O setor segurador apresentou sua agenda institucional para 2026 com foco na ampliação da proteção da sociedade e no fortalecimento do papel do seguro como instrumento de desenvolvimento econômico e social. O documento reúne prioridades regulatórias e legislativas voltadas à expansão do mercado, ao lançamento de novos produtos e à redução da vulnerabilidade de famílias, empresas e governos diante de riscos crescentes.
A agenda parte de um diagnóstico recorrente: apesar da relevância econômica do setor, o seguro ainda é pouco utilizado no Brasil, o que amplia a exposição da sociedade a riscos climáticos, econômicos e sociais. Nesse contexto, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) defende a integração do seguro às políticas públicas como ferramenta de prevenção, planejamento e estabilidade econômica.
A agenda parte de um diagnóstico conhecido, mas ainda desafiador: apesar da relevância econômica do setor, a adoção de seguros ainda é limitada no Brasil, o que aumenta a vulnerabilidade de famílias, empresas e do próprio Estado diante de riscos climáticos, econômicos e sociais. A proposta apresentada reforça a importância do diálogo entre o setor, à qual Ministério da Fazenda, Susep, governantes e parlamentares presentes à cerimônia abraçam com determinação.
Foi unânime, tanto nos discursos como em entrevistas individuais ao Sonho Seguro que é urgente a construção de políticas públicas que ampliem a base segurada e integrem o seguro à estratégia de desenvolvimento do país, com apelo à Susep, ao governo e aos parlamentares para que sejam removidos entraves regulatórios para estimular a inovação. “O mercado segurador tem capacidade técnica, financeira e visão de longo prazo para contribuir com políticas públicas, especialmente em áreas como infraestrutura, mudanças climáticas, saúde, longevidade e proteção social”, defendeu Dyogo de Oliveira, presidente da CNseg.
Entre as prioridades destacadas está o fortalecimento do papel do seguro na infraestrutura. O documento aponta que o Brasil investe cerca de 2% do PIB em infraestrutura, patamar considerado insuficiente para sustentar o crescimento econômico. Para reduzir esse déficit, seria necessário ampliar os investimentos entre 2% e 4% do PIB por pelo menos duas décadas. Ao mesmo tempo, o país convive com mais de 10 mil obras públicas paralisadas, cenário em que o setor segurador busca ampliar o uso do seguro garantia para reduzir riscos e assegurar a conclusão dos projetos.
Atualmente, já existem R$ 4 bilhões em obras de infraestrutura amparadas pelo seguro garantia com cláusula de retomada, modalidade na qual a seguradora assume a execução do projeto em caso de paralisação. Ao todo, 18 editais de obras públicas já contam com essa solução, envolvendo projetos de rodovias, pontes e obras de mobilidade urbana.
Outro eixo da agenda é o avanço dos riscos cibernéticos e da inteligência artificial. A CNseg destaca que ataques digitais passaram a representar risco sistêmico, com potencial para comprometer cadeias produtivas, serviços essenciais e infraestrutura crítica. Nesse cenário, o seguro cibernético ganha relevância como ferramenta de gestão de riscos e continuidade operacional, diante da digitalização acelerada da economia.
O seguro rural também aparece entre as prioridades estratégicas. O documento ressalta que o agronegócio representa 23,2% do PIB brasileiro, mas a cobertura securitária vem recuando nos últimos anos. A área protegida caiu de 16,3% em 2021 para 7,5% em 2024 e para menos de 3% em 2025, evidenciando a necessidade de ampliação da proteção no campo, especialmente diante do aumento de eventos climáticos extremos.
A agenda também destaca o envelhecimento da população como uma das principais transformações estruturais do país. O aumento da longevidade amplia a demanda por previdência privada, planejamento financeiro e soluções de proteção de renda no longo prazo. O setor pretende ampliar o debate sobre educação financeira e desenvolver produtos voltados às novas necessidades da população.
Outro capítulo relevante trata das cidades resilientes, com foco na adaptação às mudanças climáticas. A agenda defende o uso do seguro como instrumento para reduzir impactos de desastres naturais, proteger infraestrutura urbana e apoiar políticas públicas de prevenção. A proposta inclui o fortalecimento de mecanismos financeiros e securitários para apoiar municípios na gestão de riscos e na reconstrução após eventos extremos.
O documento também destaca a crescente relevância da agenda climática para o setor. Durante a COP30, realizada no Brasil, foram promovidos cerca de 60 painéis, com mais de 200 especialistas e representantes do governo, além da participação de cerca de 2 mil visitantes de 22 países, reforçando o papel do seguro na transição para uma economia mais resiliente.
A CNseg também enfatiza a necessidade de modernização regulatória e maior diálogo com a Susep e o governo para destravar o crescimento do setor, estimular a inovação e facilitar o lançamento de novos produtos. A expectativa é que a agenda institucional funcione como guia de atuação ao longo do ano, ampliando a proteção da sociedade e o potencial de crescimento do mercado segurador.


















