Ebix investe em IA para transformar análise de crédito e mira expansão no ecossistema de seguros e finanças

Nova plataforma promete reduzir ciclos de decisão para até dois minutos, padronizar critérios de risco e ampliar governança em linhas como Seguro Garantia, grandes riscos e crédito corporativo

A Ebix Latin America anunciou o lançamento da Ebix AI Credit Analysis, plataforma baseada em Inteligência Artificial que reposiciona a análise de crédito empresarial como um ativo estratégico para seguradoras, bancos e instituições financeiras. A solução surge em um ambiente de maior rigor regulatório, crescente complexidade de riscos e pressão por decisões mais rápidas, especialmente em linhas como seguro garantia, grandes riscos e crédito corporativo.

Historicamente marcada por leitura manual de balanços, subjetividade e ciclos longos de avaliação, a análise de crédito passou a representar gargalos relevantes de custo, tempo e governança. A nova plataforma propõe a transformação desse processo por meio de padronização analítica, rastreabilidade completa das decisões e automação do planilhamento de DRE e balanços patrimoniais, convertendo documentos não estruturados em dados organizados, auditáveis e comparáveis.

“Projetada para ambientes de alta demanda, a Ebix AI Credit Analysis opera com múltiplos agentes de IA em paralelo e entrega resultados em minutos, mesmo em análises de maior complexidade. A ferramenta integra o portfólio tecnológico da companhia e dialoga com jornadas completas que envolvem subscrição, avaliação de risco, tomada de decisão e governança”, explica Mario Nogueira, CEO & Division Head da Ebix Latin America, em entrevista ao Sonho Seguro.

Leia os principais trechos da entrevista:

Como a Ebix enxerga a evolução do mercado de seguros nos próximos anos, especialmente em linhas como Seguro Garantia, grandes riscos e crédito corporativo?

O mercado vive uma transformação estrutural. Trata-se de um setor historicamente mais tradicional que agora opera em ambiente dinâmico, competitivo e orientado a dados. Em linhas como Seguro Garantia, grandes riscos e crédito corporativo, houve aumento de relevância, complexidade e exigência técnica. Não basta mais oferecer produto padronizado. É necessário compreender profundamente o perfil financeiro e o momento de cada cliente, estruturando ofertas mais precisas e competitivas — e em menos tempo. Nesse contexto, a análise de crédito deixa de ser operacional e passa a ser estratégica. Não se trata apenas de analisar números, mas de interpretar múltiplas variáveis, cenários e políticas de risco de forma consistente e escalável. As corretoras também ganham protagonismo ao direcionar operações com base em dados estruturados, reduzindo fricções e acelerando o ciclo de negócios.

Além das seguradoras, a plataforma mira instituições financeiras. Como o produto dialoga com a convergência entre seguros, crédito e serviços financeiros?

O produto nasceu dentro do contexto do Seguro Garantia, integrado à plataforma de venda online da companhia. No entanto, a partir da escuta ativa de seguradoras, bancos e instituições financeiras, ficou claro que a solução poderia ser mais ampla: focada no núcleo da decisão de crédito, independentemente do produto final. A plataforma evoluiu para um modelo agnóstico de indústria e altamente configurável. Cada instituição pode definir pesos dos pilares do score, ajustar critérios de classificação de risco e inserir sua própria política de crédito em linguagem natural, por meio de um bloco aberto que orienta o comportamento do sistema. Isso dialoga diretamente com a convergência entre seguros e serviços financeiros, onde fronteiras se tornam mais fluidas. A solução também entrega o planilhamento completo dos dados financeiros em minutos, permitindo análises complementares em Excel ou integração com sistemas internos.

Como foi o desenvolvimento da plataforma?

O projeto foi tratado como missão crítica, dado o uso de dados financeiros sensíveis e decisões de alto impacto. O desenvolvimento combinou pesquisa de mercado, escuta ativa de clientes e ciclos extensivos de testes e validação com seguradoras parceiras. Houve integração entre os times de IA da operação latino-americana e especialistas globais do grupo, garantindo alinhamento técnico e escalabilidade. O foco foi eliminar gargalos clássicos do crédito: subjetividade excessiva, demora na análise, dependência de processos manuais e ausência de rastreabilidade.

Na prática, como a solução equilibra automação, padronização e exigências regulatórias?

A arquitetura combina IA, regras matemáticas tradicionais e codificação determinística. A inteligência artificial atua na leitura, interpretação e consolidação de dados, dentro de limites previamente definidos. Há uma camada robusta de validação para reduzir inconsistências e garantir aderência às políticas internas de cada cliente. As regras de crédito e requisitos regulatórios são parametrizados e auditáveis. A IA não substitui o olhar técnico, mas amplia sua capacidade analítica.

Quais são as expectativas de adoção e expansão internacional?

A companhia afirma já contar com pipeline relevante de seguradoras e instituições financeiras interessadas. Há um roadmap de evolução funcional para diferentes regulações e mercados. Países da América Latina avaliam a adoção da solução, e a expansão dentro do ecossistema global da Ebix é vista como caminho natural. O impacto esperado é imediato: redução significativa do tempo de análise, diminuição de erros operacionais, maior padronização e fortalecimento da governança. Para a empresa, a digitalização estruturada da análise de crédito tende a se consolidar como diferencial competitivo em um mercado que exige velocidade, precisão e controle de risco em escala.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS