Apesar da queda, o resultado do setor comparado a outros segmentos da economia é visto com grande alívio pelos executivos do setor
As seguradoras lucraram R$ 5,067 bilhões no primeiro quadrimestre deste ano, recuou de 11,1% em relação aos R$ 5,7 bilhões mesmo período do ano passado, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), analisados pela consultoria Siscorp. A diferença de quase R$ 700 milhões de um ano para outro veio praticamente da Bradesco Seguros. O resultado da líder do ranking foi de R$ 1,5 bilhão de janeiro a abril deste ano, abaixo dos R$ 2,1 bilhões registrados em mesmo período do ano passado.
O maior impacto no lucro do setor foi sentido no primeiro trimestre — recuo de pouco mais de R$ 1 bilhão — quando as companhias tiveram de fazer a marcação a mercado dos títulos que tinham na carteira de investimento. A percepção de alguns executivos do setor é que o efeito daqui para frente agora seja mais por queda do faturamento em razão das consequências da pandemia Covid-19 do que por perdas com investimentos financeiros.
No entanto, manter o ganho com queda de faturamento é o grande desafio do setor, segundo comentou Rivaldo Leite, presidente do Sindicato das Seguradoras de São Paulo (SindSeg-SP) e vice-presidente de marketing da Porto Seguro, durante entrevista com jornalistas na semana passada. Segundo ele, as seguradoras terão de se adaptar a uma nova realidade.
“Acho que ninguém ainda fez as contas para recompor lucro”, citou ele. “Todo mundo foi pego de surpresa com o resultado do mercado financeiro no balanço do primeiro trimestre, e se não tem este resultado, tem de buscar de outras formas. Ou via aumento de preço ou redução de despesas administrativas”, citou.
A boa noticia é que a bolsa melhorou e ajudou a recuperar os resultados financeiros dos investimentos que foram impactados em março. “Mas mesmo assim é um tema sensível e que tem preocupados a todos, pois o mercado terá de buscar uma maior eficiência operacional. E essa eficiência não dá para ser conquistada somente com redução de sinistros, de despesas e com aumento de preços. Também temos de considerar que muitos concorrentes abaixam o preço e todos acabam acompanhando para não perder clientes. Todos estão debruçamos em como equacionar esta conta”, disse.
Veja o resultado de janeiro a abril de 2020 e logo abaixo o resultado de janeiro a abril de 2019:




















