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Fórum de seguros dos países membros do G20 acontecerá em setembro, na Argentina

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

O tema seguro foi incluído nos debates do G-20 pela primeira vez graças ao esforço de profissionais do setor que sentiam um certo desconforto em constatar que no meio de tantos grupos de discussão não estava um setor que tem como propósito apoiar o crescimento sustentável das economias. Tal inquietação culminou na criação do Fórum de Seguros na Argentina, apresentado por uma comitiva argentina ontem em São Paulo para cerca de 60 executivos brasileiros. “Temos aqui executivos que representam cerca de 80% do PIB de res/seguros do Brasil e certamente poderemos agregar muitas discussões para o Fórum”, afirmou José Carlos Cardoso, presidente do IRB Brasil Re e um dos coordenadores do evento.

Trata-se da primeira reunião internacional do setor de seguros dos países membros do G-20, no qual os líderes do setor internacional trocarão experiências, idéias e propostas sobre os desafios do mercado global de seguros. A ideia de criar um evento exclusivo para falar de resseguro e seguro, que acontecerá nos dias 25 e 26 de setembro, em Bariloche, surgiu a reboque da Argentina estar sediando as discussões do G-20 neste ano. O comitê organizador do evento de seguros está responsável por mostrar ao mundo a importância da indústria de seguros como um mecanismo de proteção social para promover a estabilidade e crescimento financeiro e econômico no contexto maior do G-20, que tem como temas a “guerra comercial”, a regulamentação financeira e a redução, até 2035, do déficit global em infraestrutura que chega a US$ 5,5 trilhões.

“É um fato histórico”, afirmou Carlos Alfredo Magarinos, embaixador argentino no Brasil. “Esse evento marca um momento especial da relação bilateral dos dois países, que tem muitas oportunidades de crescimento em diversos segmentos”. Ele ressaltou que o evento foi viabilizado diante do incansável trabalho de Juan Pazo, superintendente de seguros da Argentina. “As prioridades da Presidência da Argentina do G-20 estão intimamente ligadas aos principais temas do setor de seguros, como a promoção de investimentos de longo prazo para a infraestrutura, construir uma economia resiliente, a disrupção digital de seguros e negócios globalizados”, citou.

Desde que assumiu o comando da “Susep” argentina, Pazo viajou para diversos países com o objetivo de colocar o mercado segurador na rota de crescimento, absorvendo as regras internacionais que regem o setor de seguros e de resseguros. Segundo Pazo, as discussões relacionadas ao desenvolvimento sustentável, as barreiras ao investimento de longo prazo em infra-estrutura, inovação tecnológica e estabilidade financeira não podem ser totalmente abordadas sem a voz do setor de seguros. “Ele conseguiu convencer o governo e os líderes do G20 sobre a importância do setor para o crescimento dos países e obteve autorização para criar um fórum específico dedicado ao seguro, que já conta com mais de 40 representantes de organismos multilaterais como OCDE e FMI, além de grandes players do setor mundial”, acrescentou o chairman do evento, Adrián Werthein.

Desde então, várias entidades da indústria mundial de seguros, como a The International Cooperative and Mutual Insurance Federation (ICMIF) e a Geneva Association, que concentram uma boa parcela dos executivos que representam o PIB mundial de seguros em seus quadros de colaboradores, uniram esforços para produzir uma agenda para o evento, em parceria com suas associadas. SulAmérica, Bradesco e IRB Brasil Re são membros da Geneva Association, que reúne executivos das maiores seguradoras do mundo. “Temos muitos assuntos em comum nos dois mercados, que podem render bons frutos para o fortalecimento do setor na região”, comentou Patrick Larragoiti, presidente do conselho da SulAmérica, presente no evento.

Mesmo sendo mercados muito diferentes, tanto em tamanho como em regulamentação, os dois têm como prioridade elevar a penetração do setor no PIB, ambos com 3% ( desconsiderando saúde e capitalização dos dados brasileiro). Em gestão de ativos de seguros, a argentina tem um representatividade de 3,8%, enquanto o Brasil exibe 13,8% sobre o PIB, superado apenas pelo Chile, com 21,9%.

Apesar de o Brasil ser o líder absoluto em seguros na América Latina, com US$ 83,3 bilhões em prêmios de um total de US$ 167,8 bilhões em 2017, como destacou Marcio Coriolano, presidente da CNseg, os dois países também buscam a internacionalização dos mercados, ajustes do arcabouço regulatório, desenvolvimento em agronegócios e garantias financeiras para projetos.

“Temos também o desafio de viabilizar garantias securitárias para projetos de infraestrutura”, ressaltou Coriolano, em sua apresentação sobre o mercado brasileiro. “Não apenas através do desenvolvimento de produtos inovadores para melhorar a resiliência econômica, mas também como um catalisador de recursos ao investirmos reservas que superam R$ 1 trilhão”, acrescentou.

Coriolano apresentou um panorama do mercado de seguros brasileiro, com o histórico do desempenho dos segmentos dos seguros no período de 2008 a 2017, bem como as prioridades regulatórias e a agenda da CNseg. Ele lembrou também que o setor de seguros precisa estar incorporado com mais efetividade nas agendas macro e microeconômicas do governo para ser ainda mais presente na proteção da sociedade e no papel de destacado investidor institucional, formando poupanças.

O xerife do mercado de seguros da Argentina informou aos presentes que usou as regras de abertura do resseguro no Brasil como referência para o mercado argentino, que começa a se consolidar depois de enfrentar sérios problemas no passado. Já o Brasil buscou no ano passado aprender com a Argentina mais sobre seguro de acidente do trabalho, que representa uma boa fatia do faturamento das companhias portenhas.

Cardoso: Nosso papel é liderar as discussões, aproveitando a presença de grandes nomes do nosso mercado

O presidente do IRB finalizou as apresentações, afirmando ser de grande importância que os empresários brasileiros apoiem o evento. “O objetivo geral é apresentar aos líderes do G-20 o papel das seguradoras como provedores de soluções para alguns dos problemas mais urgentes que o mundo enfrenta hoje, como a falta de recursos para projetos de infraestrutura, um tema que muito significa para todos nós”. Também são coordenadores do evento juntamente com Cardoso, Alejandro Simón (Sancor Seguros), Recaredo Arias (GFia) e Toyonari Sasaki (LIAJ – Life Insurance Association of Japan).

Entre os palestrantes, o Fórum de Seguros na Argentina já tem a confirmação de Jonathon Dixon, secretário geral da IAIS; Joaquim Levy, diretor administrativo e CFO do Banco Mundial; Inga Beale, CEO, Lloyd’s de Londres, Marcio Coriolano, da CNseg entre outros tantos pesos pesados do mercado mundial de seguros. Alguns representantes presentes no encontro no Brasil elogiaram a iniciativa e disseram que certamente o evento contará com a força das subsidiárias do grupo na Argentina e com o apoio da unidade brasileira.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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