A Go Sellers escolheu a sede da Seguros SURA Brasil, em São Paulo, para apresentar ao mercado sua visão sobre o futuro das vendas em seguros e crédito: agentes de inteligência artificial operando como extensão das equipes comerciais. O encontro reuniu bancos, seguradoras, fintechs e corretores para discutir como a IA pode sair do discurso e gerar impacto concreto em conversão, produtividade e escala.
Especializada em soluções de vendas com agentes de IA, a salestech defende que a nova geração de tecnologia comercial vai além de CRMs inteligentes, automações tradicionais e dashboards analíticos. Segundo Rodrigo Freire de Aragão, um dos acionistas da empresa, a diferença está na atuação ativa da tecnologia.
“Não existe paralelo entre os Agentes de Vendas da Go Sellers e qualquer outra solução disponível no mercado. Diferente das ferramentas tradicionais, nossas soluções são ativas. A integração profunda com dados permite a criação de jornadas comerciais totalmente novas e, até então, impossíveis de serem executadas”, afirma.
Da análise de dados à assessoria estratégica
Um dos exemplos apresentados foi o da Terra Verde Seguros, corretora especializada no agronegócio. A empresa utiliza um agente de IA para gerar relatórios de risco e análises climáticas detalhadas. Com base nesses dados, a tecnologia assessora o produtor rural na escolha estratégica e na definição dos índices climáticos do seguro.
A proposta, segundo a companhia, é transformar a IA em uma camada operacional e decisória integrada à jornada comercial — da prospecção à qualificação de leads, passando pelo acompanhamento de propostas e suporte ao fechamento, até o pós-venda.
No mercado de crédito, os agentes apoiam operações de crédito pessoal, consignado e financiamentos, respeitando critérios de risco e perfil do cliente. Em seguros, a promessa é elevar produtividade, reduzir tempo de ciclo e ampliar a capacidade de cross-sell e upsell, especialmente em linhas como vida, saúde e patrimoniais.
Conversão até 4 vezes maior
Em termos de indicadores, a Go Sellers afirma já observar ganhos relevantes em clientes com estágio maduro de implementação.
“De modo geral, os clientes têm alcançado taxas de conversão entre 2x e 4x superiores aos modelos anteriormente adotados”, diz Aragão. Ele ressalta que, mesmo com a elevação da média geral de produtividade, profissionais de performance excepcional ainda superam os resultados automatizados, reforçando a tese de complementaridade entre tecnologia e talento humano.
A empresa cita ainda estudo da Boston Consulting Group (BCG), publicado em 2023, segundo o qual instituições financeiras que utilizam IA para personalizar modelos de vendas podem multiplicar taxas de conversão de três a cinco vezes — chegando a oito vezes em clientes com alta propensão de compra.
Além da conversão, a companhia destaca ganhos de eficiência operacional, especialmente no atendimento receptivo, com respostas 24 horas por dia e escalabilidade virtualmente ilimitada. O efeito colateral, segundo a empresa, é liberar equipes para atividades mais estratégicas e aumentar o ticket médio.
Governança e regulação no radar
Em um ambiente de forte exigência regulatória, especialmente em seguros e crédito, temas como LGPD, transparência algorítmica e critérios de risco ganham centralidade. Questionado sobre governança e auditabilidade, Aragão enfatiza que a tecnologia não substitui a decisão humana.
“O repertório técnico e a visão estratégica do corretor e do gerente comercial permanecem insubstituíveis. A Inteligência Artificial deve ser vista como o instrumento que escala o talento e as estratégias de cada empresa”, afirma. Segundo ele, a Go Sellers nasceu da união de executivos C-level com décadas de experiência no setor financeiro e de seguros com engenheiros especializados em IA, buscando garantir aderência às exigências do mercado regulado.
Agent-to-agent e a próxima fronteira
Para os próximos três a cinco anos, a empresa projeta uma transformação ainda mais profunda. Aragão avalia que o horizonte preditivo das organizações foi encurtado para meses e que os agentes de IA tendem a se tornar “novos decisores de consumo” em até 18 meses.
Na visão dele, a jornada do cliente deve migrar das interfaces visuais — como aplicativos — para transações diretas via API, em um ambiente “agent-to-agent”, no qual sistemas dialogam entre si e automatizam escolhas com base em dados estruturados.
“Empresas que não estruturarem seus dados para leitura de máquinas ficarão invisíveis nesse novo ecossistema”, afirma. A Go Sellers acredita que as primeiras vendas nesse modelo deverão ocorrer por meio de sua própria solução.
Ao final do encontro, os participantes seguiram para um happy hour dedicado ao networking, em um sinal de que, apesar do avanço tecnológico, o relacionamento humano segue como ativo estratégico no ecossistema de seguros e crédito.


















