Artigo: Novo olhar para riscos conhecidos

por Fátima Lima – Executiva de Sustentabilidade do GRUPO BB E MAPFRE, presidente da Comissão de Sustentabilidade da CNSeg, integrante da Rede Brasileira do Pacto Global e membro do board mundial do PSI, da ONU.

Em todo o mundo, cada vez mais organizações estão percebendo a importância de considerar os riscos ambientais, sociais e de governança (ASG) em suas decisões estratégicas. No setor de seguros, cujo negócio é gerenciar e assumir riscos, esse posicionamento ganha mais importância diante dos principais desafios globais em termos de impacto, divulgados no início deste ano durante o Fórum Econômico Mundial. Dentre eles, destacam-se as crises no abastecimento de água e de alimentos; a falha de adaptação dos países às mudanças climáticas; e as catástrofes naturais.

Somente no primeiro semestre de 2015, o mundo registrou perdas econômicas de US$ 35 bilhões resultantes de catástrofes naturais. Desse valor, as seguradoras pagaram US$ 12 bilhões em indenizações por contratos que tinham cobertura para eventos climáticos. Esses dados, da resseguradora Munich Re, mostram a vulnerabilidade de países emergentes e em desenvolvimento em relação às catástrofes naturais.

Segundo estudo publicado em junho na revista médica britânica The Lancet, o número de pessoas expostas a inundações, secas, ondas de calor e eventos extremos associados às mudanças climáticas será muito maior do que se imaginava nas próximas décadas.

Esses estudos mostram que as externalidades são cada vez mais recorrentes e significativas para os negócios. Por essa abordagem, as empresas mais bem-sucedidas são aquelas que buscam incorporar as questões ASG como forma de gerar valor para os negócios e stakeholders. Isso porque os temas ligados à sustentabilidade são essenciais para a perenidade dos negócios e permitem entender a cadeia de valor de ponta a ponta.

E eles não precisam ser excludentes ou engessar os negócios. Devem complementar a análise tradicional de riscos, incorporando novos aspectos ligados às demandas atuais da sociedade. Assim, é possível garantir uma visão sistêmica do negócio e um conhecimento maior dos impactos a longo prazo.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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