Icatu tem lucro recorde de R$ 525,1 milhões em 2025 e aposta em vida individual e renda para sustentar avanço

Seguradora independente projeta crescer 17% em reservas de previdência em 2026, em meio à concorrência maior em proteção financeira e à pressão sobre captação de VGBL

A Icatu Seguros encerrou 2025 com lucro líquido recorde de R$ 525,1 milhões, alta de 20% em relação ao ano anterior, apoiada na expansão das linhas de negócios, ganho de eficiência operacional e investimentos em tecnologia. Maior seguradora independente do país em seguro de vida, previdência e capitalização, a companhia chega a 2026 com a meta de manter o ritmo de crescimento dos últimos anos em um ambiente mais competitivo e de maior disputa pela renda do consumidor.

As receitas com prêmios, contribuições de previdência e capitalização somaram R$ 14,6 bilhões em 2025. O retorno sobre o patrimônio (ROE) ficou em 26,1%, enquanto o volume devolvido à sociedade em sinistros, resgates, rendas e sorteios alcançou R$ 8,4 bilhões. A base de clientes superou 14 milhões, apoiada em uma estrutura de distribuição formada por mais de 350 parceiros estratégicos e mais de 10 mil corretores ativos.

Para Luciano Soares, CEO da Icatu, preservar resultados robustos e consistentes em 2026 “não é uma coisa trivial”, sobretudo em um mercado em que novos concorrentes passaram a olhar com mais atenção para o ramo de pessoas. Segundo o executivo, a estratégia para sustentar o desempenho envolve um conjunto de fatores, entre eles portfólio de produtos, diversificação de canais, eficiência operacional e inovação.

Na avaliação de Soares, porém, a principal disputa do setor vai além da concorrência entre seguradoras. “A maior concorrência dos últimos anos é a não decisão de compra”, afirmou. Para ele, o avanço de mais participantes no segmento pode ter efeito positivo se contribuir para ampliar o debate sobre educação financeira e aumentar a percepção da população sobre a importância da proteção financeira.

“Os resultados refletem uma gestão financeira consistente, com foco em rentabilidade, equilíbrio, eficiência operacional, controle de custos e sustentabilidade do negócio. A combinação entre escala, eficiência operacional e um portfólio diversificado nos permitiu alcançar um lucro recorde e manter indicadores robustos, como ROE elevado, criando bases sólidas para o crescimento de longo prazo da companhia”, afirma Márcio Palmeira, CFO da Icatu Seguros.

O CEO também chamou atenção para a crescente competição da indústria por espaço no orçamento das famílias. Citou como exemplo o avanço das apostas esportivas, que vêm preocupando governo e empresas de diferentes setores pelo potencial de desviar renda do consumo e da poupança de longo prazo.

No seguro de vida, um dos principais motores de crescimento da companhia, o prêmio retido alcançou R$ 6,1 bilhões em 2025, com expansão de 19% em relação ao ano anterior. O desempenho foi puxado principalmente pelo vida individual, que avançou 67,1%, além do crescimento de vida em grupo, de 17,8%, e prestamista, de 17,7%. Segundo dados da Fenaprevi citados pela seguradora, a Icatu ocupa a primeira posição em faturamento em vida coletivo.

Soares afirmou que o segmento de vida individual deve continuar em trajetória de expansão, diante do espaço ainda existente para crescimento no país. Na visão dele, todo movimento que eleve a percepção de valor do seguro tende a favorecer a companhia, caso de coberturas como doenças graves, que vêm apresentando crescimento sustentado.

Na previdência, a Icatu encerrou 2025 com R$ 55 bilhões em reservas, apoiada em uma plataforma com mais de 400 fundos distribuídos entre 150 gestores. Para 2026, a expectativa é de crescimento de 17% nas reservas. A companhia vê espaço para avanço da conversão da poupança acumulada em produtos de renda, como renda vitalícia e temporária, em linha com o envelhecimento da população e a necessidade crescente de planejamento financeiro no pós-carreira.

O executivo avalia que o mercado de previdência aberta foi afetado pela tributação de IOF nos planos VGBL, o que reduziu a captação nesse tipo de produto. Na Icatu, no entanto, o impacto foi parcialmente amortecido pela maior participação do PGBL no portfólio. Hoje, esse produto representa 35% da carteira da companhia, ante cerca de 25% no mercado, o que ajudou a suavizar os efeitos da menor entrada líquida em VGBL.

A seguradora também acompanha com cautela o ambiente macroeconômico e seus reflexos sobre a indústria de investimentos. Segundo Soares, a volatilidade decorrente da guerra no Irã como inflação, energia, fertilizantes e tensões geopolíticas pode afetar o comportamento dos fundos de investimentos em geral, mas o impacto depende da composição das carteiras. Produtos de curto prazo e renda fixa tendem a sofrer menos, enquanto estratégias mais longas e expostas à marcação a mercado podem enfrentar maior estresse.

Em capitalização, as provisões técnicas somaram R$ 4,2 bilhões em 2025, alta de 3,2%. O destaque foi a modalidade garantia de aluguel, com avanço de 7,5%. Na frente de tecnologia, a companhia informou ter investido mais de R$ 2 bilhões nos últimos cinco anos e prevê aportes superiores a R$ 300 milhões em 2026, com foco em digitalização, subscrição, uso de inteligência artificial, automação de processos e melhoria da experiência de corretores e clientes.

Sobre a entrada das cooperativas no setor, Soares afirmou que ainda é cedo para medir com precisão o impacto sobre o mercado segurador. Segundo ele, o tema permanece em estágio preliminar, especialmente quando envolve riscos mais complexos, de natureza atuarial, como longevidade. Nesse contexto, acrescentou, solidez e experiência continuarão sendo diferenciais importantes para os participantes do setor. A Icatu já atua nesse nicho por meio da frente Icatu Coopera.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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