Mais um edição do Terra Report, um estudo sobre o resseguro elaborado pela ressegurado local Terra Brasis. Desta vez, o estudo analisa o comportamento do Mercado Brasileiro de Resseguros no primeiro trimestre de 2013. “Os resultados são bastante interessantes e não inteiramente positivos”, comenta Rodrigo Botti, diretor de riscos da Terra Brasis Resseguros. Em termos de participação, o mercado local de resseguros continua a ganhar espaço. Nos primeiros três meses de 2013, as resseguradoras locais receberam 68% dos resseguros emitidos por cedentes brasileiras, comparado à 46% do mesmo período do ano anterior. “Analisamos mais a fundo este crescimento e parte significativa dele deve-se às novas companhias resseguradoras que obtiveram licença no ano passado. Em nossa análise, emprestamos ludicamente o termo do mercado ressegurador de Bermuda e apelidamos estas empresas de “classe de 2012””, informa o estudo.
Uma piada que temos escutado com certa frequência, comenta Botti, diz que atualmente tudo no Brasil está caro. Imóveis, alimentação, serviços, tudo está muito caro. Tudo exceto seguros…Comentário irônico, porém com grande dose de veracidade. O “soft market” continua a assolar o mercado (res)segurador brasileiro. As taxas usadas no Brasil, nas diversas linhas de negócio, parecem agressivas quando comparadas à taxas para riscos similares em outras jurisdições. Na última edição, de dezembro 2012, já havíamos concluído que o resultado das Resseguradoras locais apesar de positivo, continha certa nota de cautela e uma dependência não sustentável do resultado de retrocessão.
No primeiro trimestre de 2013, o resultado combinado do mercado ressegurador local apresentou prejuízo. Apesar de resultados de primeiro trimestre não serem historicamente correlacionado com resultados anuais, este foi o pior primeiro trimestre desde, pelo menos, 2009. Tal resultado, em adição a uma reavaliação do otimismo global relativo à mercados emergentes, traz poucos motivos para celebração.
Entretanto, e talvez como consolação, esta mudança de sentimento global pode ter pelo menos um efeito parcialmente benéfico ao nosso mercado. Com um menor grau de possível otimismo exuberante direcionado aos mercados emergentes, e ao mercado brasileiro em particular, um comportamento mais racional e ponderado pode prevalecer e influenciar em um endurecimento nas taxas de (res)seguro. Resta- nos observar e reforçar a atuação técnica e criteriosa na aceitação de riscos, afirma o executivo no capítulo de introdução a análise.
Veja os principais destaques:
– O volume de resseguro cedido por seguradoras brasileiras acumulado nos 12 meses findos em Março de 2013 foi de R$ 6,7 bilhões, um crescimento de 14,2% frente ao mesmo período findo em março de 2012.
– No primeiro trimestre de 2013, o volume de resseguro (bruto de comissão) emitido por resseguradoras locais foi de R$ 1,17 bilhão, 72% superior aos R$ 681 milhões registrado em igual período de 2012.
– Em 2013, até o fim de Março, o mercado local foi destino de 68% do volume de resseguro cedido pelo mercado brasileiro, contra 46% registrado no mesmo período de 2012.
– No primeiro trimestre de 2013, as Resseguradoras Locais apresentaram prejuízo de R$ 42,6 milhões, ante um lucro de R$ 97,1 milhões registrado em igual período de 2012. Esta é a primeira vez, em pelo menos cinco anos, que o mercado ressegurador local tem prejuízo no primeiro trimestre. Vale notar, entretanto, que historicamente o resultado do primeiro trimestre é pouco correlacionado com o resultado anual.
– O Combined Ratio (incluindo resultado de retrocessão) para os doze meses findos em março de 2013, atingiu 107% frente a 104% do ano de 2012.

















