CNseg revisa crescimento do setor de seguro de 10%  para 9,4% em 2023

Antes previsto para crescer 10%, agora a estimativa de crescimento do setor de seguros é de 9,4%, segundo informações da CNseg divulgadas hoje durante coletiva de imprensa. Boa parte do reajuste se deu pelo difícil momento que vive a previdência privada aberta.

“O índice de endividamento das famílias é grande e as reservas acabam sendo usadas para o dia a dia e para o pagamento de dívida”, comentou Dyogo de Oliveira, presidente da CNseg, em coletiva com jornalistas realizada nesta manhã. Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil mostram que o endividamento da população cresceu 7,2% em agosto na comparação com igual mês de 2022 e atinge 66,8 milhões de brasileiros, 40,9% da população adulta.

A redução da expectativa do crescimento do setor de seguros veio na contramão da projeção otimista para o PIB, que passou de 2,2% para 3,2%. “A CNseg foi a primeira instituição que jogou uma previsão acima de 2%, num momento em que analistas não chegavam nem a 1%. E agora revisamos nossa expectativa, acompanhando o maior otimismo de todos”, ressaltou.

Mesmo com uma economia mais pujante, alguns segmentos de seguros enfrentam problemas, como, por exemplo, o rural. O setor tinha expectativa de dobrar os subsídios do governo aos produtores rurais para R$ 2 bilhões, o que não aconteceu. Diante disto, a estimativa com o rural divulgada em dezembro de 2022 para 2023 era de 20,6% e passou agora para 9,1%. 

A crise no varejo, de onde vem boa parte da arrecadação de diversos seguros como garantia estendida, prestamista, residência, celular entre outros, e na redução do crédito também ajudaram para a redução dos seguros massificados. 

Na contramão das reduções, temos altas consideráveis nos dados da CNseg, com o seguro de carro e de seguro saúde, dois dos mais demandados pela sociedade brasileira. Automóveis, por outro lado, saiu de 8% para 18%, diante dos reajustes significativos feito pelas seguradoras no início do ano e que somente em junho veio a se estabilizar, segundo mostram estudos realizados por startups do setor que criaram um termômetro do preço praticado no seguro mais demandado pela sociedade brasileira. 

Em saúde, Oliveira observou que o segmento avançou na taxa de 10% nos sete primeiros meses do ano. Não é somente aumento de número de beneficiários, que ainda é tímido. “Tivemos inflação médica, o que se refere aos reajustes dos planos de saúde, que tem vindo muito acima da inflação tradicional da economia, diante dos avanços trazidos pela tecnologia, aumento da longevidade e custos com pessoal, entre outro”,  citou Oliveira.

A entidade estima que a arrecadação do grupo Patrimonial fechará o ano com alta de 13,7%; no subgrupo Massificados, a expectativa de crescimento ficou em 9,2%; os seguros de Grandes Riscos devem expandir em 24% sua demanda; e os seguros de Risco de Engenharia podem encerrar 2023 com avanço de 12%.

Oliveira enfatiza que esses ramos são impactados diretamente pelo novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O assunto está em discussão pelo grupo de trabalho criado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) que produzirá, ainda este ano, um relatório sobre os seguros que poderão ser aplicados às obras contempladas pelo Programa. Para Oliveira, o GT permitirá que o mercado segurador reconhecido como um instrumento de proteção e, principalmente, como parceiro institucional do desenvolvimento.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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