Em outubro de 2025, o Brasil contava com 133.667 corretores de seguros ativos, dos quais 77.351 eram pessoas físicas e 59.316 eram empresas. No meio de tantas, uma delas se destaca por seu cuidado com o cliente. Fundada em 1969 como a corretora cativa do grupo japonês Mitsui Co., a Sanyuu nasceu com uma proposta de atendimento personalizado das contas de clientes japoneses no Brasil.
Em 2003, o grupo Mitsui Co. realizou um spin-off e tornou a companhia independente. Seis anos depois, em 2009, Fábio Franchini assumiu o comando com o desejo de revolucionar a operação. “Cheguei cheio de ideias, achando que sabia tudo. Mas percebi que teria muito a aprender. Encontrei clientes que estavam com a empresa desde 1969 e percebi que o que realmente os mantinha era a cultura japonesa do cuidado”, conta.
Essa filosofia moldou o que hoje é a essência da Sanyuu — uma corretora boutique, que investe em pessoas que pensam, resolvem e se importam. “Nosso negócio é feito por gente. A tecnologia ajuda, mas só quem entende o cliente consegue fazer as perguntas certas, interpretar o que a inteligência artificial sugeriu e personalizar a proposta, o atendimento e a solução. É isso que faz o cliente se sentir único”, resume Franchini.
A Sanyuu mantém viva uma cultura de presença, como a cultura japonesa. “Não existe conta que não seja visitada pessoalmente”, diz o CEO. Essa proximidade, somada à “Cultura do Cuidado”, sustenta a filosofia que a corretora defende há mais de meio século: “Protegemos histórias, não contratos. Muitos clientes, todos únicos. Inteligência artificial, sim — relações automáticas, nunca.”
Na prática, essa mentalidade se traduz em uma operação pautada por dois pilares: a busca pela excelência e a capacidade de resolver o problema do cliente na primeira ligação. Para isso, a Sanyuu aposta em uma equipe altamente capacitada e bem remunerada, que atua de forma integrada — sem home office, para preservar o espírito de equipe e a troca constante entre os profissionais, conta.
“É tão simples: nós realmente damos atenção ao cliente”, diz Sofia Banuls Scatena, sócia da corretora. “Ouvimos, estamos disponíveis, resolvemos. O cliente sente que é cuidado. Não importa se é feriado ou madrugada — ele sabe que pode contar com a gente. Esse envolvimento cria vínculos duradouros. Há clientes que relatam sentir-se como “o único cliente da Sanyuu”. Para os sócios, essa é a maior prova de sucesso: a confiança genuína que transforma o corretor em parceiro estratégico, e não apenas intermediário.
Com foco na proteção de bens e responsabilidades empresariais, que no jargão do setor em ingles é conhecido como “property”, a Sanyuu tem hoje 80% de sua carteira em ramos elementares e 20% em benefícios. Atua com garantia, transporte, grandes riscos, automóvel (pessoa física e jurídica), moto PJ e responsabilidade civil, atendendo especialmente executivos e empresas de médio e grande porte.
O histórico é robusto: somente na área de transporte automotivo, em 2024 a corretora já regulou 18 mil sinistros, acumulando um banco de dados valioso. Seus clientes abrangem setores tão diversos quanto energia, petróleo, agronegócio, indústria automobilística e importação de autopeças, muitos deles com presença internacional captados por meio das parceiras globais. “Temos clientes em praticamente todos os segmentos econômicos, e isso nos obriga a estar sempre atualizados com as novas tecnologias, tendências macroeconômicas e também do setor de re/seguros mundial e local, que agora se prepara para a entrada em vigor da nova lei de contratos de seguros”, acrescenta Sofia.
Os sócios afirmam que a Sanyuu investe em tecnologia, mas sempre com um propósito claro: gerar valor para o cliente. “A tecnologia é nossa aliada na eficiência, mas não substitui o toque humano”, reforça Franchini. O papel consultivo da corretora é um de seus maiores diferenciais. “Muitos clientes não sabem exatamente o que o seguro cobre. Nosso trabalho é fazer com que entendam o que estão contratando — e o impacto de não contratar direito”, explica. “Às vezes, é preciso discutir o básico, como a depreciação de uma máquina ou a diferença entre valor de reposição e valor em risco. Essa é a essência do trabalho consultivo.”
Sofia completa: “O cliente precisa de alguém que goste do que faz. A excelência está em simplificar o complexo. E isso só se alcança com gente que pensa e se importa.” Em um mercado de corretagem em transformação, a Sanyuu aposta em tecnologia a serviço da inteligência humana. Em 2024, a corretora cresceu 40%, e deve fechar 2025 com alta de 18%, mesmo em um cenário de forte redução de preços em várias linhas, como D&O.
A empresa está testando uma plataforma interna baseada em IA que compara cláusulas e condições das seguradoras, permitindo que cada departamento tenha um “assistente digital” para acelerar análises. “A máquina faz a parte mais complexa, mas quem entende o cliente é o corretor. Por isso, investimos em qualificação”, explica Franchini. A Sanyuu paga faculdade e cursos de idiomas para 100% dos funcionários, reforçando a crença de que a tecnologia só tem valor quando apoiada por pessoas capacitadas.
Mesmo diante das falhas sistêmicas, a corretora vê oportunidade onde outros veem crise. “Quanto pior o cliente for atendido, mais ele valoriza o cuidado. Nosso crescimento vem quase todo por indicação. Fazemos tudo pelo cliente — já mandamos até pizza para quem ficou esperando o guincho”, brinca Franchini.
Para os sócios, o setor de seguros ainda precisa investir mais nas pessoas que o fazem funcionar. “A busca desenfreada por números piorou o nível de serviço das seguradoras”, avalia Franchini. “Há muito rodízio, e o atendimento ao corretor caiu. Falta gente — em quantidade e, principalmente, em nível intelectual — para lidar com clientes cada vez mais exigentes.” Sofia complementa: “Muitos profissionais buscam status e dinheiro, mas esquecem que o foco deve ser resolver o problema do cliente. E é aí que a Sanyuu se diferencia.”


















