Cobertura para tumultos deve ser contratada à parte

tumulto 3Acrescentando uma informação importante ao texto da revista Apólice. Os clientes estão ligando para seus corretores para pedir a cobertura para tumultos. No entanto, isso deverá custar muito caro, diante do cenário de risco atual.

Prejuízo mesmo para toda a indústria de seguros mundial será se a FIFA cancelar o evento por falta de segurança. Apólice tradicional dos eventos da FIFA tem cobertura para isso, mas o valor cobre apenas uma parte dos danos. O grande prejuízo ficará por conta de toda a população. Novamente.

Segue a íntegra do texto da Apólice

Por Amanda Cruz, da Revista Apólice

As manifestações que tiveram início em São Paulo, nas últimas semanas, e se estenderam para muitas outras cidades do país despertam a dúvida: os danos causados pelos atos são cobertos pelo seguro?

Patrimônios, tanto públicos quanto privados, sofreram depredações. Lojas, bancos, e estações de metrô não ficaram ilesos pela ocupação das ruas. Sem contar os automóveis, que também sofreram depredações quando voltavam para casa com o trânsito totalmente parado.

No seguro de property as apólices geralmente cobrem apenas riscos como explosões de gás e quedas de raios, por exemplo. Para obter a cobertura contra tumultos é necessário realizar uma contratação à parte. Essa contratação muitas vezes não é divulgada, até porque há mais de 20 anos não se via uma movimentação como essa nas ruas.

A cobertura para tumultos funciona da seguinte maneira: caso a aglomeração gere confusões que saiam do controle e acabem por prejudicar algum patrimônio, ele estará coberto contra o acontecimento. Mesmo assim as seguradoras podem investigar e tentar diferenciar atos gerados pelo tumulto de atos isolados de vandalismo.

“Os casos de vandalismo podem ser excluídos, pois o ato significa um objetivo de depredação de quem o pratica. Sendo objetivada, a depredação deixa de ser apenas uma consequência do que está ocorrendo ao redor”, explica Fernando Valentim diretor de sinistros da Chubb. A premissa é que o seguro proteja alvos incertos e, nesses casos, a propriedade se torna um alvo comum. Mesmo assim, tendo a cobertura, o segurado ainda pode recorrer ao direito do consumidor em caso de negativa da indenização. As partes deverão avaliar com cuidado o ocorrido.

Nos ramos automóvel e vida não há grandes alterações. O seguro auto geralmente possui uma apólice abrangente, que assegura indenização em caso de vandalismo. O indivíduo que possui apólice de vida tem a indenização garantida, não importando em que local ele esteja.

Chegou o momento das seguradoras se voltarem para esses novos movimentos. O risco existe e deve ser observado com cautela, para que seja possível identificar quais setores têm maior necessidade desse tipo de cobertura. “Corretores, por sua vez, precisam também observar as necessidades dos clientes e oferecer produtos e coberturas extras que hoje não são difundidas no Brasil”, observa Rodrigo Protasio, vice-presidente da JLT.

Avaliação dos prejuízos

O valor exato dos danos causados ainda não foi divulgado, mas algumas estimativas já foram feitas. Conforme publicado pela Agência Brasil, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) divulgou que os prejuízos podem chegar a R$ 2 milhões. A informação foi fornecida pelo deputado Paulo Melo (PMDB).

Já em São Paulo, onde ocorreram saques e depredações a lojas, o grupo Magazine Luiza, que sofreu ataques em sua filial localizada na Rua Direita, divulgou em nota oficial que ajudará a Polícia nas investigações e que acredita que os saqueadores estavam infiltrados no ato popular. O grupo não divulgou o valor dos prejuízos.

No último dia 12, o Metrô de São Paulo também revelou seus números. Segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos o prejuízo alcançou a marca de R$109 mil.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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