Swiss Re promove debate sobre os desafios das catástrofes naturais

Fonte: Livia Souza – Revista Apólice

A Swiss Re promoveu na manhã de ontem (10) o seminário Respondendo ao desafio das catástrofes naturais no Brasil. Realizado no Hotel InterContinental (SP), o evento contou com a participação de profissionais do ramo de seguros e especialistas da companhia, que discutiram sobre o preparo e a conscientização do mercado e da população brasileira em relação aos alagamentos e inundações, fenômenos naturais de maior vulnerabilidade no país.

Florian Kummer, head hub P&C Underwriting da companhia na América Latina, abriu o ciclo de apresentações e afirmou que, apesar de não contribuir com o câmbio climático, o Brasil é um dos países mais afetados com as consequências. “No ano passado, de três catástrofes naturais ocorridas no Brasil, duas foram inundações. O fato de o Brasil ser tão urbanizado aumenta o risco não só em alagamentos e inundações, mas também a deslizamentos. Vale frisar que, além das pessoas que vivem nessas áreas, infraestruturas logísticas e energéticas também estão expostas ao risco”, explicou.

75% das pessoas que vivem em solo brasileiro não estão seguradas, segundo o executivo, que na ocasião também revelou dados de perdas esperadas na economia pelos fenômenos. Em 2010, por exemplo, foi registrado um prejuízo de US$ 1,4 bilhões. Já para 2030, a estimativa da sguradora é de que o número chegue a US$ 4 bilhões.

“A mudança climática não irá mudar. O que temos que mudar é a maneira de lidar com esse fenômeno por aqui, É necessário analisar a situação no Brasil para uma regulação eficiente”, disse Kummer, apontando critérios para o feito como a criação de uma grande e diversificada comunidade de risco, a precificação livre (valor de cobertura contra inundações de acordo com o risco inerente), além do diálogo e da colaboração entre governo e as indústrias de seguros e resseguros.

Já Peter Zimmerli, diretor de Perigos Atmosféricos da seguradora, lembrou os dez anos do ciclone tropical Catarina, ocorrido na costa do Brasil, e alertou para possíveis riscos de fenômenos semelhantes no local. “Ser um fenômeno raro no país não significa que nunca possa acontecer de novo”, ressaltou. O executivo apresentou os resultados obtidos por um estudo feito pelo Instituto de Ciências Atmosféricas e Climáticas (IAC), do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (Suíça), no qual a companhia também atuou como colaboradora. O documento aponta que, se o Catarina acontecesse nos dias atuais, o prejuízo econômico chegaria a US$ 0,5 bilhão.

Jens Mehlhorn, Head Underwriting LA Property & Specialy Underwriting da Swiss Re; e Charles Lutz, Senior Treaty Underwriter da companhia, conduziram a apresentação sobre o novo mapa de risco de inundação para o Brasil. Para finalizar, Fabio Feldmann, advogado e administrador que vem atuando na área de meio ambiente e desenvolvimento sustentável há três décadas como militante, parlamentar, secretário de estado e, atualmente, é consultor em temas relacionados ao tema. “Sustentabilidade é pensar em ações a médio e longo prazo. Temos que fazer um grande esforço para tornar o tema relevante no Brasil”, completou.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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