Chegar à presidência da Marsh Brasil foi, para Paula Lopes, o resultado de uma trajetória construída com disciplina, aprendizado contínuo e uma busca constante por evolução pessoal e profissional. “Alcançar a posição de CEO foi o resultado de muito trabalho, dedicação e uma busca permanente por crescimento”, afirma. Ao longo do caminho, o autoconhecimento se tornou um elemento central da sua liderança. “Entender quem somos é fundamental para liderar com autenticidade e eficácia.”
A jornada foi marcada por desafios, aprendizados e pela energia de quem acredita no poder transformador da liderança. “Sempre tive muita vontade de crescer e de inspirar outras mulheres a voar longe e descobrirem seu potencial”, diz. Como mulher, Paula reconhece que sua forma de liderar é fortemente influenciada pela combinação entre paixão pelo que faz, humildade para aprender e a capacidade de observar e valorizar as qualidades das pessoas ao seu redor. “Empatia, diversidade e a construção de times fortes e colaborativos são pilares da minha liderança.” A experiência de conciliar carreira e maternidade também deixou marcas profundas. “Isso me ensinou, na prática, o valor da resiliência e da flexibilidade, que levo para a gestão todos os dias.”
Embora reconheça avanços importantes na presença feminina em posições de liderança, Paula vê esse movimento como parte de um processo contínuo. “Essa transformação exige mudanças culturais profundas, nas empresas e na sociedade”, afirma. Para ela, a construção da igualdade começa cedo, ainda na formação de crianças e jovens, a partir de oportunidades e responsabilidades compartilhadas.
Na Marsh, esse compromisso se traduz em números. “Hoje, as mulheres já representam cerca de 61% dos cargos de liderança, um marco que reflete um compromisso real com a equidade”, destaca, sem perder de vista que a jornada ainda não terminou. Para acelerar esse avanço, Paula defende políticas claras de diversidade, programas estruturados de mentoria e desenvolvimento e um ambiente que valorize diferentes estilos de liderança. “A liderança precisa criar espaços seguros e inspiradores, onde as mulheres possam expressar suas ideias, inovar e prosperar.” E completa: “Precisamos desconstruir crenças limitantes e fortalecer o empoderamento feminino, mostrando que o sucesso individual também é sucesso coletivo.”
No campo econômico e regulatório, Paula avalia que as mudanças recentes na legislação representam um marco para o desenvolvimento da indústria de seguros. “Embora algumas adaptações sejam necessárias, estou confiante de que essa evolução trará mais clareza, credibilidade, novos produtos e crescimento para o setor.” Para 2026, ela projeta a continuidade de um cenário em que o Brasil demonstra resiliência e capacidade de adaptação, mesmo diante de transformações profundas.
O setor, segundo ela, segue repleto de oportunidades, impulsionadas por avanços tecnológicos — como a inteligência artificial generativa — e pela crescente atenção aos riscos climáticos. “Esse ambiente dinâmico exige que as empresas estejam preparadas para inovar e prosperar de forma sustentável.” Na Marsh, a resposta passa por investimentos robustos em inovação e tecnologia. “A plataforma Sentrisk, por exemplo, utiliza inteligência artificial para identificar vulnerabilidades na cadeia de suprimentos”, explica, ao lado do desenvolvimento de soluções específicas para riscos emergentes, como cibersegurança e eventos climáticos extremos.
A intensificação dos eventos climáticos reforça, na visão de Paula, a importância de ampliar a cobertura de seguros e fortalecer a resiliência de empresas e comunidades. “Participamos ativamente de iniciativas globais, como a COP30, em Belém, e temos um foco estratégico em levar consultoria especializada ao middle market, que é uma parte vital da economia brasileira.” O objetivo, segundo ela, é claro: “Garantir que nossos clientes estejam preparados para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades, construindo um futuro sustentável e próspero.”
Ao falar com mulheres que almejam posições executivas, Paula reforça que liderança é uma construção contínua. “É uma jornada que exige dedicação, coragem e autenticidade.” As competências técnicas são fundamentais, mas não suficientes. “O que realmente faz a diferença é a capacidade de se reinventar, aprender com cada experiência e liderar com propósito.” Resiliência, coragem para decisões difíceis, empatia e colaboração aparecem como atitudes-chave para formar times diversos e de alta performance.
Se pudesse deixar uma mensagem para o início da própria carreira, Paula destacaria o valor do autoconhecimento. “Conhecer seus pontos fortes e trabalhar no que precisa evoluir é a base de uma liderança verdadeira.” E conclui com realismo: “O caminho não é linear. Haverá erros, aprendizados e dúvidas. Mas cada passo é uma oportunidade de fazer a diferença — na carreira e na vida das pessoas ao nosso redor.”


















