MAG Seguros leva neurociência ao centro da estratégia para seus 200 anos

Lançamento do livro “Dopamina: Vilã ou Mocinha?”, de Carla Tieppo e Carina Grassotti, revela como conhecimento, disciplina e propósito estão transformando a relação da seguradora com funcionários, corretores e clientes

O que faz uma pessoa levantar todos os dias motivada para trabalhar? O que leva um corretor de seguros a compreender que sua profissão vai muito além de vender uma apólice? E como uma empresa que se aproxima dos 200 anos de história consegue continuar inovando, crescendo e conquistando o reconhecimento de seus funcionários? Essas perguntas estiveram no centro de uma conversa sobre neurociência, comportamento humano e futuro dos negócios durante o lançamento do livro Dopamina: Vilã ou Mocinha?, das autoras Carla Tieppo e Carina Grassotti.

Neurocientista e integrante do Conselho da MAG Seguros, Carla Tieppo vem ajudando a companhia a encontrar respostas para algumas dessas questões. E os resultados começam a aparecer. Em 2026, a MAG foi eleita a melhor empresa para trabalhar no Brasil na categoria Grandes Empresas, de 1.000 a 9.999 funcionários, segundo o ranking Great Place to Work (GPTW). O reconhecimento chega em um momento especial para a seguradora, que completa 191 anos de história e desenvolve o projeto MAG 200, voltado à preparação da companhia para seu bicentenário, em 2035.

A empresa quer demonstrar que é possível combinar resultados financeiros, crescimento e relações humanas saudáveis. Para Tieppo, o segredo está em compreender o que realmente move as pessoas. “Os maiores desafios que a gente tem hoje no RH, na gestão de pessoas, na escolha profissional, são manter as pessoas motivadas e engajadas”, afirmou durante a conversa com jornalistas.

A neurocientista observa que existe uma percepção equivocada de que desempenho empresarial e bem-estar dos funcionários seriam objetivos conflitantes. A experiência da MAG, segundo ela, aponta em outra direção. Uma liderança capaz de mobilizar pessoas em torno de objetivos compartilhados pode fortalecer tanto o sentimento de pertencimento quanto os resultados da organização.

A ciência do comportamento chega à mesa do conselho

A participação de Carla Tieppo no Conselho da MAG Seguros trouxe uma perspectiva pouco convencional para as discussões estratégicas. Em uma indústria acostumada a analisar indicadores financeiros, sinistralidade, produtividade e crescimento, a neurocientista passou a provocar reflexões sobre o comportamento humano.

Carolina Vieira, diretora de Parcerias Estratégicas da MAG Seguros, conta que essa mudança começou com perguntas aparentemente simples, mas de grande impacto. “Ela não é alguém que traz respostas, mas alguém que pergunta”, afirmou.

Segundo Carolina, o diferencial está em levar a discussão sobre comportamento para além das áreas de recursos humanos. “Numa mesa em que os maiores dashboards são os financeiros, os dados de mercado e a análise econômica, ela vem questionar: e os nossos dashboards de comportamento humano?”

A partir dessa provocação, a neurociência passou a integrar decisões relacionadas à experiência do cliente, à formação de corretores, à comunicação e ao desenvolvimento de produtos. O trabalho inclui mudanças no processo de acolhimento de novos segurados, campanhas institucionais e a revisão de práticas comerciais.

Para uma empresa que protege cerca de 8 milhões de famílias, segundo Carolina, entender o comportamento das pessoas significa reconhecer a dimensão da responsabilidade assumida em cada contrato. O seguro de vida, afinal, não é uma compra por impulso. É uma decisão de confiança que pode produzir efeitos muitos anos depois da contratação.

O corretor deixa de vender um produto para construir proteção

Uma das transformações mais interessantes ocorre na formação dos corretores de seguros. A MAG está incorporando conhecimentos de neurociência à sua cadeia educacional, com o objetivo de desenvolver abordagens comerciais mais consultivas, sustentáveis e conectadas às necessidades das famílias.

A ideia é substituir a pressão pela venda imediata por uma relação de confiança que permaneça ao longo do tempo. “Se o relacionamento que a gente tem com o cliente final for de curto prazo, a gente não conseguiu chegar ao que precisava, porque não conseguiu o nosso propósito principal, que era proteger aquela vida”, explicou Carolina.

Tieppo defende que o conhecimento científico sobre motivação e tomada de decisão não deve ser utilizado apenas para persuadir consumidores. Ele também precisa ajudar as pessoas a fazer escolhas mais conscientes. “Ser capaz de convencer as pessoas de que, estando seguras, tomarão melhores decisões. Elas com medo e vulneráveis tomam decisões piores”, afirmou.

Essa visão representa uma mudança importante para um setor que ainda enfrenta dificuldades para ampliar a penetração do seguro de vida individual no Brasil. Muitas famílias não procuram espontaneamente esse tipo de proteção, seja por desconhecimento, seja pela resistência em conversar sobre morte, doença e vulnerabilidade financeira.

Durante a coletiva, foi relatado o caso de um corretor especializado em automóveis que mudou completamente sua postura depois da morte de um cliente. Ao procurar a viúva para oferecer assistência com os seguros dos veículos, ouviu uma pergunta dolorosa: por que, depois de tantos anos de relacionamento, ele nunca havia sugerido um seguro de vida que pudesse proteger financeiramente aquela família e seus três filhos?

O episódio transformou a maneira como o profissional passou a trabalhar. Ele compreendeu que oferecer proteção não significa simplesmente tentar vender mais um produto. Significa assumir a responsabilidade de apresentar alternativas que o cliente talvez nem saiba que existem. A valorização da profissão também faz parte dessa estratégia. Para Nilton Molina, o corretor precisa sentir orgulho de sua atividade e reconhecer a relevância social do trabalho que realiza.

Dopamina, disciplina e o valor das escolhas

No livro, Carla Tieppo e Carina Grassotti procuram desfazer um dos principais equívocos sobre a dopamina: a ideia de que ela seria apenas uma substância associada ao prazer, aos vícios e às recompensas imediatas.

A dopamina participa de circuitos cerebrais relacionados à motivação, à aprendizagem, ao movimento e à seleção de comportamentos. Ela pode estar envolvida tanto na busca compulsiva por estímulos quanto na disposição para estudar, praticar exercícios, trabalhar e perseguir objetivos de longo prazo.

O problema, segundo Tieppo, não é a dopamina em si, mas a maneira como as pessoas organizam suas escolhas e respondem aos estímulos do ambiente. Em uma sociedade dominada pela velocidade das redes sociais, pela busca de gratificação imediata e pela multiplicação de distrações, cultivar disciplina e propósito tornou-se um desafio ainda maior.

Essa reflexão também tem consequências para o mundo corporativo. Em vez de depender exclusivamente de campanhas de incentivo e recompensas de curto prazo, as empresas podem construir ambientes nos quais as pessoas compreendam o sentido de seu trabalho e encontrem motivação no próprio processo de realização. Na MAG, esse pensamento dialoga com a ambição de desenvolver uma cultura em que funcionários e corretores se sintam participantes de um projeto maior.

MAG 200: o futuro começa pelas pessoas

O projeto MAG 200 reúne estudos sobre tendências, transformações sociais e possíveis cenários para os próximos anos. A proposta é preparar a companhia para seu bicentenário, em 2035, sem perder a identidade construída ao longo de quase dois séculos.

Tieppo participa diretamente desse processo, que busca compreender como os produtos de seguros, previdência e proteção financeira poderão se integrar de maneira mais natural ao cotidiano da população.

A estratégia envolve aproximar a seguradora dos clientes, fortalecer a relação com os corretores e experimentar novas formas de comunicação, educação e desenvolvimento de soluções. “Estamos construindo toda a perspectiva de futuro baseada no comportamento humano”, explicou a neurocientista.

A MAG chega aos 191 anos olhando para 2035 com uma convicção: tecnologia, produtos e capital continuarão essenciais, mas serão as relações humanas que determinarão a capacidade de uma seguradora permanecer relevante.

Carolina Vieira acrescentou que a companhia está ressignificando sua cadeia educacional e incorporando aplicações práticas da neurociência à formação dos profissionais de distribuição. O desafio não é pequeno. Trata-se de transformar uma indústria tradicional, na qual a venda muitas vezes ainda depende de abordagens padronizadas, em um ambiente de relações mais próximas e duradouras.

Nesse contexto, o primeiro lugar no GPTW ganha um significado que ultrapassa a premiação. Ele representa o reconhecimento de uma cultura organizacional que procura conciliar ambição empresarial com pertencimento, desenvolvimento profissional e valorização das pessoas.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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