Valor: PGBL poderá ser usado para a garantia de empréstimos

O Valor Econômico destaca que o Banco Central (BC) vai autorizar o uso de investimentos em PGBL ou VGBL como garantia de empréstimos. Esses recursos são normalmente utilizados para a complementação de aposentadoria. Ao longo da vida de trabalho, os empregados são estimulados a fazer depósitos mensais nessas aplicações financeiras, muitas vezes acrescidos de contribuição da empresa onde trabalham.

A medida do BC faz parte do esforço para reduzir as taxas de juros cobradas no crédito a pessoas físicas. E deve corrigir uma distorção existente no país, pela qual, um cidadão endividado que tenha imóvel, saldo no FGTS ou PGBL/VGBL enfrenta problema idêntico ao de quem não tem nada para oferecer como garantia ao credor. Nos dois casos, os indivíduos pagam as mesmas taxas elevadas do mercado.

O Banco Central também pretende estimular o uso do FGTS como garantia de financiamentos. No fim do governo Dilma Rousseff, em 2016, o então ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, propôs ao Congresso Nacional mudança na lei para permitir essa utilização do Fundo, até o limite de 10% do saldo. A medida foi aprovada, mas não saiu do papel. No ano passado, o governo fez nova regulamentação, que também não funcionou. Agora, o BC, com ajuda do Ministério da Economia, vai reformular o mecanismo para que ele passe a ser utilizado nos financiamentos.

O uso de imóveis como garantia, autorizado no ano passado, também enfrenta problemas. Os mutuários já podem renegociar a hipoteca de seu imóvel com o banco para levantar empréstimo, mas o mecanismo não vem sendo utilizado porque, segundo o BC, há “pedras no caminho”.

Um exemplo: os bancos cobram, indistintamente, taxa de R$ 3 mil para avaliar os preços dos imóveis. Sem entender o valor dessa taxa, o BC questionou as instituições e elas disseram que a autoridade deveria falar com os peritos. Estes foram procurados e deram a seguinte explicação: “A gente cobra R$ 300; R$ 2.700 vão para os bancos”. Devolvida a questão aos bancos, estes admitiram: “É margem”, ou seja, lucro.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS