O Valor traz um especial sobre seguros, que dá uma dimensão ao leitor da importância da indústria de seguros mundial e o grande potencial do Brasil, visto como um dos mercados mais atraentes do mundo. O mercado segurador brasileiro deve fechar 2015 com um crescimento de 12% nominais, completando, assim, seis anos consecutivos de expansão de dois dígitos. O resultado foi a conquista de um marco histórico: em junho, pela primeira vez, os ativos das seguradoras ultrapassaram os dos fundos de pensão.
Boa leitura! O link do especial segue abaixo:
http://www.valor.com.br/especiais/suplemento?tid=5319&date=20151028
Fusões e aquisições – De janeiro de 2014 até julho de 2015, foram noticiadas mais de 30 negociações mundiais envolvendo seguradoras, resseguradoras e corretoras. Em julho, o presidente-executivo da ACE, Evan Greenberg, surpreendeu o mundo ao fazer uma oferta de US$ 28 bilhões para comprar a Chubb. Em setembro, a colombiana Suramericana, da qual a Munich Re detém 18% do controle, fez uma proposta pelas operações da inglesa RSA na América Latina . Ambas envolvem o Brasil, que foi protagonista de 13 negociações listadas no estudo da KPMG. “Outras conversas estão em andamento, podendo ainda ser fechadas neste ano”, diz David Bunce, s&oacu te;cio da consultoria, sem poder revelar detalhes.
Corretores – No atual cenário recessivo, as corretoras precisam, o quanto antes enxugar custos, voltar a prospectar clientes e estar atentas a oportunidades de desenvolvimento em carteiras diferentes das habituais. Sem dúvida, o caminho mais curto para isso é ofertar diferentes produtos para os clientes que fazem parte do seu cadastro e relacionamento, afirma Robert Bittar, presidente da Escola Nacional de Seguros.
Bolsas – Em todo os mercados do mundo, os papéis que compõem o setor de seguros estão sempre entre os mais procurados porque são extremamente sólidos. Elias Zoghbi, sócio-líder da indústria de seguros da Deloitte no Brasil, explica que a base do modelo de uma seguradora é trazer um papel com mais solidez, conta o Valor.
Paramétricos – “O clima mudou as estações. A internet das coisas transformou as relações. Temos acordos como o Transpacífico, no qual o produto final é fruto de uma produção em cadeia mundial, com riscos diversos em diferentes países. O seguro de responsabilidade civil solicitado pelo portal Airbnb viabiliza o aluguel de imóveis em mais de 190 países. Como calcular o preço para usuários de diversas nacionalidades, crenças, cultura política e social? A indústria tem de inovar para se manter em crescimento”, comenta Ângelo Colombo, CEO da Allianz Global Corporate & Specialty Resseguros Brasil (AGCS Brasil) .
Infraestrutura – Um dos resultados da Operação Lava-Jato foi demonstrar a necessidade de revisão do seguro garantia de obras de infraestrutura. A operação policial, que desvendou uma rede bilionária de corrupção envolvendo a Petrobras e as principais construtoras do país, paralisou uma série de obras que estavam contratadas com as empresas envolvidas nas denúncias.
Cyber – O Brasil ainda engatinha na oferta de seguros contra crimes cibernéticos, mas a tendência é de crescimento da demanda nos próximos anos com a percepção do aumento de risco e do surgimento de novas ameaças às empresas. Por enquanto, AIG Brasil e XL Catlin são as únicas seguradoras que vendem produtos no mercado nacional. A Argo Seguros Brasil planeja entrar na disputa a partir de 2016.
Automóvel – Com o pé no freio. É assim que se comporta o mercado de seguros de automóveis neste ano, que sofre com a expressiva retração na venda doméstica de veículos novos, principal componente dos negócios desse segmento. Os dados mais recentes da Anfavea, entidade que representa as montadoras, apontam queda de 22,7% nas vendas até setembro ante o mesmo intervalo do ano passado, com 1,95 milhão de unidades emplacadas no período, pior número da indústria automobilística em oito anos.
Vida – Aos poucos, o brasileiro começa a abandonar uma característica que ainda lhe é atribuída: ele investe em segurar o seu carro, mas não faz seguro de vida. Essa área não apenas está se expandindo, como lidera (e impulsiona) a categoria de seguro pessoal da qual faz parte. Para executivos do mercado, trata-se de uma mudança comportamental dos últimos anos que combina um trabalho de conscientização e educação financeira feito pelas seguradoras e outros agentes econômicos, melhora no poder aquisitivo da população e uma remodelação dos produtos. Nem mesmo a crise econômica parece afetar fortemente esse seg mento que trabalha com projeções de expansão este ano.
D&O – Durante uma década, executivos de seguradoras se desdobraram para construir a cultura do risco de responsabilidade civil nos executivos brasileiros e assim venderem o seguro conhecido mundialmente como Directors e Officers, que visa proteger o patrimônio do executivo em caso de demandas judiciais por má gestão. Em 2005, quando o produto estava consolidado em países da Europa, Japão e Estados Unidos, o Brasil engatinhava, com R$ 85 milhões em vendas. Só ; as empresas listadas na Bolsa de Nova York se interessav am por comprar a apólice.
Condomínios – As notícias de assaltos a condomínios já são corriqueiras no Brasil, mas sempre aumentam a sensação de insegurança e ajudam a impulsionar as vendas de sistemas de proteção e de coberturas adicionais de seguros. Hoje, soma-se a essa ameaça a percepção do risco relacionado a outros eventos, como impacto de queda de aeronaves e explosões de gás foi vasto o noticiário sobre a queda, no ano passado, sobre prédios em Santos, do jatinho que matou o e ntão candidato à Presidência Eduardo Campos, e sobre os casos de vazamento de gás que interditaram um conjunto de edifícios residenciais e um quarteirão inteiro no Rio de Janeiro. Eventos climáticos extremos agora também entram nesse cenário, informa o Valor.
Eletrônicos – A popularização dos dispositivos móveis fez surgir a necessidade de proteção contra os riscos inerentes ao seu uso e abriu caminho para que algumas seguradoras incluíssem a carteira de eletrônicos em seu portfólio de ofertas. A Porto Seguro e a QBE Brasil, por exemplo, atuam no ramo há oito anos, oferecendo cobertura a danos físicos e subtração de smartphones, tablets e notebooks.
Solvência – O mercado segurador brasileiro se aproxima ano a ano dos padrões contábeis internacionais, exigência global que tem dado muito trabalho aos órgãos reguladores e às seguradoras do mundo inteiro. Um marco no assunto é o início da Solvência II na Europa a partir de 2016 e que traz impactos no Brasil. “Muito se fala neste tema, mas poucos sabem o que isso significa”, comentou Roberto Westenberger, titular da Susep.
Transportes – A crise econômica e a desvalorização cambial tiveram efeitos inversos sobre o mercado de seguros de transportes, segundo especialistas de algumas das mais importantes empresas que atuam no segmento ouvidas pelo Valor. Enquanto o ambiente recessivo repercutiu imediatamente no mercado de transportes nacionais (embarcadores), fazendo as receitas de prêmios caírem 14% de janeiro a agosto em relação ao mesmo período do ano passado, a maior competitividade das exportações trazida pelo real desvalori zado elevou em 14% no mesmo período o faturamento do setor com transportes internacionais.
TI – Um seguro de transporte de cargas contratado on-line? Uma apólice de seguro de vida emitida pela internet? Embora a era do bom e velho papel timbrado e assinado prevaleça para consolidar negócios no setor de seguros, estudo sobre digitalização e loyalty com 3,5 mil clientes da Bain & Company, entre eles brasileiros, aponta que os mesmos 65% que ainda hoje fecham contratos de forma tradicional, projetam lançar mão, em cinco anos, de ferramentas digitais e híbridas, isto é, papel e web, para interagir com corretoras.


















