Lloyd’s e seguradoras são afetadas com Brexit

brexitMuitas das seguradoras que negociam com o Lloyd’s of London afirmam que depois de um Brexit vão simplesmente transferir parte de seus negócios para subsidiárias na União Europeia após a saída do Reino Unido. Segundo publicou o Financial Times, isso ocorrerá pois uma das grandes atrações para as seguradoras de operar via Lloyd’s of London é que elas têm direitos de passaporte para a União Europeia.

O Lloyd’s, que fez forte campanha “Remain” (permaneça), colocou um ícone comcara brava sobre o resultado na sexta-feira de manhã. “Estou confiante de que o Lloyd’s vai ficar se manter como líder em seguros especializados e resseguros global”, disse John Nelson presidente do mercado, acrescentando: “A atratividade da plataforma do Lloyd’s vai muito além de licenças: a segurança financeira robusta, força da marca global, e experiência de subscrição inigualável. Estas qualidades têm resistido ao teste do tempo.”

No entanto, as ações em todo o setor caiu pesadamente na sexta-feira, com as seguradoras de vida mais atingidas. Em Londres, a Aviva, Legal & General e Standard Life apresentaram queda de mais de 15%, enquanto na Europa a Continental, Axa e Generali também registraram baixas. Os analistas culparam preocupações macroeconômicas em geral, mas em particular o impacto do alargamento de spreads de crédito. As seguradoras norte-americanas também sofrem consequências da derrota. A MetLife e a Prudential Financial registraram queda de 7% na bolsa. A AIG, que tem uma operação considerável em Londres, caiu 4,7%.

As seguradoras possuem grandes carteiras de títulos corporativos para cobrir as suas responsabilidades. Qualquer queda no valor dos títulos poderia trazer instabilidade para a solvência das seguradoras no curto prazo, embora, como eles tendem a manter esses títulos até o vencimento pode não haver danos econômicos, a menos que os se avolumem os default corporativos.

O CFO da Munich Re fala para a Bloomberg sobre os impactos nos negócios da resseguradora. “Temos de olhar no longo prazo. Não é o fim dos negócios. Alguns negócios podem mudar de lugar, como Singapura e Nova York”. Ele também se preocupa de que outros países da Europa, como Espanha, façam um referendo.

Ninguém sabe quanto tempo vai levar para o Reino Unido desembaraçar-se da UE e as suas leis, mas muitos comentaristas acham que vai demorar muitos anos – pelo menos uma década. Crucialmente, ninguém ainda sabe como Brexit afetará a cidade de Londres – o centro financeiro do Reino Unido.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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