Mailson da Nobrega diz que recuperação econômica vai demorar até cinco anos

Mailson: Educação e produtividade devem puxar retomada do crescimento
Mailson: Educação e produtividade devem puxar retomada do crescimento

Fonte: CNseg

O crescimento do Brasil deve continuar baixo, diz Maílson da Nobrega. “Vamos levar em torno de três a cinco anos para consertar essa crise que se instalou no país para voltarmos a crescer’, sentencia o economista em sua palestra de abertura do XI Seminário Internacional de Gerência de Riscos e Seguros, da Associação Brasileira de Gerência de Risco (ABGR), que começou hoje, em São Paulo, reunindo centenas de participantes para discutir temas relevantes da indústria de seguros e de interesse direto dos grandes consumidores de seguros.

Segundo ele, apesar da crise brasileira ser muito grave, está longe de levar a economia ou a política do pais próximo da situação da Argentina ou da Venezuela. Entre os inibidores de piora da crise Maílson da Nóbrega cita a reação da economia a mudanças de preços relativos e queda de juros a partir de 2016 e o baixo risco de crises cambiais e bancária. “Temos um sistema bancário forte e muito resiliente aos problemas que estamos enfrentando”, comentou. No lado social, a ampla rede de proteção social, com mais da metade da população com renda garantida, ameniza o risco de comoções sociais.

O imbróglio político, segundo Maílson da Nobrega, vai se alongar. “Impeachment é como bomba atômica. É para ter mas não é para usar, diz o ex-ministro. Em sua opinião, os efeitos de um processo de impeachment da presidente Dilma seria muito danoso ao Brasil. “O processo apresentado na semana passada está muito mal feito, com argumentos fracos e por isso ficará sendo questionado por um longo período”, diz. Para ele, o impeachment não afeta a crise econômica, que se mantém a mesma e demora de três a cinco anos para ser resolvido. Entre os riscos, novas quedas da nota de crédito do Brasil, que podem vir com a piora das contas caso não se consiga fazer o ajuste da dívida publica. “Na pior da situação, não haverá ruptura. Mas temos de nos preparar para um longo período de crise. A partir de 2019, há uma previsão de melhora muito grande”, afirma, citando que as conquistas do Brasil nas últimas décadas foram enormes. “Temos instituições sólidas, uma base industrial complexa e diversificada, um agronegócio competitivo. Tudo isso nos traz oportunidades incríveis para serem exploradas pelos empresários e colocar o Brasil nos trilhos”, diz.

O otimismo de Maílson da Nóbrega tem base no processo democrático instalado no Brasil, com voto eletrônico e um sistema de urna, segundo ele, totalmente blindado a fraudes. “Temos também um judiciário independente e isso é fundamental para o crescimento do Brasil. Temos também uma imprensa livre, que não se curva a pressão do governo brasileiro”, afirma.

Ele garante que o Brasil não volta mais a ter uma ditadura. O desafio agora é ficar rico. Entrar no clube dos ricos. A próxima a entrar neste seleto grupo é a Coreia do Sul. Essa é a nova realidade brasileira. “Só temos 25 países ricos no mundo”, afirma. “Eu tenho esperança de ver o processo de produtividade acelerado e também educação de melhor qualidade nas escolas”, diz.

O principal risco desse cenário traçado por ele não se confirmar é se a população eleger um demagogo. “Ai só rezando”, diz. Mas para o ex-ministro, o Brasil está predestinado ao sucesso e irá superar seus desafios, fazer as reformas para ganhar produtividade e ter uma mudança significativa de patamar a partir de 2019.

Sobre o evento: O X Seminário Internacional de Gerência de Riscos e Seguros, promovido pela Associação Brasileira de Gerenciamento de Riscos (ABGR), acontece de 21 a 23 de outubro na AMCHAM Business Center, situada à Rua da Paz, 1431, na Chácara Santo Antonio, em São Paulo (SP). Com tema central “A gerência de riscos no cenário globalizado”, o Seminário reunirá profissionais do mercado segurador, corretores, expositores, palestrantes e executivos de seguradoras. Entre os temas escolhidos para discussão com os gestores de riscos, a programação traz D&O – Aplicabilidade da Lei Anticorrupção: expectativas, Soluções Paramétricas; Regulação de Sinistros; e Enterprise Risk Management (ERM), visão global, com palestras de Álvaro Igrejas (Willis), Celso Júnior (Zurique) e Márcia Cicarelli (Demarest Advogados); Gestão de Risco Energético, com Rodrigo Violaro (Swiss Re Corporate Solutions), Victor Garibaldi (MDS) e Márcia Ribeiro (Light).

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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