Chegar ao cargo de CEO em um setor historicamente masculino representa, para Angela Beatriz Assis, o reconhecimento de uma trajetória construída com foco em resultados consistentes e sustentáveis. “A posição que ocupo é fruto de uma carreira dedicada a entregas sólidas, sempre apoiada por times talentosos e diversos que me ensinaram muito”, afirma. Sua chegada ao topo também simboliza uma quebra de paradigma: Angela foi a primeira mulher a ocupar a posição de CEO em uma entidade coligada do conglomerado Banco do Brasil, em um ambiente onde ainda são poucas as mulheres em cargos executivos máximos.
A forma de liderar reflete diretamente essa trajetória. Trabalhar em equipe com foco no resultado coletivo foi um elemento central de sua jornada, assim como aprender a lidar com vulnerabilidades. “Não ter medo de mostrar fragilidades, dar importância às pessoas e ajudá-las no desenvolvimento pessoal e profissional sempre que necessário são características que influenciam minha liderança”, diz. Para Angela, transparência, proximidade e coerência caminham lado a lado com a busca permanente pela excelência nas entregas. “O líder precisa ser humano, sem abrir mão da responsabilidade e do desempenho.”
Apesar dos avanços na agenda de diversidade, Angela avalia que as barreiras para mulheres em posições de alta liderança ainda são reais — e, muitas vezes, começam internamente. “A autocrítica exagerada e a sensação de que precisamos ser perfeitas afastam muitas mulheres de pleitear certos cargos”, observa. Para mudar esse cenário, ela defende investimento consistente em capacitação, mentoria e redes de apoio. Na Brasilprev, um exemplo concreto é o programa de mentoria voltado a potenciais lideranças, no qual 70% das vagas são destinadas a mulheres. “Eu mesma já mentorei várias mulheres ao longo da minha carreira”, conta.
Do ponto de vista externo, Angela é enfática ao afirmar que diversidade exige ação. “Não basta discurso. Conheço muitas mulheres altamente capacitadas para cargos de gestão, e o que as separa dessa realidade é a oportunidade.” Para ela, nomear mulheres é estimular ambientes mais diversos — e diversidade, por sua vez, impulsiona inovação e produtividade.
Olhando para 2026, Angela identifica duas grandes forças que devem moldar o setor de previdência e seguros. A primeira é o uso intensivo de inteligência artificial em toda a cadeia de valor. A segunda é a consolidação de experiências digitais completas, fluidas e altamente personalizadas, capazes de ampliar a fidelização da base atual e atrair novos públicos.
Na Brasilprev, a inteligência artificial já é parte estruturante da estratégia. Modelos analíticos baseados em machine learning são utilizados tanto para proteção da base quanto para prospecção de novos negócios. Mais recentemente, a companhia avançou de forma consistente no uso de IA generativa, especialmente nos processos de contratação e na assessoria via WhatsApp. “Os resultados têm sido bastante expressivos”, afirma, destacando uma evolução superior a 30 pontos no NPS da assessoria nesse canal.
A IA também está integrada a iniciativas de cibersegurança e a ganhos relevantes de eficiência operacional, como o uso de speech analytics para monitorar a qualidade do atendimento na Central de Relacionamento com Clientes. Ainda assim, Angela faz questão de ressaltar que a assessoria humana segue como pilar do modelo de negócios. “Adotamos IA generativa e agentes de IA como ferramentas de apoio, potencializando o trabalho dos consultores Brasilprev e dos gerentes de relacionamento nas agências do Banco do Brasil.”
No campo da experiência digital, Angela acredita que ela será decisiva para sustentar o crescimento do setor nos próximos anos. O novo ambiente regulatório — incluindo mudanças nas regras do imposto de renda — combinado ao reaquecimento da economia tende a impulsionar a demanda, especialmente no varejo e entre clientes empresariais. Nesse contexto, a Brasilprev vem investindo de forma consistente em tecnologia, fortalecendo a jornada do cliente nos canais do seu principal distribuidor.
Paralelamente, a companhia consolidou seus canais próprios, como App e WhatsApp Brasilprev, voltados também a clientes não correntistas do Banco do Brasil. Mantém avaliações de excelência nas lojas de aplicativos e foi pioneira ao viabilizar a contratação de planos com débito via PIX a partir de contas de qualquer instituição participante do Open Finance. “Essa combinação de inovação, escala e foco no cliente nos posiciona de forma sólida para capturar as oportunidades de 2026 com relevância e sustentabilidade”, afirma.
Para as mulheres que almejam posições executivas, Angela aponta a coragem como a atitude mais determinante. “Coragem para se posicionar, para defender ideias, para manifestar interesses de carreira e para aceitar desafios e mudanças.” Ela cita como marco pessoal a decisão de participar de um processo seletivo para a Diretoria de Controles Internos do Banco do Brasil, área distinta de sua trajetória até então, focada em negócios e relacionamento com clientes. “Ouvi conselhos para não participar, mas vi ali uma oportunidade enorme de aprendizado.” Aceitou o desafio, foi selecionada e considera a experiência decisiva para sua formação como CEO.
Entre as competências essenciais de liderança, Angela destaca três: saber trabalhar com pessoas diferentes de si, abraçando a diversidade; ter clareza dos objetivos e transparência na comunicação; e manter atualização constante sobre novas tecnologias e seus usos. “Hoje, isso é um compromisso permanente.”
Ao olhar para o início da carreira, Angela diz que teria sido valioso receber mais mentoria sobre leitura de cenários e dinâmicas do ambiente profissional. “Sempre fui muito transparente e assertiva, e isso pode gerar ruídos se não houver boa leitura de contexto.” Seu conselho é direto: é possível — e necessário — dizer o que se pensa, desde que com conhecimento, respeito e sensibilidade para escolher o momento e a forma adequada. “Não é simples, mas faz enorme diferença no dia a dia profissional.”


















