Euler Hermes, filial da Allianz, aposta as fichas no Brasil

Matéria extraída do portal da CNseg (www.cnseg.org.br)

Companhia de seguro de crédito prevê desempenho da carteira melhor neste ano, após pibinho de 2012
Uma rede internacional de monitoramento que acompanha a situação financeira de 40 milhões de empresas. Quem não gostaria de ter esse serviço num momento de incerteza da economia mundial? Possivelmente, qualquer companhia interessada em reduzir o risco de calote e melhor gerenciar os resultados do grupo. E é exatamente com esse objetivo que a Euler Hermes, líder mundial em seguro de crédito, gerencia tal banco de dados para seu próprio negócio e também para prestar serviços aos seus segurados.

Com faturamento anual acima de 2,2 bilhões de euros e transações comerciais acima de 700 bilhões de euros anuais, a filial do grupo alemão Allianz tem grandes expectativas com sua operação local. Opera no Brasil desde 1999, tendo sido estabelecida como seguradora em 2003. Atualmente a Euler Hermes ocupa a segunda posição no ranking do seguro de crédito no Brasil, com cerca de 20% de market share e uma equipe de 45 funcionários espalhados por São Paulo, Curitiba, Bauru, Campinas e Porto Alegre. O que esperar de 2013? “Nossas ambições e expectativas continuarão sendo de crescimento de dois dígitos e acima da média do mercado”, afirma Guilherme Perondi, CEO da Euler Hermes no Brasil.
Veja abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao portal da CNseg.

O grupo costuma divulgar anualmente o Índice Global de Insolvência de Empresas (IGI). Ele já saiu? Se sim, qual a previsão para 2013?
A expectativa da nosso núcleo de pesquisas econômicas na França é que o IGI atinja 4% em 2013 após terminar 2012 em 1%. A piora do indicador está sendo causada pela deteriorização econômica na Eurozona, com expectativa de aumento de 12%, em especial nos países do Mediterrâneo (+19%). Na região da Américas, a perfomance do indicador deve melhorar, com queda de 6%, apesar do aumento na inadimplência no Brasil. Na Ásia-Pacífico, esperamos um aumento de 2%. Em resumo, a lentidão na retomada econômica mundial deve acelerar o IGI em praticamente todas regiões.

Apesar do otimismo com o Brasil, tivemos um “pibinho”. Isso altera o risco do seguro de crédito? E a classificação das empresas?
De fato, a economia brasileira cresceu abaixo das expectativas e aquém do seu potencial. Porém, o Brasil tem mostrado um bom nível de resiliência aos impactos da crise internacional e isso merece ser sempre lembrado. O seguro de crédito é um produto que auxilia as empresas tanto em momentos de baixo crescimento, quando elas buscam proteção contra o aumento de inadimplência, quanto em expansão, quando vendem mais para os mesmos clientes e também para novos clientes, encontrando no produto um instrumento para compartilhar risco e alavancar vendas. Estamos otimistas em relação à 2013 pois a expectativa de retomada de crescimento combinada com o clima de incerteza sobre os rumos da economia global certamente levará mais empresas contratar o seguro de crédito como uma ferramenta estratégica para capturar a oportunidade de crescer com riscos controlados. Em relação ao risco de crédito no Brasil, sentimos a partir da segunda metade de 2012 um aumento na inadimplência de pessoas jurídicas porém ainda dentro de níveis aceitáveis. Com a chegada da temporada de publicação de balanços vamos analisar melhor como o ano de 2012 afetou as empresas e os setores chave da economia, porém não antecipamos alterações significativas em nossa política de aceitação de risco em 2013.

A Euler Hermes mudou muito desde que entrou no Brasil. Por que?
A Euler Hermes opera como seguradora no Brasil desde 2003 quando o mercado de seguro de crédito começou sua fase de maior desenvolvimento no Brasil. Trazer um produto de seguro novo para um mercado emergente é um desafio e temos explorado várias alternativas para levar nossa solução para uma quantidade maior de empresas seguradas ano após ano. Esse esforço tem exigido adaptações e melhorias em nosso modelo de distribuição. Outro elemento transformador foi o fato de que, a partir de 2011, o Brasil passou a ser uma área de investimento estratégico para a Euler Hermes e lançamos um plano de investimento de 3 anos para acelerar nosso desenvolvimento. Em grande medida, temos tido bastante sucesso e posso citar por exemplo nosso crescimento de 78% nos prêmios emitidos entre 2010 e 2012. Esse rápido crescimento e nosso esforço para levar ao mercado de empresas médias uma especialidade de seguro tem transformado nossa operação no Brasil e esperamos que essa tendência se mantenha nos próximos anos.

O desenvolvimento do mercado de seguro de crédito no Brasil está dentro das estimativas do grupo?
Conforme os números da Susep, o volume total de prêmios de seguro de crédito emitidos entre 2008 e novembro de 2012 cresceu 36% passando de R$ 135,8 milhões para R$ 185 milhões. Esses valores incluem tanto o seguro de crédito doméstico quanto o de exportação que nesse período apresentaram dinâmicas muito diferentes. Enquanto o volume de prêmios de exportação caiu 16%, de R$ 37,6 milhões para R$ 31,4 milhões, o mercado doméstico cresceu 56%, chegando a R$ 154 milhões. É um claro reflexo do desenvolvimento da economia brasileira nesse período, comprovando o potencial do mercado brasileiro e demonstrando que as empresas estão adotando o seguro de crédito como uma ferramenta de apoio ao seu crescimento. O mercado segurador tem respondido à demanda e no Brasil hoje as empresas já contam um leque bem amplo de soluções em seguro de crédito e com coberturas mais flexíveis do que no passado recente quando o produto começou sua expansão no Brasil.

O que precisa acontecer para o seguro de crédito deslanchar no Brasil?
Na Euler Hermes, estamos convencidos de que o maior valor agregado que trazemos para segurados e parceiros de negócio é nossa capacidade de analisar de forma competente o risco de crédito que subscrevemos e comunicar de forma clara e objetiva nosso conhecimento e decisões. Para isso, precisamos ter uma equipe da analistas de crédito que realmente conheça os setores onde atuamos e que esteja disponível para os nossos clientes.

E isso requer investimentos…
Sim. Em 2011 iniciamos um plano de investimento de três anos cujo um dos pilares era aumentar o tamanho e a senioridade de nossa equipe de analistas. Concluímos em 2012 a montagem dessa equipe e posso dizer que hoje a qualidade do serviço que prestamos é o nosso maior diferencial competitivo. Em 2012, tínhamos uma meta de reter 86% do prêmio em nossa carteira e terminamos o ano com 97% de retenção total, comprovando que a satisfação de nossos segurados foi um fator determinante para que renovassem suas apólices conosco. Por isso, na minha opinião é fundamental que as seguradoras de crédito invistam na capacidade de distribuição para levar o produto a novas empresas mas também na capacidade de analisar e absover risco, permitindo que esse conhecimento seja compartilhado com os segurados. Essa percepção de valor é fundamental para que mais empresas contratem o produto especialmente pela primeira vez.

Em outros países, a seguradora de crédito é vista como uma competidora dos bancos ou como parceiras?
O
seguro de crédito funciona com muito mais freqüência como um instrumento adicional de mitigação de risco do que como substituto de qualquer solução financeira. Ao emitir uma apólice, a seguradora de crédito oferece à empresa uma camada adicional de proteção sobre sua carteira de recebíveis beneficiando tanto o segurado quanto a instituição financiadora dos recebíveis que passa contar com um duplo regresso sobre o risco dos sacados. Aproximadamente 60% das apólices que emitimos no mundo estão direta ou indiretamente ligada à algum tipo de operação de financiamento de recebíveis. Em nossa carteira no Brasil esse percentual ainda está abaixo de 10% mas temos visto um esforço crescente de bancos em encontrar maneiras de utilizar a apólice como um mitigador de risco em suas operações de desconto de recebíveis, abrindo uma nova oportunidade de expansão para o produto.

Quais os principais nichos de atuação da Euler Hermes no Brasil?
O investimento que fizemos em capacidade de analisar e subscrever risco de crédito nos deu também uma estrutura de serviço diferenciada. Esse diferencial competitivo tem nos ajudado a conquistar novos clientes tanto no segmento de empresas corporate, que tem necessidade de coberturas altas e demandas de serviço complexas, quanto entre as médias empresas que precisam de decisões rápidas sobre clientes sobre os quais há pouca informação disponível. A Euler Hermes é a maior seguradora de crédito no mundo e parte do Grupo Allianz, temos vontade e capacidade de investir no Brasil e força financeira para assumir grandes riscos. Essa combinação nos dá o privilégio de poder continuar investindo em nossa capacidade de distribuição e serviço para empresas médias e ao mesmo tempo ser também capaz de trabalhar com grandes empresas.

Quais as metas para 2013?
Em função do período que antecede a divulgação de nossos relatório anual, estamos em período de blackout quando não podemos compartilhar resultados de 2012 ou metas para 2013. Entre 2011 e Novembro de 2012, conforme dados públicos da Susep, crescemos 34% em volume de prêmios e nosso market share atingiu 19% (contra 14% em 2010). O que posso antecipar é que em 2013, nossas ambições e expectativas continuarão sendo de crescimento de dois dígitos e acima da média do mercado.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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