Mitsui, a número “1” do Japão, busca parceiros no Brasil

mitsuiMais um grupo estrangeiro com apetite de investir no Brasi, seja na compra ou na parceria com seguradoras locais. “Estamos em busca de potenciais candidatos, que compartilhem a nossa filosofia”, disse Yasuyoshi Karasawa, CEO mundial do grupo Mitsui Sumitomo & Aioi Dowa (MS&AD), demostrando o grande interesse dos acionistas em crescer no Brasil, país que tem como destino estar entre as cinco maiores economias do mundo até 2050, afirma. “O Brasil é uma base importante para avançarmos na estratégia internacional do grupo Mitsui”, ressalta. “Apesar da recessão, são 200 milhões de pessoas, a população é jovem e o país ainda tem uma baixa penetração de seguros. Também sabemos que os investimentos são necessários e vão acontecer. Isso nos faz estimar um crescimento significativo a médio e longo prazo no Brasil”, afirmou o executivo que comanda a seguradora número um do Japão, da Ásia e oitava maior do mundo.

No balanço do final de março de 2015, o grupo divulgou dados de 2014, com faturamento de US$ 24 bilhões e lucro líquido de US$ 1,1 bilhão. Com tal resultado, o plano ambicioso de quatro anos, que se finaliza em 2017, foi elevado. “A chave para crescermos está na expansão das operações internacionais, que estão indo muito bem e nos possibilitaram a elevar nossa meta do plano”, afirmou.

O executivo entende que a economia brasileira enfrenta uma situação bastante crítica. “Valorizamos a grande riqueza de recursos naturais, um país preponderante no fornecimento agrícola e, do ponto de vista de uma seguradora, olhamos de 40% da população é formada por pessoas abaixo de 40 anos. Com isso, em meados do século, 2050, o Brasil será a quinta maior economia do mundo a medida que forem adotados transparência politica, parcerias públicos privadas e reformas necessárias. Com tudo isso, temos certeza de que subirá no ranking das maiores economias do mundo. Em seguro, ainda que compararmos ao Japão, com penetração do setor equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB), vemos um grande potencial no Brasil, que ainda não chega a 4%”, acrescentou.

Em investimentos, em outubro do ano passado, o grupo aportou 15 bilhões de iene (R$ 340 milhões), o que reforçou a capacidade de subscrição e ampliar a presença. “Temos perseguido nosso objetivo de ser uma das dez maiores do mercado segurador brasileiro de forma orgânica. Mas podemos adquirir empresas, caso tenhamos acesso a negócios que estejam dentro da filosofia e estratégia do grupo”, disse. Enquanto não há negociações, o grupo investe na nossa equipe local, que segundo ele vai muito bem sob o comando de Hélio Kinoshita, vice-presidente e COO da Mitsui Sumitomo.

O grupo tem apostado na expansão internacional, com compras relevantes em várias partes do mundo. A América Latina, diz o CEO mundial, é importante pois há países, como o Brasil, livres de catástrofes. “Além da diversificação regional, também mitigamos os riscos do negócio, especialmente os causados pelas catástrofes naturais”, disse o executivo que participou pessoalmente do atendimento a milhões de segurados que perderam tudo ou quase tudo em 2013, com o terremoto seguido de tsunami que arrasou regiões do Japão e gerou uma revolução nas apólices de seguros, que passaram a considerar indenizações por perdas em todas as partes do mundo, mesmo que o acidente tenha ocorrido do outro lado do planeta. Montadoras como Honda e Toyota, por exemplo, deixaram de fornecer peças para vários países, causando prejuízos para terceiros, que não tinham como atender seus clientes. “Hoje os riscos são globais e tudo isso é levado em consideração pelos clientes, corretores e seguradoras”, comenta Hélio Kinoshita.

Segundo ele, a estratégia para a expansão internacional visa conquistar clientes de forma geral. “No início, focamos nossa atuação em atender clientes japoneses em sua jornada internacional. Mas agora expandimos nossa atuação e em busca de clientes em todos os mercados, desenvolvendo produtos inovadores para atender as necessidades das empresas brasileiras e com serviços diferenciados”, finalizou Yasuyoshi Karasawa.

Ele chegou ontem ao Brasil, participa hoje de um coquetel com cerca de 500 executivos, entre corretores, clientes e personalidades políticas do setor e do país, e volta ao Japão amanhã. Entre os convidados, o presidente da Fides e da CNseg, Marco Antonio Rossi, que mesmo com o XXXV Conferência Hemisférica de Seguros, a Fides Chile 2015, realizada de 25 a 28 de outubro, em Santiago do Chile, abriu a agenda para participar do evento da Mitsui de 50 anos nesta noite.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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