Seguros: vendas estagnadas no acumulado do ano, até julho

Até julho deste ano, as vendas de seguros ficaram estáveis em relação ao mesmo período de 2017. Isso significa dizer zero de crescimento. Se considerarmos a inflação, de 4,48% acumulada nos últimos doze meses considerando julho passado, a crise chegou ao setor e os números mostram que as vendas estão encolhendo. Dados analisados pela consultoria Siscorp, com base nos dados estatísticos divulgados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), revelam que a arrecadação do setor totalizou R$ 117 bilhões, de janeiro a julho deste ano, considerando-se seguros gerais, de vida e VGBL (sem capitalização, PGBL e saúde).

O VGBL, que por anos puxou o crescimento do setor, segue amargando queda de 7% no acumulado dos sete primeiros meses do ano. DPVAT também recua 23%, decorrente da redução do preço do seguro determinada pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). Já riscos especiais, que contempla seguros sofisticados como de petróleo e nucleares, exibe alta de 108% no período analisado, para R$ 468 milhões. Segundo a corretora JLT, esse incremento vem do otimismo com a retomada do segmento de óleo e gás com o anúncio do lucro de R$ 6,9 bilhões da Petrobras e também pela arrecadação recorde na 15ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Vale ressaltar também a carteira de automóveis, que depois de quedas sucessivas, segue há três meses sinalizando melhora e exibe avanço de 5% até julho, para R$ 20,5 bilhões. Microsseguros, que ainda não rompeu a barreira dos R$ 100 milhões em prêmios, registrou avanço de 47%.

Outra novidade, além das vendas menores, é o braço segurador do Banco do Brasil, que assumiu a liderança do ranking elaborado pela Siscorp, mesmo com queda de 13% na arrecadação comparado a julho de 2017, com receitas de R$ 22,4 bilhões nos sete meses deste ano. O Bradesco vem em segundo, com R$ 20 bilhões. Em ambos, o VGBL tem uma grande participação: 77% e 64%, respectivamente.

Caixa, Prudential, Icatu, SulAmérica e Liberty registraram no período os maiores índices de crescimento. O avanço da Caixa vem Youse, a plataforma digital que se tornou uma das maiores anunciantes do setor no ano passado. Em jantar realizado com corretores em São Paulo nesta semana, a Prudential divulgou alta de 23% na totalidade de prêmios de seguros de vida individual no primeiro semestre ante um ano, rompendo a marca de R$ 1 bilhão. A Icatu cresceu 18% em seguro de vida, enquanto o mercado apresentou crescimento de 12% no primeiro semestre de 2018.

A SulAmérica registrou crescimento de 75% no volume de prêmios em novas contratações do seguro personalizado para lojas de cosméticos e perfumarias no acumulado do primeiro semestre de 2018, em comparação ao ano anterior. O setor de institutos de beleza e estética (salões, esmalterias, espaços de depilação etc.), que também conta com um seguro personalizado da SulAmérica, igualmente apresentou aumento de prêmio em contratações novas, ficando na casa de 25% no período acumulado de 2018 contra 2017.

“A personalização de produtos conforme as demandas dos clientes é uma estratégia da companhia que evidencia o trabalho constante de ouvir e atender diferentes perfis de negócio. O avanço dos números para estes segmentos mostra que estamos no caminho certo, sempre de olho nas tendências do mercado”, avalia o vice-presidente de Auto e Massificados da SulAmérica, Eduardo Dal Ri. “Este comportamento também demonstra maturidade por parte destes setores, em franco crescimento no país, já que contratar um seguro significa reconhecer a importância de proteger o patrimônio”, completa.

A Liberty tem comemorado a venda do seguro sob medida para automóveis, comercializado pela nova marca Aliro. As soluções da nova marca foram criadas para pessoas que buscam serviços mais simplificados e acessíveis: por isso o nome Aliro, que significa acesso em Esperanto, conhecida língua criada para comunicação internacional, informa a companhia.

Apesar das vendas menores, o lucro do seguro segue avançando. https://www.sonhoseguro.com.br/2018/09/seguradoras-registram-lucro-liquido-de-r-87-bi-ate-julho-cinco-concentram-80-do-ganho/”>Leia mais

Analistas citam que boa parte do aumento do lucro vem de seguradoras que inovam em produtos, melhoram a comunicação com consumidores, que estimulam os corretores a venderem produtos antes fora do portfolio e também pelo uso de tecnologia, que traz ganhos com eficiência, redução de fraudes e de desperdício de tempo e de recursos financeiros.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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