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IRB Brasil RE deve ser incluído na lista de privatização?, questiona equipe de novo governo

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

Você acha que o IRB Brasil RE deve ser incluído na lista de privaticações? Segundo fontes do mercado financeiro presentes em seminário sobre infraestrutura promovido pelo BTG Pactual, JLT e Nelson Wilians Advogados, essa é a questão que o o fundador e presidente do conselho de administração da locadora de veículos Localiza, Salim Mattar, tem feito aos executivos desde que aceitou a assumir a Secretaria-Geral de Desestatização e Desimobilização, que fará parte do Ministério da Economia no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Mattar chefiará o órgão responsável pelas privatizações que serão feitas na gestão de Bolsonaro, que tomará posse em 1º de janeiro. Não há uma resposta comum, segundo fontes que pediram anonimato. Os acionistas do IRB são BB Seguros Participações (15,2%); Bradesco Seguros (15,2%); governo brasileiro (11,7%); Itaú Seguros (11,1%); e Fundos de Investimentos em Participações Barcelona (7,4%).

O governo tem a golden share do IRB, maior ressegurador do Brasil. Para uns, manter o controle do IRB traz beneficio para o governo. Tanto do ponto de vista da rentabilidade paga, como acreditam ser importante para apoiar os projetos de infraestrutura que devem vir nos próximos anos, com investimentos estimados em R$ 250 bilhões até 2022.

Já outras fontes afirmam não ser estratégico que um país tenha participação acionária num ressegurador. “Sair agora pode ser interessante, num momento em que o mercado de capitais precifica a ação do IRB positivamente. O ressegurador terá um grande desafio, num horizonte de longo prazo, de manter as métricas de retorno nos níveis reportados atualmente”, citou um dos presentes.

O IRB tem sido citado como a ação preferida dos analistas financeiros. Somente em novembro, cinco deles recomendaram a compra do papel. Nos nove meses de 2018, o lucro líquido apresentou uma expansão de 25,1% em relação a 2017, passando de R$ 675,9 milhões para R$ 845,9 milhões em 2018. O ROAE de 31% expandiu cerca de 5 pontos percentuais sobre 2017, de 26%. Esse resultado reflete o crescimento do resultado operacional mais que compensando a redução do resultado financeiro nos períodos, em função da queda da taxa Selic.

Procurado, o IRB preferiu não se pronunciar.

Em reunião realizada ontem na Apimec, o vice-presidente financeiro e de relações com investidores da resseguradora, Fernando Passos, afirmou que as projeções para o novo governo trarão um crescimento significativo para o mercado ressegurador. Além da expectativa quanto ao andamento dos projetos de infraestrutura, a possibilidade de privatizações e outros projetos estão no radar do segmento. Além das expectativas voltadas para a possibilidade de privatizações, retomada de obras de infraestrutura e de leilões de postos de petróleo, a companhia também aposta em Proagro e VGBL, informou o DCI na edição desta terça-feira.

O executivo ressaltou ainda os leilões de blocos para exploração de petróleo como um catalisador para os negócios no setor de óleo e gás. “Já se fala em R$ 100 bilhões de outorga, o que seria suficiente para provocar um salto no número de seguros para garantir licitações”, disse ele, segundo informou o Valor. Passos citou ainda o programa de possíveis privatizações que pode ser levado a cabo pelo novo governo. “Se for concretizado, para resseguradores é bastante animador, porque boa parte das empresas públicas ou não compram ou compram seguros em volume inferior aos pares privados”, afirmou.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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