Dano à reputação da marca é o principal temor das empresas atualmente, revela pesquisa AON

Riscos_Regionais151001_110018Escândalos públicos de corrupção que envolvem executivos, oferecer produtos e serviços de má qualidade, e violar os próprios dados. Estes são fatores que lesam a imagem de qualquer empresa e, pela primeira vez em oito anos, o risco foi apontado como o número um dentre os 10 principais da América Latina, segundo pesquisa Global de Gerenciamento de Riscos (Global Survey), divulgada a cada dois anos pela consultoria e corretora de seguros Aon e que, na edição deste ano, contou com a participação recorde de 1.418 empresas globais.

De acordo com Keith Martin, consultor internacional de riscos da Aon, a imagem da empresa é a soma de diversos itens, como boa percepção pública, renome de honestidade, boa gestão e responsabilidade social. “Nos últimos anos, com o rápido desenvolvimento da tecnologia, das mídias sociais, e também a maior consciência sobre multiculturalismo, houve um aumento das possibilidades de dano à reputação, já que é necessário agilidade nas respostas, o que intensifica o risco”, afirma.

Por outro lado, a América Latina aparece em último lugar ao tratar riscos em reuniões de conselho ou diretoria executiva. Para Martin, as empresas latino americanas ainda analisam os riscos inerentes aos negócios de forma isolada, não levando em consideração o cenário que pode estimular o efeito dominó. “Em algumas situações, um risco pequeno pode levar a outro mais sério e, muitas vezes, está atrelado à forma de analisá-los”, complementa.

A partir desses movimentos, o executivo ainda destaca que os riscos de leis e mudanças regulatórias são os mais citados pelos brasileiros. Na sequência, os riscos políticos continuam entre os que mais preocupam as companhias.

Para Alexandre Botelho, diretor da área de gestão de riscos da Aon, o ranking mundial ainda é influenciado pelos recentes acontecimentos globais, tendo em vista tanto casos de conhecimento público como fatos isolados. “O estudo mostra que as empresas têm enxergado apenas riscos que afetam momentaneamente os negócios, e não buscam uma visão a longo prazo de riscos emergentes, como, por exemplo, a possibilidade de serem afetadas pelas catástrofes naturais”, relata.

Além disso, o executivo explica que alguns riscos descritos no estudo também sofrem interferência direta da legislação vigente em determinados países. “A nossa pesquisa conta com 33% dos respondentes americanos, portanto, o risco cibernético é um bom exemplo que, embora seja mundialmente importante, só tem predominância na lista por conta da lei de segurança de dados que foi imposta nos EUA”, analisa.

Botelho afirma também que cerca de 50% dos riscos mostrados no levantamento não possuem cobertura, portanto, as empresas não têm como dividir a responsabilidade com as corretoras e seguradoras. “As companhias precisam ter um bom plano de gestão com a ciência de que existem riscos que não são seguráveis, para, desta forma, minimizar eventuais impactos com ações que otimizam a administração daqueles riscos”, alerta.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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