Susep destaca a importância da auto-avaliação de risco pelas seguradoras

cnseg_resseguro 4Fonte: CNseg

“Toda empresa deve conduzir sua auto-avaliação de risco, não devendo se basear apenas na regra da Susep, mas sim saber sua atual posição de risco e solvência”, defendeu José Roberto Rodrigues, coordenador de monitoramento de riscos da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Rodrigues abriu o painel sobre Necessidade de Capital, no 4º Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro, abordando a importância sistêmica do resseguro, o modelo de auto avaliação de risco e solvência do ORSA (Own Risk and Solvency Assessment – Avaliação dos próprios riscos e solvência), e o monitoramento de solvência da Susep.

“O objetivo do monitoramento de solvência é assegurar a estabilidade financeira do sistema por meio da proteção do segurado e da eficiência do mercado segurador”, destacou Rodrigues. Ele explica que são considerados e monitorados três tipos de riscos. Os riscos microprudenciais são os que envolvem apenas uma empresa isoladamente. Os riscos macroprudenciais atingem um segmento do mercado, como o aumento da expectativa de vida, que gera riscos para o segmento de previdência, mas não atinge outros ramos. E, por fim, os risco sistêmicos, que afetam todo o setor. Entre os riscos sistêmicos estão a volatilidade das taxas de juros, as mudanças no comportamento do consumidor, a pressão inflacionária, a longevidade, o risco legal e o risco cibernética.

“A supervisão baseada em riscos tenta mitigar todos esses riscos por meio de normas e estímulo a boas práticas. Alguns desses riscos não são simples de modelar e quantificar e não há capital que de conta”, afirmou. Ele ressaltou que nem sempre a empresa deverá aumentar o seu capital para fazer frente aos requisitos regulatórios, podendo implementar mecanismos que mitiguem os riscos, reduzindo as necessidades de capital. “É preciso combinar capital com boas práticas e governança, de forma a mitigar os riscos”, recomenda.

Rodrigues explicou que a publicação da regulamentação de Risco de Mercado encerrou a série de regulamentações de riscos quantitativos do modelo de Supervisão Baseada em Riscos que envolve aspectos financeiros, econômicos, de governança e de gestão de riscos. O Risco de Mercado deve entrar em vigor em 31 de dezembro de 2016 e, ao lado dos riscos de supervisão, de crédito e operacionais, compõe o conjunto que envolve o modelo de Supervisão Baseada em Riscos, adotada pela Susep.

O coordenador de monitoramento de riscos da Susep ressalvou que a regulamentação é baseada em modelo de capital, que, como modelo, não é fiel à realidade e em algum momento vai apresentar alguma deficiência. O modelo proposto pela Susep representa uma média na qual algumas empresas estarão acima e outras abaixo. Por isso a importância da auto-avaliação.

A Solvência é baseada em três pilares, disse ainda. O quantitativo com provisionamento e requisitos de capital; o qualitativo com governança, controles e supervisão; e a divulgação e reporte ao público. Com a supervisão baseada em riscos, o modelo ficou mais complexo e deve atender a alguns princípios. Todos os ativos devem ser marcados a valores de mercado. É preciso haver uma melhor estimativa de passivos para apurar uma margem de risco e capital disponível. Por isso é exigido um mínimo de 20% de liquidez em relação ao capital de risco.
Para Rodrigues, em termos de risco sistêmicos, as seguradoras são mais críticas, enquanto o resseguro tem uma importância sistêmica por fazer um link entre todos os riscos do mercado e atuar como um canal de centralização de riscos. “O resseguro é um aliado na prática de gestão de risco. E não há precedente histórico de quebra de resseguradora”, observa.

Frederico Knapp, representante da Suiss RE, questionou Rodrigues sobre como será conduzido o monitoramento das empresas que optarem pelo ORSA. O representante da Susep informou que será adotado o princípio da proporcionalidade, exigindo o modelo apenas de algumas empresas, ressaltando que as demais também poderão adotá-lo facultativamente.
Outro questionamento de Knapp é se as pequenas empresas que não conseguirem se adequar às novas necessidades de capital terão de recorrer ao resseguro ou deverão passar por um processo de consolidação. Rodrigues explicou que o fato de alguma empresa ter dificuldade de se capitalizar para atender às regras já sinaliza que o risco existe.
“Muitas terão dificuldades, mas já vimos empresas alterando contratos de resseguros, o que permite baixar o risco de supervisão sem aumentar o risco de crédito. Outras empresas estão abandonando segmentos de risco. O maior problema está nas empresas sem fins lucrativos e muitas já estão se transformando em S.A.”, conclui.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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