Apesar de todos os problemas do mundo, os investimentos seguem acontecendo. A Mundi Ventures anunciou o primeiro closing de seu LatAm Fund I, um fundo de venture capital de R$ 500 milhões voltado a empresas de tecnologia que atuam na ampliação do acesso à proteção financeira e de saúde na América Latina e no Caribe. A iniciativa reúne investidores institucionais relevantes, como BID Invest e COFIDES, além de seguradoras e instituições financeiras da região, que participam como investidores e também como parceiros estratégicos no desenvolvimento das empresas investidas.
Em entrevista, Rafaela Andrade, partner da Mundi Ventures, explica como será o processo de seleção das startups, quais são os critérios que uma empresa precisa cumprir para entrar no radar do fundo e como a rede de advisors — entre eles Marcelo Blay e Sheynna Hakim — ajuda a identificar oportunidades e fortalecer a conexão entre o venture capital e a indústria de proteção na região.
O fundo anunciou R$ 500 milhões para investir em empresas de tecnologia ligadas à proteção financeira e de saúde. Como será o processo de seleção das startups que poderão receber esse investimento?
O processo parte de uma tese muito clara: investir em empresas de tecnologia que ampliem o acesso à proteção financeira e de saúde na América Latina. Estamos olhando para negócios que usem tecnologia para transformar como produtos de proteção são distribuídos, precificados e operados, especialmente em áreas como insurtech, healthtech, fintech e climate tech. O foco está principalmente em empresas em estágio de crescimento, tipicamente Série A e B, que já demonstraram product market fit e têm capacidade real de escalar. Mais do que buscar tendência, buscamos empresas resolvendo problemas estruturais da região com modelos sólidos e escaláveis.
Existe um pipeline já mapeado de empresas na América Latina ou o fundo ainda está iniciando a prospecção ativa de oportunidades?
Já existe um pipeline bastante sólido com mais de 1.000 empresas mapeadas. A Mundi Ventures acompanha o setor há anos, investe globalmente em tecnologia e já vinha monitorando a evolução de muitas empresas da região antes mesmo do lançamento formal do fundo. Por meio dos fundos globais que gerimos, concluímos cinco investimentos na região, incluindo a Sami Saúde no Brasil, e estamos muito empolgados com tudo mais que poderemos fazer com o novo fundo. Então não estamos começando do zero. Ao mesmo tempo, a prospecção continua muito ativa. Seguimos próximos de founders, fundos locais, executivos da indústria e parceiros estratégicos, o que fortalece constantemente esse pipeline.
As startups interessadas podem se apresentar diretamente ao fundo ou a seleção ocorrerá principalmente por meio da rede de advisors, investidores e parceiros estratégicos?
As duas coisas acontecem. Startups podem, sim, se apresentar diretamente ao fundo, e esse canal é importante. Mas uma parte muito relevante das oportunidades também chega pela rede da Mundi, que inclui investidores, executivos do setor, advisors e parceiros estratégicos. Esse é um diferencial importante porque, em setores como seguros e saúde, contexto e relacionamento fazem muita diferença. Muitas das melhores oportunidades surgem justamente dessa rede especializada e próxima da indústria.
Quais são os principais critérios técnicos e de negócios que uma empresa precisa cumprir para entrar no radar da Mundi Ventures?
O que mais pesa é a combinação entre time, mercado e execução. Buscamos fundadores fortes, com visão clara, capacidade real de executar e conhecimento profundo do problema que estão resolvendo. Além disso, olhamos para o tamanho da oportunidade, a qualidade da tração, a escalabilidade do modelo e o grau de diferenciação da tecnologia. Em setores como seguros, clima, soluções de fintech e saúde, também valorizamos muito empresas que consigam construir boas parcerias com seguradoras, bancos ou grandes plataformas.
O fundo conta com Marcelo Blay e Sheynna Hakim como senior advisors. Eles já indicaram empresas ou segmentos prioritários para investimento?
Sim. Além da visão estratégica que trazem para o fundo, Marcelo Blay e Sheynna Hakim também já vêm contribuindo diretamente com originação. Eles já nos apresentaram algumas empresas e nomes interessantes, o que mostra na prática o valor da rede e da experiência que trazem para a plataforma.
Mais do que uma função formal de advisory, eles atuam como ponte real entre a Mundi e o ecossistema, ajudando a identificar fundadores, tendências e oportunidades com alto potencial. Essa combinação entre leitura estratégica do setor e acesso qualificado a empresas é um dos pontos que fortalece o fundo desde o início.
Na prática, qual será o papel deles na avaliação das startups?
Na prática, eles ajudam a elevar a qualidade da análise. Trazem repertório para discutir estratégia comercial, relação com incumbentes, canais de distribuição e capacidade de execução em setores complexos como seguros e serviços financeiros.
Isso é especialmente valioso para um fundo com uma tese tão conectada à transformação da indústria de proteção na região.
Eles atuarão mais na originação de negócios, due diligence ou no acompanhamento das investidas?
Eles podem contribuir nos três momentos. Podem ajudar na originação, apoiar discussões durante a avaliação das empresas e também contribuir no acompanhamento das investidas, especialmente em temas como escala, contratações de executivos-chave, parcerias estratégicas e navegação do mercado latino-americano.


















