Começa neste mês e vai até fevereiro de 2019 a disputa pelos maiores contratos de seguros marítimos no Brasil e no mundo. E o IRB Brasil RE, maior ressegurador da América Latina, quer abocanhar uma boa fatia do mercado local. Esta é a primeira vez que um player doméstico entra para disputar um segmento dominado até então por players internacionais”, conta Flávio Hasenclever Borges, gerente de Riscos de Transportes, Marítimos e Aviação do IRB Brasil RE, que lançou neste ano um produto em parceria com a Mapfre Seguros.
Pouco se fala no Brasil de um seguro chamado P&I (Protection and Indemnity), mas quem atua no segmento tem sentido a pressão da concorrência mundial. Trata-se de um seguro muito especializado, que fornece cobertura a armadores, operadores e afretadores no que diz respeito às suas responsabilidades por perdas causadas a terceiros na operação comercial de embarcações. “O P&I é um seguro ofertado dentro do pacote de dois seguros essenciais para a proteção de embarcações. Por enquanto, o IRB terá como foco apenas a cobertura para armadores e operadores”, explica Flávio.
O segmento de riscos marítimos pode ser basicamente dividido em dois grandes grupos, um relacionado ao dano em si das embarcações e o segundo concernente à responsabilidade civil dos armadores. O maior deles é conhecido como “casco” e é ofertado aos armadores, com coberturas para perdas causadas ao casco do navio, no motor e no maquinário. E, por fim, o P&I, que garante os riscos de responsabilidade civil causados pelo navio, seja por colisão a outra embarcação, por danos provocados ao cais, docas, equipamentos ou instalações portuárias, poluição ambiental, danos às cargas transportadas entre outras perdas causadas a terceiros.
A novidade no Brasil é que o seguro P&I, disponibilizado até o ano passado apenas por players estrangeiros, conta agora com uma oferta local. Em janeiro deste ano, a Mapfre Seguros e o IRB Brasil RE fecharam uma parceria para viabilizar a oferta de uma apólice com clausulados desenhados sob medida para clientes brasileiros, obedecendo a todas as peculiaridades do produto no mercado mundial.
“O produto da Mapfre Seguros com resseguro do IRB Brasil RE garante os riscos de responsabilidade civil dos armadores causados pelo navio, seja por colisão, danos às cargas transportadas, poluição ambiental, remoção de destroços, lesão corporal da tripulação ou passageiros, entre outros”, explica Roberta Musolino, da Mapfre. A apólice local contempla embarcações de navegação marítima ou interior e oferece um limite de cobertura de até US$ 500 milhões.

No exterior, há duas formas de contratação do seguro P&I. A primeira se dá por meio das seguradoras, com valores fixos, ou por meio dos clubes de P&I, que surgiram em meados do século XIX com o objetivo de complementar a apólice comercial do casco do navio.
No Brasil, o produto é comercializado de forma similar ao mercado de prêmio fixo. Em geral, as grandes frotas brasileiras contratam o produto no exterior usando esses clubes. E quando ocorre um sinistro de um navio coberto pelo P&I, as indenizações são rateadas entre todos os membros do clube.
Atualmente, há aproximadamente 4,5 mil embarcações comerciais operando no Brasil, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), e muitas delas não contratam esse seguro por desconhecimento ou falta de acesso, comenta Flávio Hasenclever do IRB. Acidentes com navios são mais comuns do que se imagina, mas poucos espaços têm na mídia. Em todo o mundo, as perdas totais de remessas totalizaram 94 (acidentes) em 2017, abaixo das 98 em 2016, segundo o estudo “Safety and Shipping Review”, divulgado neste ano. Entre as perdas nas cargas transportadas por navios, as mais conhecidas são por catástrofes naturais, colisão, encalhe, incêndio e ataques de piratas.
Um dos piores acidentes registrados neste ano foi em abril, quando o porta-contêineres MSC Daniela (foto), um dos maiores navio de cargas do mundo, com capacidade para 14 mil contêineres, pegou fogo. A embarcação seguia para Cingapura, quando as chamas iluminaram o oceano Índico a 33 milhas marítimas do porto de Colombo, no Sri Lanka. O navio transportava cargas diversas, inclusive perigosas e o combate ao incêndio durou mais de dez dias.
Flávio cita uma curiosidade em relação a este seguro. Historicamente, o ano dos Clubes de P&I começa no dia 20 de fevereiro ao meio dia (horário de Greenwich/ Inglaterra). Este é o dia em que os portos do mar Báltico reabrem após o gelo do inverno, viabilizando o comércio entre os navios mercantes.
Para mais informações sobre o produto, a Inter Risks Services desenvolveu o portal https://www.pandi-brasil.com.br, que tem como principal missão difundir o seguro de P&I no Brasil, expandir a conscientização sobre os riscos inerentes à operação de embarcações em suas mais diversas atividades e atuar como um espaço de troca de experiência no gerenciamento de riscos entre os diversos agentes envolvidos no transporte aquaviário.


















