela é hoje. “A parceria na inovação da cultura das seguradoras é o caminho para integrar os produtos com os clientes, a seguradora com seus parceiros corretores e fornecedores”. O CEO da YouSe, Eldes Mattiuzzu, apresentou o case de sucesso da sua fintech, que está transformando o mercado de seguros. “Queremos levar uma experiência para quem não conhece ou não tem o seguro, que não seja burocrática, mas sim simples e com bastante tecnologia”, explicou o CEO, sem falar qualquer coisa sobre o IPO da Caixa Seguridade, negócio que ainda emperra a Youse de entrar no ar de forma independente.

13512025_1077296062319029_2787264657620943989_nSaúde – A capacidade analítica era limita, mas hoje é possível explorar uma base de dados gigantesca, que geram informações uteis. “Temos 1,4 bilhão de procedimentos relacionados a 48 milhões de pessoas que utilizaram 350 mil consultas em 300 mil médicos no ano passado. É um bando de dados, que traz informações preciosas, e que precisa de tecnologia para tornar esse arsenal de dados em ações úteis”, diz Cechin. Claudio Pinhanez, da IBM, apresentou um resumo da experiência de 3 meses do que a consultoria conseguiu fazer ao garimpar informações dentro do banco de dados de uma grande seguradora. Somente usando o dado de reembolso, diz, é possível tirar várias ações de negócios, como saber quais os médicos que trabalham juntos e que trariam perdas ao cliente se fossem descredenciados. Apesar de fraude não ter sido o foco da experiência, ele afirma que também é possível detectar se há fraude ao deixar de olhar para o indivíduo e analisar grupos. Para ele, o desafio que as grandes seguradoras têm é de usar o poder dos dados e das redes de forma mais efetiva. Neste ponto as startups não conseguem competir. Flávio Bitter, diretor da Bradesco Saúde e vice-presidente da FenaSaúde, informou que um dos maiores desafios do setor de saúde e buscar soluções que promovam a sustentabilidade do sistema. Nesse sentido iniciativas que promovam prevenção e promoção à saúde dos beneficiários são sempre muito bem-vindas, assim como soluções que busquem maior efetividade na cadeia, através da qualificação do atendimento e do combate ao desperdício. “Para atingir esse objetivo, a Bradesco Saúde vem investindo em sistemas de TI que disponham de alta capacidade de processamento de dados e na construção de sistemas que permitam uso de grandes bases de dados para tomada de decisão. Nossos aplicativos de saúde, já estão disponíveis em várias plataformas, são de fácil acesso e entendimento de nossos segurados, o que já aumentou, consideravelmente, nossa comunicação com a base de clientes.”

13495274_1077341082314527_6413819693039506672_nTransformação Digital no Canal de Vendas – “As mudanças tecnológicas vêm acontecendo de forma bastante veloz. Tanto é que a tecnologia deixou de ser, simplesmente ferramenta, para fazer parte das estratégias de inovação das seguradoras. Isso porque algumas soluções podem contribuir significativamente não só com o aumento da eficiência, mas também pode ter efeito nos resultados financeiros da companhia. Um fator importante é que uma nova solução, quando implementada, pode transformar a maneira como são feitos os processos, o desenvolvimento de produtos e até os relacionamentos, que constituem um quesito estratégico em uma seguradora como a Yasuda Marítima”, diz Samy Hazan, o debatedor do painel, passando a palavra ao palestrante, que afirma: “O cliente tem de ser o foco de atenção e não mais o produto”.

13524480_1078635572185078_3237289508676975108_nIot- O último painel da Trilha de Seguros no CIAB Febraban — The Internet of Insurance Things and the Rise of Next Generation Insurance — conta com Fernando Nogueira César, gerente da Dell e Maurício Macedo, Superintendente de Arquitetura, Produção e Segurança da Informação da BrasilPrev, como moderador. Macedo contou que morava em Curitiba há alguns meses. Uma das atividades para preparar a mudança para SP foi ligar para o corretor de seguros para mudar a cidade que tinha no questionário do seguro do carro. Pagou 15% mais com esse endosso. Como passou a morar bem próximo ao trabalho, ele usa pouco o veículo. Para se locomover em SP, que não conhece bem as ruas, usa muito um serviço de taxi. Constatou então que está pagando muito caro de seguro e não está satisfeito com isso. Com essa experiência, passou a palavra para o especialista da Dell para falar da próxima geração de seguros, com apólices mais adaptadas ao perfil de cada um e como a Internet das Coisas pode ajudar em uma oferta mais adequada a cada cliente e assim elevar as vendas, com rentabilidade.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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