Grupo MAG cria vice-presidência inédita e aposta em Leonardo Lourenço para acelerar expansão

Mudança marca novo ciclo de crescimento, com meta de ampliar presença territorial, fortalecer novos negócios e manter ritmo acima do mercado

O grupo MAG inicia 2026 com uma das mudanças mais relevantes de sua história recente. Pela primeira vez, a companhia cria uma vice-presidência única para coordenar as 16 empresas que compõem o conglomerado — movimento que sinaliza não apenas reorganização interna, mas uma aposta clara no Brasil e no mercado de seguros.

O escolhido para o posto é Leonardo Lourenço, executivo com cerca de 20 anos de casa, que construiu sua trajetória passando por áreas estratégicas como Produtos, Tecnologia, Inteligência de Mercado e Comercial. No auge das insurtechs, foi o responsável por estruturar a Simple2U, considerada à época e ainda hoje uma das iniciativas mais inovadoras do setor.

Em janeiro, a MAG Seguros completou 191 anos, consolidando-se como uma das três empresas mais longevas do país. Ao longo de quase dois séculos, a MAG Seguros construiu uma trajetória marcada pela solidez institucional, pela capacidade de adaptação às transformações do mercado e pelo compromisso com a proteção financeira das pessoas em diferentes fases da vida. 

A criação da vice-presidência reposiciona o CEO e chairman Helder Molina em uma função mais estratégica, com foco ampliado na relação institucional e de mercado. Lourenço passa a assumir a gestão executiva das verticais, empresas coligadas, operações e áreas de suporte. “Não é apenas ajuste organizacional. É sinal de maturidade de um grupo que se diversificou, ampliou fronteiras e agora busca escala com método. Em um mercado em consolidação, com novas regras, tecnologia acelerando modelos de distribuição e cooperativas ganhando espaço regulatório, o recado da MAG é claro: crescer, sim — mas com técnica, cultura e espírito de dono”, comenta.

Lourenço assume a missão de orquestrar a engrenagem de um grupo que reúne seguradora, asset, capitalização, fundos de pensão, finanças e iniciativas como a Favela Seguros. “É uma empresa que não deixa ninguém se acomodar. Quem gosta de zona de conforto não fica no grupo”, resume Lourenço, em tom que reflete o chamado “Jeito MAG de Ser” — cultura interna marcada pelo espírito de dono e pela inquietude permanente.

A inquietude, qualidade que permeia o clima da organização, é quase um exercício diário de disciplina. A MAG, diz, não é um ambiente de acomodação. A promoção ao cargo de vice-presidente vinha sendo estruturada há meses e foi oficializada ao fim de um ano simbólico — quando a companhia completou 190 anos e entrou no 191º ano como uma das três empresas mais longevas do país.

A presidência passa a ter três reportes diretos, mantendo sua assessoria estratégica (Luís Felipe Maciel e Douglas Rocha) e a diretoria comercial da Sicoob Seguradora (Guilherme Chiarrocchi). A vice-presidência, liderada por Lourenço, passa a integrar áreas-chave como Novos Negócios, Gente & Gestão, Governança, Riscos e Compliance, Finanças, Tecnologia da Informação, Operações, Marketing e as frentes Comerciais de Varejo e Corporate.

Os diretores estatutários e executivos passam a se reportar diretamente a ele. A estrutura foi revisada, com fortalecimento de áreas técnicas, backoffice, tecnologia e, principalmente, do bloco comercial — agora dividido em três frentes claras: Varejo, liderado por Corporate e Novos Negócios.

Erick Kluft assume a nova Diretoria de Novos Negócios, que visa apoiar a companhia em seus desafios de crescimento. A área abrangerá atuais operações da Simple2U, MAG Capitalização, Favela Seguros, MAG Gestão Previdenciária, MAG Fundo de Pensão e MAG Lab. Com sólida experiência no setor de seguros, Kluft atuou em segmentos bancários (Banco Prosper e Banco Brasil Plural), hospitalares (Rede D’Or São Luiz) e securitário (Generali e Prudential).  

Larissa Althoff passa a liderara Diretoria de Parcerias Estratégicas e se reportará para Erick. A área também conta com apoio executivo de profissionais como Luis RicardoTatiana CardosoRonaldo Gama Cristiane Junqueira, o que reforça o desenvolvimento de novas frentes de atuação e modelos de negócio. 

A Gerência de Produtos e Inteligência de Mercado (liderada por Rodrigo Cunha), a Gerência de Incentivos Comerciais (Leandro Manhaes) e o Instituto de Longevidade MAG passam a se reportar diretamente à Diretoria de Marketing, sob a liderança de Simone Cesena.Além disso, a Gerência de Marketing de Negócios e Trade Marketing ficará sob a responsabilidade de Adriana Simis. 

A Diretoria Comercial de Varejo, liderada por Marcio Batistuti, contará com duas novas Superintendências Regionais em sua estrutura, com Gabriel Ivo (Regional Leste), Greici Pinzon (Regional Sul), Gabriel Ivo (Regional Leste),Euripedes Filho (Regional Oeste), Luiz Netto (Regional Norte), Luis Miguel (Previdência Pública) e instituídos (com toda a estrutura do atendimento pelos Agentes Comerciais), e Gabriel Loures (Gerência de Acordos de Previdência), reportará diretamente a Luis Miguel.     

O Diretor Eugenio Guerim (Parcerias Estratégicas) passa a se reportar diretamente à Diretoria Comercial Corporate (Clarice Weber), assim como Thiago Levy (Direção de Parcerias Financeiras, Gilvan Ferreira (Diretoria de Cooperativismo) e Karina Castro (Superintendência de Negócios, reportando-se a Waldemir Fiori, Diretor de Mercado e Afinidades). 

A Diretoria de Gente e Gestão (Patrícia Campos) passa a contar com a Gerência de Atração de Talentos, liderada por Luciana Rosa, responsável por todo o processo de recrutamento das áreas Corporativa e Comercial do grupo. Sandra Kina assume como Head da MAG Universidade, sendo responsável pela estratégia de educação corporativa do Grupo MAG.   

A companhia também reforçou seu quadro de governança e liderança com a entrada da neurocientista Carla Tieppo, que trabalhará conceitos neurocientíficos em conhecimento, experiências e iniciativas mais inovadoras para colaboradores, corretores, clientes e parceiros da empresa, para reforçar o compromisso da companhia em colocar o capital humano no centro das estratégias. .

Crescimento acima do mercado

O histórico ajuda a sustentar a ambição. Segundo o executivo, ao longo de 21 anos a companhia cresceu consistentemente acima da média do mercado de seguros. Em 2025, fechou com lucro de aproximadamente R$ 400 milhões — alta de 35% sobre o ano anterior — e faturamento de R$ 3,5 bilhões. Considerando as operações ligadas ao Sicoob, o volume chega a R$ 5,8 bilhões.

A meta para 2026 é manter — e ampliar — esse ritmo. Com a estrutura atual, a expectativa é crescer 35% em vendas, apoiada por investimentos robustos em tecnologia, processos e cultura. A ambição, segundo Lourenço, é ainda maior, embora números finais não tenham sido divulgados.

O crescimento deve ser sustentado por três pilares: escalabilidade operacional, com alto investimento em TI e automação; fortalecimento cultural — “crescer mais que dobra a presença territorial exige preservar o Jeito MAG”; e reforço das parcerias estratégicas, especialmente no corporate e no cooperativismo.

Hoje, o grupo tem presença relevante em assessorias de investimentos — com penetração que chega a 25% em algumas redes — e atuação ampla no cooperativismo. A nova regulamentação da Superintendência de Seguros Privados (Susep), que abre espaço para novos modelos de negócios envolvendo cooperativas, é vista como oportunidade. A companhia não anuncia estratégia específica neste momento, mas acompanha de perto o movimento, avaliando como pode oferecer tecnologia, capacitação e estrutura para esse ecossistema.

Um dos movimentos mais emblemáticos é a ampliação da presença física. O grupo conta hoje com cerca de 40 unidades e pretende encerrar 2026 com aproximadamente 100 filiais. Só essa expansão no varejo já representa, segundo a companhia, uma transformação estrutural.

O varejo é tratado internamente como ativo estratégico e diferencial competitivo, especialmente na venda de seguros de vida individuais — core histórico da MAG. A companhia quer reforçar sua inteligência proprietária de vendas, com programas de capacitação e iniciativas como o “MAG 200”, que projeta o papel da organização na próxima década.

A área comercial foi reorganizada, com regionais ampliadas de três para cinco, sendo uma dedicada exclusivamente a funcionários. O marketing também foi remodelado e passa a incorporar mais fortemente produtos e inteligência de mercado, com profissionais distribuídos nas regionais para atuar “na ponta”. Hoje 40% das vendas vêm do varejo e 60% do corporate, refletindo o fortalecimento das grandes parcerias e das operações estruturadas.

Entre as investidas, a Favela Seguros segue com grande destaque. O projeto, que busca ampliar acesso à proteção financeira em territórios historicamente desassistidos, deve saltar de 10 comunidades para mais de 50 frentes de atuação ao longo do ano — um esforço relevante em termos operacionais e sociais.

Outras iniciativas incluem o Parque Brasil, voltado à ressignificação da cremação, e o avanço da Simple2U dentro do ecossistema do grupo, com integração mais efetiva à base de clientes. A área de capitalização também passa a ser trabalhada com títulos tradicional de garantia, além do de incentivo.

No braço de investimentos, o grupo supera R$ 20 bilhões em recursos sob gestão e busca novos aportes para acelerar projetos estratégicos. Para Lourenço, o maior desafio talvez seja coordenar tudo isso sem perder identidade. “A principal transformação da minha trajetória veio com a Simple. Ali virei dono do negócio, com tudo — TI, marketing, operação. Agora é usar essa energia de forma correta, sem perder o foco”, afirma.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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