O especialista em gerenciamento de risco, Gustavo Melo, interrompeu suas férias na Disney ontem para atender a um pedido de entrevista dos jornalistas do GloboNews. Como boa fonte, ele atendeu e ficou a disposição dos jornalistas durante boa parte do período da tarde para responder as dúvidas sobre como o seguro poderia ajudar familiares das vítimas da tragédia ocorrida com o incêndio que aconteceu na madrugada do dia 27, na boate Kiss, em Santa Maria-RS.
Para tristeza de todos, o especialista comentou no debate do qual também participara um médico e um advogado, que a maioria dos clubes noturnos no Brasil não tem o hábito de comprar seguro. “O brasileiro não tem a cultura de se proteger desse tipo de acidente. E quando possui seguro, a cobertura é contratada por um valor muito pequeno”, disse, afirmando desconhecer se a boate em questão tinha ou não seguro. “E se porventura tiver, é preciso saber se tem seguro de responsabilidade civil para a banda contratada. Geralmente os empresários de bares compram a cobertura de incêndio causado por danos elétricos e não para um show pirotécnico, que por sinal é proibido em ambientes fechados”, afirmou.
Ou seja, mesmo que o estabelecimento tenha seguro, dificilmente a seguradora será obrigada a pagar, uma vez que o proprietário agravou o risco de incêndio ao permitir a realização de um show pirotécnico em um ambiente fechado. “Se houver disputa judicial, o desfecho dependerá da análise do juiz. Muitas vezes vemos sentenças bizarras por conta do magistrado acreditar que a seguradora tem condições para indenizar vítimas sem condições financeiras”.
Mello aproveitou a oportunidade de estar em cadeia nacional para fazer um alerta aos empresários. “É preciso gerenciar riscos para que acidentes dessa natureza não se repitam”, disse ele, lembrando outros acidentes semelhantes ocorridos na Argentina e Estados Unidos. “Além de seguir as regras básicas de segurança estabelecidas em lei e pelo Corpo de Bombeiros, é preciso que os funcionários sejam treinados para situações de evacuação”, conclui Mello.
O vídeo com a entrevista pode ser visto no portal da Globo, no ícone GloboNews.

















