Pesquisa da KMPG revela desafios para aprimorar a oferta de resseguro

cnseg botti e joaoPara ter um mercado de resseguros mais inovador e dinâmico, as seguradoras encomendaram uma pesquisa para identificar pontos de conflitos e quais as sugestões dos executivos para melhorias. O resultado foi apresentado ontem no painel “O presente e o futuro do resseguro no Brasil”, no 4o. Encontro de Resseguros, realizado nos dias 14 e 15 de abril, no Rio de Janeiro.

“O trabalho teve como objetivo contribuir na análise do desenvolvimento do mercado brasileiro de resseguros desde a abertura em abril de 2008 e apontar os desafios que teremos pela frente”, disse João Francisco Silveira Borges da Costa, CEO da HDI Seguros, ao apresentar para uma plateia de 500 pessoas o estudo encomendado a KPMG a pedido da Associação Brasileira das Companhias de Seguros Internacionais (ABCSI).

A maioria dos entrevistados concorda que as seguradoras se tornaram mais lucrativas e solventes com a abertura do resseguro, mas perderam margem de negociação, pois o fim do monopólio trouxe a premissa do mercado aberto: o exercício de aceitar e negar riscos. Cerca de 80% acharam que a regulamentação trouxe intranquilidade, o que se observou na quantidade de riscos não aceitos, chamados no jargão do setor como “riscos declináveis”.

Quanto a reserva de mercado estabelecida pela regulamentação, com 40% dos contratos tendo de ser ofertados para as resseguradoras locais, 60% dos entrevistados concordam parcialmente que um grau de reserva de mercado seja necessária. Ter profissionais mais qualificados é a sugestão de 60% dos participantes, o que abrange tanto profissionais de seguros, resseguros como corretores, que são usados em 80% dos contratos. Apenas 20% dos participantes disseram realizar negócios sem um corretor. “Há uma clara preocupação quanto a qualificação dos profissionais, tanto de seguradoras, como resseguradoras e corretores”, ressaltou Borges.

Mais de 60% dos entrevistados afirmaram que é preciso melhorar a competitividade do segmento de resseguros e 80% dos participantes concordam que é necessário melhorar serviços e ofertas de produtos para acirrar a disputa pelos contratos. Sobre as perspectivas para os próximos 3 a 5 anos, a resposta foi positiva. Cerca de 71% concordam que haverá uma oferta maior de produtos e serviços. Em relação aos investimentos para os próximos 5 anos, as companhias informaram que vão canalizar recursos para o treinamento, o desenvolvimento de pessoas e aquisição de sistemas de melhorias operacionais.

Quais os desafios para o futuro, os corretores citaram a regulação mais rígida, maior controle pelo regulador e a necessidade de melhor qualificação dos serviços prestados. Já os resseguradores citaram o cenário de concorrência mais acirrada e a falta de profissionais mais qualificados.

Entre os principais desafios do ambiente regulatório, a reserva de mercado, que impõe um custo adicional a oferta de produtos, e a tributação do setor foram os pontos mais citados na pesquisa da KPMG. Já no ambiente concorrencial, os entrevistados citaram que o desafio está em manter o equilíbrio entre ofertas agressivas e a escolha de parceiros realmente técnicos que ofertem condições de tornar o contrato rentável. Também citaram que manter as parcerias no longo prazo é um dos desafios a serem perseguidos.

“Demos um grande passo na abertura do mercado e agora precisamos ousar mais. Ambicionar mais. Temos condições de transformar o Brasil e o Rio de Janeiro em um polo de resseguros na América Latina. Mas para isso é preciso aperfeiçoar a operação de resseguro e qualificar mais os nossos profissionais”, disse Paulo Botti, CEO da resseguradora local Terra Brasis ao comentar as lições trazidas pela pesquisa apresentada. “O resseguro abriu 700 novos postos de trabalho e 90% das pessoas na área tem nível superior. É a indústria de mais alto nível de instrução em todas as indústrias”.

Botti ressaltou que o Brasil tem um mercado forte, competitivo, sólido e com capacidade técnica crescente. O que mais pode melhorar?, indaga o executivo. “’É preciso que todos tenham uma função inovadora e educacional, processos integrados de mercado, resultados financeiros, ajustes da regulamentação e práticas de mercado”, sugere, citando os trabalhos realizados por sua companhia, a Terra Brasis, que já realizou cursos de resseguro para 300 funcionários de seguradoras, desenvolveu um mapa de catástrofes online para gerar estatísticas para melhorar a precificação de riscos, e o estudo analítico sobre os dados financeiros das resseguradoras divulgados pela Susep, conhecido como Terra Report.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS